Programa espião pode ter infectado celulares de jornalistas no Brasil e mais 44 países

De acordo com o Citizen Lab, o vírus espião permite a coleta, registro e monitoramento de dados contidos nos aparelhos.

Atualizado em 04/10/2018 às 08:10, por Redação Portal IMPRENSA.

Um programa espião pode ter invadido os celulares de jornalistas de 45 países, incluindo Brasil, Estados Unidos, México, Argélia, Reino Unido, Arábia Saudita, Cazaquistão, Israel, Bahrein, Marrocos, Togo e Emirados Árabes. A informação faz parte de um divulgado em setembro pelo Citizen Lab. A pesquisa, porém, não revelou o número total de aparelhos infectados. Pessoas ligadas à defesa de direitos humanos, investigadores internacionais, opositores a sistemas políticos e outros membros influentes na sociedade civil também foram vítimas dos ataques. Crédito:Pixarbay

No caso do México, por exemplo, os pesquisadores detectaram links ligados ao vírus em dezenas de mensagens de textos trocadas por jornalistas, defensores de direitos humanos e advogados em 2016. A descoberta da espionagem transformou-se em escândalo político, que ganhou as redes sociais com a hashtag #gobiernoespia, e deu início a uma investigação criminal sobre o caso. No Brasil, de acordo com o portal G1, não foi possível detectar o motivo nem o responsável pela tentativa de espionagem.

Batizado de Pegasus, o spyware permite a coleta, registro e monitoramento de dados contidos no celular como senhas, listas de contatos e calendários. O vírus afeta aplicativos de mensagens, arquivos de dados, chamadas e as informações de localização em tempo real em aparelhos com diversos sistemas operacionais. Além disso, ele possibilita ativar remotamente tanto o vídeo quanto o microfone.
O Citizen Lab é um laboratório interdisciplinar ligado à Universidade de Toronto, no Canadá, que desenvolve pesquisas ligadas a tecnologias de comunicação, direitos humanos e segurança global. De acordo com a instituição, as principais vítimas atuavam em países com histórico de desrespeito aos direitos humanos e cerceamento de liberdades.