Programa do Montel Williams e a Sylvia Browne
Programa do Montel Williams e a Sylvia Browne
Montel Williams é um ator e autor de livros de auto ajuda que desde 1991 também tem um programa bastante popular na TV americana. Enquanto aí programas como o da Hebe, Luciana Gimenez, Adriane Galisteu e outros do gênero trazem geralmente entrevistas com celebridades e discussões superficiais sobre assuntos do momento -- como o caso recente da estudante da Uniban -- , aqui os programas de auditório, ou pelo menos uma parte deles, tocam em assuntos mais sérios.
Incesto, violência doméstica, dramas pesados como filhos que descobrem a carreira de criminoso do pai e resolvem denunciá-lo às autoridades, famílias destruídas pelos vícios ou manias esquisitas de pais ou filhos, distúrbios alimentares, enfim, tragédias e bizarrices de todos os tipos. Só para citar dois desses programas, campeões absolutos de audiência: Oprah Winfrey, que dispensa apresentações, e Dr. Phil, um psicólogo que ficou bilionário explorando esse filão de discussão de dramas humanos. E claro, propondo soluções, porque é da cultura americana buscar saídas para os problemas, não ficar só nos debates, nos lero- leros que não levam a nada.
Embora menos bem sucedido e sem nenhum diploma de psicologia, o show do Montel vai por essa mesma linha. E ele até ganhou um prêmio, em junho de 2000, da New York State Psychological Association (Associação de Psicologia do Estado de New York) por ser pioneiro em trazer informações do ramo para uma grande audiência de cidadãos comuns.
De uma certa maneira foi o pagamento da categoria para o apresentador, cujo show, desde 1992, arrumou inúmeros tratamentos gratuitos para muitos convidados e enviou muitos deles para centros de recuperação de drogados, spas para os obesos mórbidos, bulímicos, anoréxicos, deprimidos, viciados em sexo, em jogo, em colecionar coisas etc etc .
Depois dos tratamentos concluídos fazem novo show, mostrando o antes e o depois. Embutido no esquema vem a "propaganda" de graça para esses estabelecimentos e evidentemente novas legiões de clientes são atraídas. Como dizem aí no Brasil: uma mão lava a outra.
Não estou absolutamente criticando o show do Montel. Sei que é assim mesmo que as coisas funcionam no mundo inteiro e até admiro e reconheço o trabalho filantrópico do apresentador. Em 1999, diagnosticado com Esclerose Múltipla, Montel criou uma fundação, dedicada a angariar recursos para financiar a pesquisa sobre essa doença e difundir informações e apoio para os afetados por ela.
Agora, tem uma parte do programa dele que foge completamente a esse lado sério e, na minha opinião, é a parte mais engraçada e estranha. É quando ele entrevista uma vidente muito famosa aqui chamada Sylvia Browne, que diz ter linha direta com o além e ser capaz de ver, ouvir e falar com os mortos. E a platéia participa, fazendo perguntas sobre entes queridos já falecidos e pedindo conselhos sobre amor, saúde, finanças, etc.
Seria uma Mãe Dinah, daí do Brasil, só que ela é participante regular do show, toda quarta-feira está lá, não aparece só nos finais de ano, como geralmente acontece com os videntes e pais de santo na televisão brasileira. E o engraçado é que ela, mesmo quando dá furos fenomenais, erros grosseiros, mantém a cara séria. Aos 73 anos, nessa carreira desde 1974, ela é dura feito uma rocha. Se houvesse uma escala para medir cara de pau aquela mulher estaria sempre no topo.
Também autora de vários livros sobre vidas passadas e os mistérios do além, fundadora de uma igreja chamada Society of Novus Spiritus (Sociedade dos Espíritos Novos) minha xará cobrava ano passado 850 dolares por uma consulta, por telefone, de 30 minutos. É mais caro que a consultoria de muitos papas da informática. E tem quem pague.
Ela diz saber exatamente como é o Paraíso, porque inclusive já esteve lá, nas suas 54 vidas passadas. Em seu livro The Other Side and Back (Voltando do outro lado) ela diz que o Paraíso tem uma temperatura amena, por volta dos 26 graus, não há insetos (a menos que residente tenha sido um entomologista nesta vida e os queira por perto), todos os animais de estimação tem entrada garantida e pasmem, o espaço é livre, qualquer um pode construir uma casa onde bem quiser, desde que a tal casa não obstrua a vista de um rio ou de uma arvore. Se isso acontecer é preciso pedir permissão. Também diz que os anjos existem e que ela vem de uma família com poderes paranormais há muitas gerações.
De onde nós, pobres mortais, podemos deduzir que os burocratas também vão pro Paraíso, já que até lá é preciso pedir permissão pra construir uma casa. Mas espírito também precisa de casa? Preciso consultá-la, agora fiquei em dúvida.
Ela não explica pra quem é preciso pedir permissão ou se é preciso pagar taxas, mas onde tem burocratas sempre tem multas e impostos a serem pagos, vocês podem tirar o cavalinho da chuva. Nem depois de mortos vamos escapar dessa praga de burocracia e impostos.
Preciso dizer que ela ficou milionária, explorando a ignorância e a boa fé (ou a idiotice) dos que acreditam nas previsões dela? Já apareceu em inúmeros programas de rádio e televisão, inclusive no prestigiado Larry King, na CNN, e tem uma legião de seguidores. E alguns ferrenhos inimigos, o mais famoso dele sendo James Randi, que até já ofereceu um milhão de dólares para ter os supostos poderes paranormais dela testados cientificamente. Oferta que ela recusou, evidentemente, dizendo que não precisa do dinheiro.
Para vocês se divertirem um pouco, segue um vídeo que capturei e coloquei as legendas, para aqueles que não entendem Inglês. Tem outros engraçadíssimos no YouTube, com as previsões dela que jamais se confirmaram, como a de que Bush terminaria a guerra do Iraque e traria de volta todas as tropas em 2007 e que a economia americana cresceria e ficaria cada vez mais forte. Taí a recessão, desmentindo Sylvia Browne.
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