Profissionais falam sobre os desafios e as perspectivas do jornalismo freelancer
O jornalismo freelancer ganha cada dia mais adeptos. Os motivos vão desde a redução das redações até a liberdade que a prática oferece aos profissionais.
Atualizado em 07/03/2014 às 14:03, por
Alana Rodrigues*.
Por um lado, a atuação gera debate em torno da falta do vínculo empregatício, por outro discute a disponibilidade da informação, veiculada sem vestígios de interesses de terceiros. Apesar da ponderação de ambos os lados, o atual cenário das redações indica o jornalismo "independente" como uma possibilidade do ofício e também como tendência.
Crédito:Arquivo pessoal Rodrigo Capelo diz que desafio é ajustar as finanças pessoais
Caminho da independência
Rodrigo Capelo, editor na Máquina do Esporte e freelancer na GQ Brasil , explica que um dos seus maiores desafios foi ajustar as finanças pessoais ao modo como funcionam as empresas que contratam freelancers. “Há grandes grupos de mídia que levam de dois a três meses para pagar por um trabalho por questões burocráticas. Precisei engatar uma sequência de trabalhos em diferentes veículos para, depois de alguns meses, conseguir uma renda mensal mais previsível.”, diz.
Para ele, também é um desafio pensar em conteúdo para diferentes editores, de distintos veículos, públicos e linhas editoriais. “É necessária uma capacidade de se adaptar maior do que a comum. Quanto conciliar com um trabalho fixo, é relativamente fácil se o freela puder ser feito à distância. Basta organizar bem o tempo e ter uma relação clara e honesta com o principal empregador”, esclarece.
Crédito:Arquivo pessoal
Lilian Crepaldi optou por freelas para investir na carreira acadêmica Lilian Crepaldi, jornalista, professora universitária e doutoranda em Comunicação, atua como freelancer há nove anos para poder conciliar a carreira acadêmica e o doutorado. Ela trabalha para revistas e sites na área de cultura, turismo e relações internacionais. De acordo com a profissional, uma desvantagem pode ser a ausência de organização e estabilidade. “Se o jornalista não organiza bem suas tarefas, fica difícil cumprir prazos sem a pressão de um chefe ao vivo”, explica.
Luciana Fadon, que atua em diversas áreas no setor da comunicação, também aponta a instabilidade que os freelas proporcionam. “Não que em redação haja muita de qualquer maneira, já que nem sempre há trabalho e o pagamento muitas vezes pode demorar meses para vir”, diz.
Corrida para o destaque
Rodrigo ressalta que na área de esportes e negócios o cenário no mercado de trabalho é esperançoso no sentido da proximidade da Copa do Mundo, o que deverá se desfazer após o evento. Alguns veículos que não investiam em conteúdo esportivo passaram a contratar freelancers, conta ele. “Isso gerou alguns bons trabalhos, que tendem a aumentar à medida que a Copa chegar e acabar logo depois que ela terminar”.
Crédito:Arquivo pessoal
Luciana Fadon destaca a instabilidade dos freelas O trabalho “independente” como complemento de renda, mesmo entre os profissionais que possuem um trabalho fixo, é uma alternativa. Segundo Capelo, o atalho é buscar veículos de interesse e possíveis contatos, além de deixar sugestões de pauta. “O processo não é tão rápido quanto gostaríamos, levam semanas ou meses e dezenas de ‘nãos’ para conseguir um ‘sim’, mas ele vem, com alguma persistência”, ressalta.
Além disso, ele relata que é possível conseguir uma remuneração maior do que um trabalho fixo, mas pode ser que um mês não tenha o retorno esperado. “Este modo de trabalhar tem mais risco, para o bem e para o mal”, completa.
Luciana acredita que o trabalho possibilita a condução da atividade para um foco ou assunto com interesse do próprio profissional, além de poder optar por horário e local de trabalho. "Claro que isso nem sempre é possível, mas tenho mais essa liberdade e flexibilidade", acentua.
De acordo com Lilian, a vantagem de ser freelancer é a liberdade para escolher as pautas, além de poder trabalhar de casa, sem as pressões de uma redação. Em termos de salário, explica ela, apesar de muitas empresas grandes não cumprirem os valores estabelecidos pelos sindicatos, também pode ser interessante. “O mercado de trabalho é promissor para freelas, já que a maioria das redações prefere trabalhar com pessoas jurídicas para economizar”, explica.
Para a jornalista, uma boa proposta de pauta, bons contatos no mercado, características do texto e do modo de trabalhar - o que inclui cumprimento de prazos e texto sem erros - são bons caminhos para conseguir se destacar.
* Com supervisão de Vanessa Gonçalves.





