Profissionais falam da importância da pós-graduação no dia a dia do jornalista
Volta e meia recai o pensamento de que é preciso impulsionar a carreira com novos recursos. A pós-graduação parece ser um atalho para reciclar o conhecimento, se dedicar a uma determinada área e ate galgar outros cargos.
Atualizado em 07/02/2014 às 16:02, por
Jéssica Oliveira, Alana Rodrigues* e Lucas Carvalho*.
Mas ainda há a duvida se uma especialização de fato vai cooperar no desenvolvimento do trabalho nas redações.
Crédito:SXC Jornalista precisam pensar bem antes de decidir pela pós-graduação
Pensando nisso, IMPRENSA ouviu editores de áreas e veículos distintos para saber qual a importância da pós-graduação na hora da contratação e no dia a dia da profissão; repórteres recém-formados para entender quais as dúvidas e listou algumas opções de cursos para quem busca escrever melhor, ver a profissão de outros ângulos ou mergulhar em uma editoria.
O peso da experiência Vicente Nunes, editor do caderno de 'Economia" do Correio Braziliense, acredita que a pós-graduação não é tudo. “Não é o supra sumo para o jornalista”, diz. Ele acredita que quanto mais o profissional se aprimorar e agregar conteúdo ao currículo, melhor. Mas se dedicar unicamente aos estudos pode ser um erro. “Não tem outra. Em jornalismo, você pode estudar, fazer pós-graduação, mestrado, o que for, mas onde você aprende de verdade é no dia a dia da profissão, é trabalhando”. Na opinião dele, "o problema é ficar muito tempo na universidade e perder o timing de entrar em redação, completa.
Ter experiência na área é um ponto altamente valorizado por diversos veículos, mas uma especialização não é descartada. É o que confirma Plínio Bortolotti, jornalista, diretor institucional do grupo O Povo e responsável pelo projeto “Novos talentos” para estudantes de jornalismo. “Um não está acima do outro. É uma mistura dessas duas coisas que faz um bom jornalista. Quanto mais conhecimento teórico ele tiver, melhor para a prática. E vice-versa”, diz.
Para Mariana Procópio, chefe de redação da Bandnews FM do Rio de Janeiro, tudo depende de que área o jornalista quer seguir, pelo menos no rádio. “Se eu estiver contratando alguém pra uma função administrativa, como um gerente, uma pós vai pesar mais. Mas se for pra execução, para o dia a dia da redação, conta mais quem tem mais experiência, com certeza”, explica.
Apesar de agregarem ao currículo de maneiras diferentes, a pós ou a experiência podem não ser o ponto a mais para o profissional se destacar. "O diferencial que eu vejo de repórter é o seguinte: é o repórter que tem gana, é o cara que tem feeling para notícia, que não tem preguiça, que que tá comprometido; isso independe do cara ter pós ou não", observa Nunes, do Correio Braziliense .
Crédito:Arquivo Pessoal
Gustavo Zucchi
O impasse na pele Gustavo Zucchi está formado há dois anos. Repórter de esportes de O Estado de S. Paulo , ele conta que está na dúvida se vale a pena investir na especialização. "Em outras áreas de atuação a pós-graduação parece um caminho natural a ser seguido: você entrou em uma profissão e agora busca uma especialização. Mas olhando para as tendências de redação você se questiona: vale a pena investir não apenas dinheiro, mas essencialmente tempo dentro de uma sala de aula?", relata.
Ele acredita que, às vezes, a experiência profissional influencia mais, principalmente no início da carreira. Para ele, se dedicar a um blog ou cobrir um assunto aos olhos de quem esta começando, pode ser mais determinante. "O ambiente criado para este tipo de formação, em especial os voltados para jornalismo, parece muito mais pré-disposto a criar profissionais que acabarão no ambiente acadêmico do que fornecer realmente um diferencial para escrever uma reportagem, por exemplo.
Zucchi avalia que procurar um curso de pós-graduação não ligada ao jornalismo, como Relações Internacionais, possa ser um diferencial. "Um curso em Jornalismo Esportivo parece que pouco acrescentará ao que eu poderia aprender na rotina de trabalho. Talvez o trunfo fosse o contato com os professores e outros jornalistas que buscam a área, mas apenas isso", observa.
Pós para escrever melhor
Além dos cursos focados em uma área de cobertura dentro do jornalismo e os que dialogam com outra carreira, há outra opção: um curso para aperfeiçoar e dominar a arte da escrita, explorando recursos do jornalismo literário, na hora de contar histórias da vida real.
"70% do público que procura o curso é formada de jornalistas. O restante vem de letras, história, ciências sociais... Mas já tivemos psicólogos, educadores, um padre, uma freira e até um físico quântico", afirma o escritor, jornalista e professor Edvaldo Pereira Lima, diretor pedagógico da . "O curso não tem restrição de área, basta ter gosto por escrever e vontade de contar boas histórias da vida real, com profundidade, estilo e qualidade", acrescenta.
O curso inicia sua décima turma em 2014. A grade inclui aulas de história e conceitos, fundamentos narrativos, perfis, biografias, narrativas de viagem, estrutura narrativa mítica e livro-reportagem, entre outras. Há turmas em São Paulo e Curitiba, com aulas presenciais e quinzenais.
Após oferecer um curso de criação de obras de ficção, o Instituto Vera Cruz iniciou uma turma específica para , já que sempre teve como público frequente profissionais de imprensa. O objetivo e formar um profissional da escrita para transitar pelos diversos gêneros do âmbito literário. Ferramentas além da redação
Em novembro de 2013, a Escola Superior de Propaganda e Marketing do Rio de Janeiro (ESPM-RJ) lançou uma em parceria com a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji).
O curso pretende levar os estudantes à análise do mercado e aprender técnicas necessárias para apurações complexas. Entre outros pontos, as aulas incluem aprendizagem de proteção, tanto individual quanto da fonte, debate sobre a estrutura dos meios e quais as tendências do mercado; estatística e cobertura em diferentes mídias, além de aprofundar os sistemas de informação.
“São competências que, geralmente, não são ensinadas tradicionalmente em redações. Pensamos em montar uma pós que dê isso e ensine ferramentas que vão além do básico", afirmou à IMPRENSA Leonardo Mancini, chefe do departamento de jornalismo da ESPM-RJ, após o anúncio.
Para mergulhar numa área ou na profissão: - (São Paulo) O curso tem o objetivo de capacitar o aluno para cobertura jornalística da área de esportes em jornais, revistas, rádio, televisão, internet e comunicação corporativa. No programa, estão incluídos os setores de administração esportiva, ciências do esporte, crítica da mídia, edição de reportagem e esporte e cultura. Detalhes:
- (São Paulo)
Visa capacitar o profissional para redigir sobre temas relacionados à cultura, nos diferentes formatos e plataformas, tanto na perspectiva da crítica da produção artística, quanto na orientação do consumo dos bens culturais, em mídia especializada ou na concepção de novos veículos. Detalhes, no .
- (Pernambuco)
Aprimorar a formação dos profissionais de comunicação e áreas afins para o sistema da moda atual e a consequente “leitura” dos seus códigos e fenômenos para a atuação em mídia impressa e eletrônica, tanto na veiculação em empresas de comunicação consolidadas no mercado quanto na capacidade de desenvolver novos produtos midiáticos. Detalhes, no .
- (São Paulo) O objetivo é proporcionar um panorama das principais tendências e ferramentas do jornalismo contemporâneo a partir de novos paradigmas tecnológicos. Há aulas teóricas e práticas de jornalismo especializado, jornalismo digital e comunicação empresarial. São quatro 416 horas/aula sendo: 384 horas/aula presenciais e 32 horas/aula à distância. Detalhes, no .
- (São Paulo) A ideia é oferecer formação conceitual e prática sobre comunicação jornalística e edição de conteúdo. A grade curricular tem, por exemplo, novas teorias da comunicação; jornalismo básico: da notícia à reportagem; estilos de redação e edição; jornalismo especializado: conteúdo x público e assessoria de imprensa. Detalhes, no .
* Com supervisão de Vanessa Gonçalves
Sobre o especial De segunda-feira (3/2) até sexta (7/2), IMPRENSA apresenta um especial para futuros estudantes de jornalismo, alunos e recém-formados. A série está dividida em cinco partes: , , , e o papel da pós-graduação na profissão. Ouvimos alunos, professores, recrutadores e profissionais de mercado do Brasil inteiro. A primeira pode ser lida , a segunda , a terceira , a quarta .
Crédito:SXC Jornalista precisam pensar bem antes de decidir pela pós-graduação
Pensando nisso, IMPRENSA ouviu editores de áreas e veículos distintos para saber qual a importância da pós-graduação na hora da contratação e no dia a dia da profissão; repórteres recém-formados para entender quais as dúvidas e listou algumas opções de cursos para quem busca escrever melhor, ver a profissão de outros ângulos ou mergulhar em uma editoria.
O peso da experiência Vicente Nunes, editor do caderno de 'Economia" do Correio Braziliense, acredita que a pós-graduação não é tudo. “Não é o supra sumo para o jornalista”, diz. Ele acredita que quanto mais o profissional se aprimorar e agregar conteúdo ao currículo, melhor. Mas se dedicar unicamente aos estudos pode ser um erro. “Não tem outra. Em jornalismo, você pode estudar, fazer pós-graduação, mestrado, o que for, mas onde você aprende de verdade é no dia a dia da profissão, é trabalhando”. Na opinião dele, "o problema é ficar muito tempo na universidade e perder o timing de entrar em redação, completa.
Ter experiência na área é um ponto altamente valorizado por diversos veículos, mas uma especialização não é descartada. É o que confirma Plínio Bortolotti, jornalista, diretor institucional do grupo O Povo e responsável pelo projeto “Novos talentos” para estudantes de jornalismo. “Um não está acima do outro. É uma mistura dessas duas coisas que faz um bom jornalista. Quanto mais conhecimento teórico ele tiver, melhor para a prática. E vice-versa”, diz.
Para Mariana Procópio, chefe de redação da Bandnews FM do Rio de Janeiro, tudo depende de que área o jornalista quer seguir, pelo menos no rádio. “Se eu estiver contratando alguém pra uma função administrativa, como um gerente, uma pós vai pesar mais. Mas se for pra execução, para o dia a dia da redação, conta mais quem tem mais experiência, com certeza”, explica.
Apesar de agregarem ao currículo de maneiras diferentes, a pós ou a experiência podem não ser o ponto a mais para o profissional se destacar. "O diferencial que eu vejo de repórter é o seguinte: é o repórter que tem gana, é o cara que tem feeling para notícia, que não tem preguiça, que que tá comprometido; isso independe do cara ter pós ou não", observa Nunes, do Correio Braziliense .
Crédito:Arquivo Pessoal
Gustavo Zucchi O impasse na pele Gustavo Zucchi está formado há dois anos. Repórter de esportes de O Estado de S. Paulo , ele conta que está na dúvida se vale a pena investir na especialização. "Em outras áreas de atuação a pós-graduação parece um caminho natural a ser seguido: você entrou em uma profissão e agora busca uma especialização. Mas olhando para as tendências de redação você se questiona: vale a pena investir não apenas dinheiro, mas essencialmente tempo dentro de uma sala de aula?", relata.
Ele acredita que, às vezes, a experiência profissional influencia mais, principalmente no início da carreira. Para ele, se dedicar a um blog ou cobrir um assunto aos olhos de quem esta começando, pode ser mais determinante. "O ambiente criado para este tipo de formação, em especial os voltados para jornalismo, parece muito mais pré-disposto a criar profissionais que acabarão no ambiente acadêmico do que fornecer realmente um diferencial para escrever uma reportagem, por exemplo.
Zucchi avalia que procurar um curso de pós-graduação não ligada ao jornalismo, como Relações Internacionais, possa ser um diferencial. "Um curso em Jornalismo Esportivo parece que pouco acrescentará ao que eu poderia aprender na rotina de trabalho. Talvez o trunfo fosse o contato com os professores e outros jornalistas que buscam a área, mas apenas isso", observa.
Pós para escrever melhor
Além dos cursos focados em uma área de cobertura dentro do jornalismo e os que dialogam com outra carreira, há outra opção: um curso para aperfeiçoar e dominar a arte da escrita, explorando recursos do jornalismo literário, na hora de contar histórias da vida real.
"70% do público que procura o curso é formada de jornalistas. O restante vem de letras, história, ciências sociais... Mas já tivemos psicólogos, educadores, um padre, uma freira e até um físico quântico", afirma o escritor, jornalista e professor Edvaldo Pereira Lima, diretor pedagógico da . "O curso não tem restrição de área, basta ter gosto por escrever e vontade de contar boas histórias da vida real, com profundidade, estilo e qualidade", acrescenta.
O curso inicia sua décima turma em 2014. A grade inclui aulas de história e conceitos, fundamentos narrativos, perfis, biografias, narrativas de viagem, estrutura narrativa mítica e livro-reportagem, entre outras. Há turmas em São Paulo e Curitiba, com aulas presenciais e quinzenais.
Após oferecer um curso de criação de obras de ficção, o Instituto Vera Cruz iniciou uma turma específica para , já que sempre teve como público frequente profissionais de imprensa. O objetivo e formar um profissional da escrita para transitar pelos diversos gêneros do âmbito literário. Ferramentas além da redação
Em novembro de 2013, a Escola Superior de Propaganda e Marketing do Rio de Janeiro (ESPM-RJ) lançou uma em parceria com a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji).
O curso pretende levar os estudantes à análise do mercado e aprender técnicas necessárias para apurações complexas. Entre outros pontos, as aulas incluem aprendizagem de proteção, tanto individual quanto da fonte, debate sobre a estrutura dos meios e quais as tendências do mercado; estatística e cobertura em diferentes mídias, além de aprofundar os sistemas de informação.
“São competências que, geralmente, não são ensinadas tradicionalmente em redações. Pensamos em montar uma pós que dê isso e ensine ferramentas que vão além do básico", afirmou à IMPRENSA Leonardo Mancini, chefe do departamento de jornalismo da ESPM-RJ, após o anúncio.
Para mergulhar numa área ou na profissão: - (São Paulo) O curso tem o objetivo de capacitar o aluno para cobertura jornalística da área de esportes em jornais, revistas, rádio, televisão, internet e comunicação corporativa. No programa, estão incluídos os setores de administração esportiva, ciências do esporte, crítica da mídia, edição de reportagem e esporte e cultura. Detalhes:
- (São Paulo)
Visa capacitar o profissional para redigir sobre temas relacionados à cultura, nos diferentes formatos e plataformas, tanto na perspectiva da crítica da produção artística, quanto na orientação do consumo dos bens culturais, em mídia especializada ou na concepção de novos veículos. Detalhes, no .
- (Pernambuco)
Aprimorar a formação dos profissionais de comunicação e áreas afins para o sistema da moda atual e a consequente “leitura” dos seus códigos e fenômenos para a atuação em mídia impressa e eletrônica, tanto na veiculação em empresas de comunicação consolidadas no mercado quanto na capacidade de desenvolver novos produtos midiáticos. Detalhes, no .
- (São Paulo) O objetivo é proporcionar um panorama das principais tendências e ferramentas do jornalismo contemporâneo a partir de novos paradigmas tecnológicos. Há aulas teóricas e práticas de jornalismo especializado, jornalismo digital e comunicação empresarial. São quatro 416 horas/aula sendo: 384 horas/aula presenciais e 32 horas/aula à distância. Detalhes, no .
- (São Paulo) A ideia é oferecer formação conceitual e prática sobre comunicação jornalística e edição de conteúdo. A grade curricular tem, por exemplo, novas teorias da comunicação; jornalismo básico: da notícia à reportagem; estilos de redação e edição; jornalismo especializado: conteúdo x público e assessoria de imprensa. Detalhes, no .
* Com supervisão de Vanessa Gonçalves
Sobre o especial De segunda-feira (3/2) até sexta (7/2), IMPRENSA apresenta um especial para futuros estudantes de jornalismo, alunos e recém-formados. A série está dividida em cinco partes: , , , e o papel da pós-graduação na profissão. Ouvimos alunos, professores, recrutadores e profissionais de mercado do Brasil inteiro. A primeira pode ser lida , a segunda , a terceira , a quarta .






