Profissionais de imprensa são agredidos em Manaus após pronunciamento de vice-governador

Quatro profissionais da imprensa de Manaus (AM) registraram boletim de ocorrência após serem agredidos por Michele Welche Silva Lobo, sargento da Polícia Militar do Amazonas.

Atualizado em 05/11/2020 às 17:11, por Redação Portal IMPRENSA.

A agressão ocorreu no dia 28 de outubro, após pronunciamento do vice-governador do Amazonas, Carlos Almeida Filho (PTB). A sargento faz parte da equipe de segurança do político.
Segundo reportagem da agência de notícias Amazônia Real, os profissionais agredidos foram Rosiene Carvalho, repórter da rádio Band News e correspondente do UOL; Jullie Pereira, repórter e apresentadora do site Amazonas Atual; Cynthia Blink, repórter da Rádio Mix e portal O Amazonês; e Adriano Santos, fotojornalista do portal Manaós.
O pronunciamento de Caldeira Filho foi anunciado à imprensa como uma coletiva com o objetivo de esclarecer a suposta participação do político em esquema de compra superfaturada de respiradores para tratamento de pacientes com covid-19 nos hospitais do Amazonas. Porém, em vez de responder as perguntas dos jornalistas, Caldeira Filho leu um pronunciamento por 15 minutos. Crédito:Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Amazonas
Descontente com a falta de liberdade para fazer perguntas, a jornalista Rosiene Carvalho afirmou após o pronunciamento que “quando um jornalista é impedido de perguntar, todos são agredidos”. A fala irritou a equipe do vive-governador. Em imagens gravadas por celulares é possível ver a sargento Michele empurrando Rosiene e entrando em atrito com as jornalistas Jullie Pereira e Cynthia Blink. Por sua vez, o fotojornalista Adriano dos Santos, que gravava a cena, foi empurrado e impedido de registrar o rosto da policial militar.
À Amazônia Real, Rosiene reclamou que a sargento da PM "não estava preparada para exercer a segurança de uma autoridade pública". “Não podemos normalizar as agressões contra jornalistas, nem em Manaus e nem em lugar nenhum”, disse Rosiene, que já foi repórter de política do jornal A Crítica.
Tendo ingressado na política após ganhar popularidade como defensor público do Estado do Amazonas, Carlos Almeida Filho é investigado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal no Amazonas (MPF-AM) por suspeita de envolvimento na compra de respiradores superfaturados.