Profissionais da imprensa sofrem repressão policial durante cobertura jornalística no Panamá

Em menos de dois meses, dois profissionais da imprensa foram agredidos por agentes da Polícia Nacional do Panamá

Atualizado em 23/12/2020 às 09:12, por Redação Portal IMPRENSA.

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O fotojornalista da Agência EFE de Notícias, Bienvenido Velasco, foi agredido por policiais quando fazia a cobertura de um protesto, na última quarta-feira (16), nas proximidades da Praça 5 de Mayo, onde foram presos 27 jovens, incluindo 4 menores.

A informação foi confirmada pelo jornal La Estrella de Panamá em uma conversa telefônica que teve com o jornalista.
“Mais uma vez, a Polícia Nacional mostra abuso de autoridade e péssimo desempenho profissional perante o exercício do direito de protesto do cidadão. Além disso, ataca um jornalista durante seu trabalho na cobertura do protesto”, disse Eduardo Quirós, advogado e presidente do Grupo Editorial El Siglo & The Star (GESE).

Quirós lamentou os reiterados abusos policiais contra jornalistas: “Os atentados contra o jornalista Bienvenido Velasco, da Agência EFE, demonstram um padrão de comportamento diante da cobertura jornalística que exige firmeza e exemplares investigações e sanções”, alerta o presidente da Gese.

A Associação Interamericana de Imprensa (SIP) fez eco à mensagem do presidente do Grupo Gese.
Crédito:Roberto Barrios - La estrella de Panamá

Jornalista preso Em 29 de outubro de 2020, o jornalista da La Estrella de Panamá, Juan Alberto Cajar, foi preso enquanto cobria, devidamente identificado, um protesto convocado por grupos da sociedade civil.

Segundo o jornal, a Polícia Nacional, que inicialmente assegurou que Cajar não foi identificado, foi forçada a pedir desculpa e desistir das acusações impostas ao jornalista, depois que vídeos da imprensa confirmarem que o comunicador sempre manteve a sua credencial à vista.

Nessa altura, a instituição comprometeu-se a garantir a livre e integral atuação do jornalista em território nacional, nos termos da Constituição e das leis.

Por sua vez, a Associação Nacional de Jornalistas do Panamá (CONAPE) repudiou o atentado contra Velasco e pediu explicações à polícia sobre o ocorrido.

O Sindicato dos Jornalistas do Panamá também se pronunciou e descreveu o ocorrido como uma violação da liberdade de expressão.

“No momento em que justificamos os excessos, a violação de direitos e liberdades, nesse momento é que a democracia e as instituições democráticas estão em perigo. Protestos, manifestações e dissidências fazem parte da democracia”, frisou o sindicato.