Produtoras independentes focam no mercado externo de audiovisual

Produtoras independentes focam no mercado externo de audiovisual

Atualizado em 04/06/2009 às 18:06, por Luiz Gustavo Pacete/Redação Revista IMPRENSA.

Por

De 03 a 05 de junho, acontece, em São Paulo (SP), o "10º Fórum Brasil Mercado Internacional de Televisão". O evento reúne canais de TV por assinatura, produtores, distribuidores, compradores internacionais e profissionais do mercado, e acontece em um momento em que o Brasil comemora a força que vem ganhando no mercado internacional.
De acordo com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (APEX), três grandes projetos estão ativos e juntos somam cerca de US$ 9,8 mi em investimentos e incluem cinema, seriados, animações, documentários e formatos jornalísticos.

Para o presidente do Fórum, André Mermelstein, o país vem mudando sua imagem no exterior. "O Brasil está conseguindo mudar sua imagem no cenário internacional. Até agora, exportávamos somente novelas, mas a própria empresa líder (referindo-se à Rede Globo) se esforça em mostrar que oferece outros formatos".

A Associação Brasileira de Produtoras Independentes de Televisão (ABPI-TV) tem trabalhado na colocação de muitas produtoras nacionais no mercado internacional , através da realização de eventos com o objetivo de trazer profissionais do mercado externo.

Divulgação
Patrícia Travassos
Entre as empresas que estão despontando neste mercado está a Touareg Conteúdo, fundada há dois anos e meio, que tem por atividade principal a produção de formatos jornalísticos. Agora, a empresa envia profissionais para eventos internacionais com o objetivo de investir em formatos para exportação.

Patrícia Travassos, coordenadora do departamento de documentários e novos projetos para TV da Touareg, esteve em Cannes para acompanhar as tendências do mercado internacional. Acompanhe a entrevista que ela concedeu ao Portal IMPRENSA.

Portal IMPRENSA - Você esteve em Cannes neste ano. O que pode perceber em termos de tendências?
Patricia Travassos -
Eu representei a Touareg no MipTV, em Cannes, com a intenção de observar as tendências do mercado audiovisual internacional. É evidente no mundo todo uma expansão acelerada de novas mídias e a integração delas com a televisão. Para quem produz conteúdo, é preciso ter em mente as plataformas 360º para qualquer novo projeto. Não se trata mais de usar a internet ou o celular como acessórios de comunicação. Essas mídias servem inclusive como ferramentas para testar novos formatos, potencializar o alcance do conteúdo, desenvolver interatividade e conquistar o público ainda durante o processo de criação e produção do projeto. No caso de documentários ou programas de TV, por exemplo, antes da finalização do filme ou da exibição de episódios é possível medir o interesse, as expectativas do público e prever até o sucesso do projeto.

Portal IMPRENSA - Atualmente, a Touareg tem planos de exportar modelos no formato jornalístico?
Patricia Travassos -
Programas jornalísticos representam a especialidade da Touareg. A agência é formada por profissionais com longa experiência em telejornalismo e na realização de coberturas especiais. O mercado externo exige, no entanto, algumas adaptações de formato e conteúdo em relação ao que é exibido no Brasil.

Portal IMPRENSA - A agência ainda não exporta, mas quais os formatos que vocês produzem que possuem potencial para o mercado externo?
Patricia Travassos -
Eu tenho percebido que o mercado externo tem muito interesse em descobrir ângulos pouco explorados do Brasil. É preciso humanizar as belas paisagens brasileiras com histórias de vida interessantes. E isto é o que nós pesquisamos e transformamos em projetos de documentários e séries de TV.

Portal IMPRENSA - Qual a imagem do produto audiovisual brasileiro no exterior?
Patricia Travassos -
É vista, no exterior, como sinônimo de criatividade - uma imagem moldada principalmente pela publicidade. O cinema agregou outros bons adjetivos à nossa reputação lá fora. Acho que hoje, dizer que somos produtores independentes brasileiros sugere qualidade.

Portal IMPRENSA - O que muda em uma produção feita para o estrangeiro, isso altera muito o formato pré-produção? Ou existe a possibilidade de padronização de um formato?

Patricia Travassos - Depende do seu alvo no mercado externo. Lá fora, existe espaço para produções autorais, mais artísticas, assim como há demanda para projetos de conteúdo mais padronizado. A escolha é do produtor sobre o caminho a seguir.