Procurador quer apurar caso de cinegrafista ferido sem equipamento de proteção
O procurador João Batista Berthier, coordenador do Ministério Público do Trabalho (MPT) no Rio de Janeiro, disse que apresentará uma investigação preliminar ao órgão sobre o caso do cinegrafista da TV Bandeirantes, Santiago Ilídio Andrade, de 49 anos, atingido por um rojão durante uma manifestação popular; o profissional teve morte cerebral diagnosticada nesta segunda-feira (10/2).
Atualizado em 10/02/2014 às 15:02, por
Redação Portal IMPRENSA.
Crédito:Reprodução Procurador vai investigar porque profissional não usava equipamentos de segurança
Segundo Agência Brasil, a investigação analisará os procedimentos adotados pelos meios de comunicação para minimizar a exposição de seus profissionais aos riscos durante a cobertura de protestos e conflitos. O procurador afirmou que antes de abrir processo, será necessário entender o que aconteceu.
“No jornalismo, a questão é como o Estado deve proteger os trabalhadores sem inibir a liberdade de imprensa. O jornalismo é uma atividade que, em muitas situações, implica algum risco aos profissionais, e não dá simplesmente para impedir os jornalistas de acompanhar ações e fatos em que haja esse risco. Só que o Estado tem o dever de tutelar o trabalhador, e é fundamental reduzir os riscos da profissão”.
Com as manifestações terminando em violência, Berthier acredita que este é o momento em que todos devem tomar medidas preventivas para garantir a segurança dos profissionais de jornalismo. “Essa é uma questão que deve ser discutida. As manifestações têm terminado de forma violenta e, por isso, acho que é hora de todos tomarem adotarem medidas preventivas. Acho que é preciso apostar no uso de equipamentos de proteção individual ao menor sinal de perigo, como, por exemplo, o arremesso de pedras”.
De acordo com João Paulo Charleaux, coordenador de comunicação da organização não governamental Conectas e responsável pelo curso sobre jornalismo em situações de conflito armado, as redações e as empresas de comunicação devem saber que “tais situações envolvem risco de morte, à integridade física, emocional e psicológico”. Ele também afirma que a responsabilidade de uma empresa jornalística não é diferente de uma do setor da construção civil.
“Os profissionais que trabalham em situações que envolvem risco devem ter equipamento de proteção individual e treinamento sobre o manejo do equipamento, sobre os riscos e sobre o que fazer quando o pior acontece. No Brasil, ainda não há essa cultura de preparar os profissionais para cobrir situações de violência e muito menos para a compra e uso de material de proteção individual”.
Para o jornalista, há pontos positivos e negativos com a questão. “Contraditoriamente, isso não é uma conquista, e sim um retrocesso do ponto de vista da segurança pública, pois significa que a situação está mais violenta. Ainda assim, é um avanço que os profissionais da comunicação estejam mais alertas e se protejam. Ainda assim, é assustadora a recorrência de situações em que profissionais de comunicação feridos [enquanto trabalhavam] não usavam equipamentos”.





