Primeiros conversores lembram aparelhos de videocassete
Primeiros conversores lembram aparelhos de videocassete
Dia 3 de dezembro: a primeira segunda-feira em que a TV Digital estava disponível para os paulistanos. A propaganda foi grande e a curiosidade foi maior ainda. Entretanto, a ampliação da qualidade de imagem e som só seria possível com a aquisição do chamado conversor digital.
Eles são grandes e se assemelham aos aparelhos VHS que existiam antes do DVD, seus controles remotos lembram os que eram usados para mudar o canal dos televisores mais antigos e suas entradas para fios são inúmeras. Variam de marca e, algumas vezes, de tamanho. No entanto, o que não se modifica é o preço: entre R$ 800 e R$ 1 mil.
A região da Santa Efigênia, localizada no centro de São Paulo, é conhecida por vender os mais variados produtos de informática e eletrônica por um preço mais acessível do que as lojas convencionais. Ainda assim, os vendedores garantem que os preços são tabelados e que os conversores mais baratos não têm todos os recursos de qualidade. "Tem conversor de R$500 por aí, mas eles não têm entrada HDMI", afirma Jesse Rodrigues Sodré, vendedor da Solução Network, ao se referir à entrada que possibilita 100% de qualidade de imagem e som, com a utilização de apenas um cabo conectado ao televisor.
Sodré tem conversores à venda há duas semanas e garante que, dos cinco aparelhos que receberam, três foram vendidos. "A procura é grande, de dez a quinze pessoas por dia", declara o vendedor. O conversor da Solução Network é da marca Zinwell e custa R$1050, o mais caro da região. Sodré declara que um dos clientes que adquiriu o aparelho deu retorno e afirmou que a melhora "foi absurda".
As outras lojas que disponibilizam o aparelho na Santa Efigênia contam com as marcas SempToshiba, a R$890 e Positivo, aparelho um pouco mais leve e menor do que os demais, a R$ 899. Oliveira, gerente de vendas da Akitem Eletrônicos, afirma que os preços irão baixar dentro de alguns meses. "Em abril do ano que vem, os conversores estarão mais baratos. Hoje em dia, a procura já é grande, quase trinta pessoas por dia aqui na loja, e acho que isso fará com que os preços caiam". Apesar da procura, Oliveira declara que só vendeu um aparelho. "No sábado (1/12), um dia antes do início da transmissão digital".
Na mesma segunda-feira, o vice-presidente da República, José Alencar, recomendou que os consumidores boicotassem a compra de conversores, para que os preços abaixassem naturalmente. Questionado sobre o assunto, Azemar Pereira Machado, vendedor de O Mundo da Segurança, acredita que não dará certo. "As pessoas vão comprar mesmo assim, porque querem novidade, tecnologia. Ninguém deseja ficar pra trás". Já Alexandre Gomes, gerente da Unitrotec, acredita que a procura não passa de curiosidade. "Não é muita gente que vem pra comprar. Recebemos conversores hoje e não acredito que a venda será intensa. Venderemos poucos ou nenhum, só irá melhorar quando os preços caírem, em março do ano que vem".
Os conversores digitais à venda não oferecem interatividade, apenas melhora no som e na imagem de cada televisor. Nas galerias do centro, eles ainda não estão disponíveis e não há prazo para o recebimento dos aparelhos. Mesmo com a afirmação de alta procura, os vendedores e gerentes das poucas lojas que comercializam o conversor afirmam que não conhecem nenhuma pessoa que tenha adquirido o aparelho. "Tirando o cliente, eu não conheço ninguém", finaliza Sodré.






