“Pretendo ser bem eclética”, diz dramaturga que lançou blog sobre morte na "Folha"
"Morte Sem Tabu" estreou no último dia 16 no site da Folha
"A morte é o próximo tabu a ser quebrado na nossa sociedade depois do sexo". A declaração da atriz Odete Lara despertou o interesse da dramaturga Camila Appel, que lançou no último dia 16 o blog " , no jornal Folha de S.Paulo .
"Eu sempre me interessei por obituários, no sentido de entender a trajetória da vida das pessoas. Conhecer o mistério de como elas chegaram de A a B e depois a C. Esse interesse acabou expandindo para a curiosidade pelo tema envelhecimento e morte, pouco explorados na nossa sociedade", explica Camila.
A dramaturga relata que a maternidade a fez valorizar a vida como nunca havia imaginado e, consequentemente, começou a refletir mais sobre as questões da morte. “Os sentimentos e as vontades foram conversando até que surgiu a ideia do blog”, diz.
Nas primeiras semanas, Camila já apresentou ao leitor o cardápio que o blog oferecerá ao longo das publicações. Desde visitas turísticas a cemitérios históricos até novas alternativas sobre enterrar e cremar integram as páginas da publicação. A blogueira também discorrerá sobre os bastidores da vida social e abordará a astrologia e morte. "Pretendo ser bem eclética", afirma.
As inspirações de Camila são baseadas em teorias e acontecimentos atuais que servem de apoio para discussões, como o caso da americana Brittany Maynard, 29, que optou pelo suicídio assistido para encerrar a vida após ser diagnosticada com câncer no cérebro em janeiro deste ano.
“Todas as esferas do pensamento humano se comunicam com a morte, então busco pontos de vistas e teorias que têm algo a agregar, como a filosofia, antropologia, psicologia e medicina”, pondera.
Na Imprensa
Camila diz que é raro ver discussões na imprensa sobre a morte. Para ela, a mídia poderia abordar o tema do envelhecer e do fim da vida como algo natural.
Retratar as burocracias relacionadas à morte, como testamento, enterro e sobre os direitos que temos de escolher como devemos morrer são alguns dos assuntos que podem pautar os veículos de comunicação, aponta a blogueira.
"Alguns acreditam que falar de morte é, de alguma forma, atraí-la, mas essa é uma sensação absolutamente cultural. A imprensa também pode relatar casos e apontar para problemas jurídicos ou a falta de estruturas jurídicas que ajudem o homem a morrer melhor", opina.
Camila diz que os leitores recepcionaram o novo blog de forma muito positiva e a escrevem, inclusive, para relatar suas experiências com o tema. "Essas mensagens me mostram que estou no caminho certo e me motivam a seguir", acrescenta.
* Com supervisão de Vanessa Gonçalves.
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