Presidente francês rebate jornalista sobre suposto desdém aos pobres

Hollande nega que tenha feito qualquer brincadeira com relação aos pobres. Em livro, jornalista disse que ele os chamava de “desdentados”.

Atualizado em 10/09/2014 às 17:09, por Redação Portal IMPRENSA.

O presidente francês François Hollande falou pela primeira vez sobre as acusações de sua ex-mulher, a jornalista Valérie Trierweiler, no polêmico livro que retrata os momentos que ela viveu ao lado dele. Nesta quarta-feira (10/9), o líder socialista chamou de mentirosa as declarações sobre o desdém dele aos pobres.
Crédito:Agência Brasil Hollande negou as declarações de Valérie Trierweiler em livro de memórias
Segundo EFE, Trierweiler conta que reservadamente o oficial de Estado francês teria chamado em diversas oportunidades tais classes de “desdentadas”. "Não quero que se possa dizer ou escrever que brinco com a dor social porque é uma mentira que me dói", disse Hollande à Le Nouvel Observateur .
O livro de memórias da ex-primeira-dama francesa contém diversos tópicos que podem atrapalhar a imagem pública do presidente. Entre eles, está uma certa arrogância com relação aos pobres, com a utilização de termos pejorativos. "Na verdade, o presidente não gosta dos pobres. Privadamente, esse homem - um esquerdista - os chama de ‘os banguelas’, e fica tão orgulhoso de como é engraçado”.
"Esse ataque contra os pobres, os desfavorecidos, vivi como um ataque a minha vida inteira. Em todas minhas funções, em todos meus mandatos, só pensei em ajudar, em representar os que sofrem. Nunca estive do lado dos poderosos, embora não seja seu inimigo, sei de onde venho", rebateu Hollande. Durante a entrevista, o presidente ressaltou sua origem humilde e assegura que conheceu pessoas que não poderiam nem cuidar dos dentes, o que considera como um "sinal da pior miséria".
A jornalista da revista Paris Match terminou seu relacionamento de sete anos com o presidente após a imprensa revelar um caso dele com uma atriz, em janeiro deste ano. À época, ela afirmou que não iria ficar calada depois da traição. Em "Merci pour ce moment" (Obrigado por este momento), que em apenas quatro dias é recordista de vendas no país, ela analisa seu convívio com Hollande.
"Nunca enganei, nunca tentei me passar por alguém diferente do que sou", garantiu o presidente, ao se defender de um trecho da obra que relata sua suposta hipocrisia e sua obsessão com pesquisas.