Presidente do Sindicato afirma que "neoliberalismo" do PSDB ameaça TV Cultura

Presidente do Sindicato afirma que "neoliberalismo" do PSDB ameaça TV Cultura

Atualizado em 25/08/2010 às 14:08, por Redação Portal IMPRENSA.

Em entrevista ao Portal da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), o presidente da entidade que representa os jornalistas em São Paulo, Guto Camargo, afirmou que a política neoliberal do PSDB - que é "ideologicamente determinada pela redução do tamanho do Estado" - ameaça o futuro da TV Cultura.

"Não resta dúvida que a política de comunicação do PSDB é pautada pelos mesmos princípios macroeconômicos que determinam outras políticas, por isso as TVs dos estados governados por esse partido não aderiram a Rede Brasil e estão sendo sucateadas", declarou Camargo, presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo (SJSP).

No entendimento do sindicalista, a política disseminada pelo PSDB entende que "o poder público deve abandonar completamente o setor produtivo, deixando-o para a iniciativa privada. No campo cultural - que também é visto como mercadoria - passa-se a comprar a produção de terceiros".

A tentativa de manutenção desta filosofia, segundo ele, justificaria a nomeação do economista o João Sayad para o cargo de presidente da Fundação Padre Anchieta, responsável pela administração da Cultura.

"[João Sayad foi colocado no cargo] exatamente para fazer esse trabalho "administrativo", ou seja, implantar as reformas reducionistas. Isso implica diminuir o tamanho da emissora, reduzir custo e implantar a nova filosofia que abandona a idéia de ter produção própria e transforma a emissora em uma mera repetidora de conteúdo de terceiros comprado no mercado nacional e internacional", afirmou.

O imbróglio administrativo da emissora, suposto responsável pelo atraso em sua programação e inchaço no quadro de funcionários, na opinião do sindicalista, seria resultado do fato do PSDB não ter conseguido se promover por meio da TV Cultura, o que a retirou da lista de prioridades da administração tucana.

"Em que pese possíveis erros de gestão, o grande problema é a falta de qualquer projeto de comunicação pública para o Estado de São Paulo. Os sucessivos governos do PSDB não se preocuparam com essa área. Se um governo não sabe o que fazer com a TV e não pode usá-la para proselitismo político, ela passa a ser vista como um estorvo", disse Camargo.

A suposta falta de interesse da "elite intelectual" também seria a responsável pela TV Cultura ter sido "sucateada". "O sucateamento da emissora, além de significar a perda de centenas de empregos, representa a pequenez intelectual de uma elite que abriu mão de pensar um projeto nacional para o país".

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