Presidente do Peru toma posse e escolhe jornalista como chanceler
Presidente do Peru toma posse e escolhe jornalista como chanceler
Atualizado em 28/07/2011 às 11:07, por
Luiz Gustavo Pacete.
Nesta quinta-feira (28), toma posse o novo presidente peruano, Ollanta Humala, que teve sua imagem política sempre ligada a de Hugo Chávez, mas que agora pretende aplicar no país vizinho uma política pragmática, parecida com a do governo Lula no Brasil.
Entre os escolhidos para compor o alto escalão de seu governo está o sociólogo e jornalista Rafael Roncagliolo, 67 anos, que assume o cargo de ministro de relações exteriores. Roncagliolo, já dirigiu grandes grupos de comunicação no Peru. Foi presidente da Associação Mundial de Rádios Comunitárias (Amarc) e dirigiu o escritório para os Países Andinos da ONG internacional IDEA (Institute for Democracy and Electoral Assistence).
Em entrevista ao Portal IMPRENSA no ano de 2009, Roncagliolo criticou o posicionamento da imprensa em relação a Hugo Chávez e destacou que a imprensa sul-americana vivia uma censura comercial. Por outro lado, o jornalista Criticou o aumento de poderes políticos exercidos por Hugo Chávez na Venezuela; Evo Morales na Bolívia e Rafael Correa no Equador.
Crédito:Congresso do Peru Rafael Roncagliolo
Acompanhe trechos da entrevista publicada em 04 de março de 2009:
IMPRENSA - Qual o cenário da imprensa sul-americana atualmente? Roncagliolo - A imprensa na América do Sul não vive uma inter-relação. A troca de informações pelos meios sul-americanos quase não existe e tampouco se influenciam. Temos uma imprensa deslocada e regionalizada, o que representa perda de força.
IMPRENSA - E em relação à liberdade de imprensa? Roncagliolo - A liberdade de imprensa na América do Sul hoje é definida por níveis e está diretamente ligada aos seus contextos regionais. Não existe liberdade de imprensa completa. Acredito que, de acordo com seus países e suas realidades políticas, elas são maiores ou menores, entretanto, historicamente, vivemos três censuras: religiosa, política e comercial, a última que é encabeçada pelos grandes grupos empresariais que compram mais do que espaço publicitário, compram a liberdade de muitos meios, limitando-os a retratar aquilo que for de interesse comercial e que não vá contra os princípios empresariais. Isso é uma forma de censura.
IMPRENSA - Comparada a outras regiões, como a América do Sul está colocada em relação à censura? Roncagliolo - Há países em que a liberdade de imprensa é mais efetiva que em outros. Não posso dizer que haja liberdade de imprensa em Cuba. Já no Chile, por exemplo, toda a imprensa está concentrada nas mãos do mesmo setor econômico, o que dificulta a formação de um conteúdo imparcial. Em outros países, muitas mídias estão sendo adquiridas por grandes conglomerados empresariais.
IMPRENSA - Qual sua opinião sobre o tratamento de Hugo Chávez à imprensa? Roncagliolo - O caso da Venezuela é um exemplo de país em que os canais de televisão passaram a fazer oposição ao governo, o que virou um abuso tremendo. Eu não critico a não renovação da licença da RCTV (Rádio Caracas Televisión), por que isso é um dos direitos fundamentais de qualquer país, as concessões não são eternas. É claro que não podemos omitir que Chávez o fez por questões políticas, mas é um direito de um Estado, já que os meios não são propriedade privada, mas utilizam o espaço público. Na Europa, Canadá e Estados Unidos são realizadas assembléias públicas quanto à renovação de concessões.

Entre os escolhidos para compor o alto escalão de seu governo está o sociólogo e jornalista Rafael Roncagliolo, 67 anos, que assume o cargo de ministro de relações exteriores. Roncagliolo, já dirigiu grandes grupos de comunicação no Peru. Foi presidente da Associação Mundial de Rádios Comunitárias (Amarc) e dirigiu o escritório para os Países Andinos da ONG internacional IDEA (Institute for Democracy and Electoral Assistence).
Em entrevista ao Portal IMPRENSA no ano de 2009, Roncagliolo criticou o posicionamento da imprensa em relação a Hugo Chávez e destacou que a imprensa sul-americana vivia uma censura comercial. Por outro lado, o jornalista Criticou o aumento de poderes políticos exercidos por Hugo Chávez na Venezuela; Evo Morales na Bolívia e Rafael Correa no Equador.
Crédito:Congresso do Peru Rafael Roncagliolo
Acompanhe trechos da entrevista publicada em 04 de março de 2009:
IMPRENSA - Qual o cenário da imprensa sul-americana atualmente? Roncagliolo - A imprensa na América do Sul não vive uma inter-relação. A troca de informações pelos meios sul-americanos quase não existe e tampouco se influenciam. Temos uma imprensa deslocada e regionalizada, o que representa perda de força.
IMPRENSA - E em relação à liberdade de imprensa? Roncagliolo - A liberdade de imprensa na América do Sul hoje é definida por níveis e está diretamente ligada aos seus contextos regionais. Não existe liberdade de imprensa completa. Acredito que, de acordo com seus países e suas realidades políticas, elas são maiores ou menores, entretanto, historicamente, vivemos três censuras: religiosa, política e comercial, a última que é encabeçada pelos grandes grupos empresariais que compram mais do que espaço publicitário, compram a liberdade de muitos meios, limitando-os a retratar aquilo que for de interesse comercial e que não vá contra os princípios empresariais. Isso é uma forma de censura.
IMPRENSA - Comparada a outras regiões, como a América do Sul está colocada em relação à censura? Roncagliolo - Há países em que a liberdade de imprensa é mais efetiva que em outros. Não posso dizer que haja liberdade de imprensa em Cuba. Já no Chile, por exemplo, toda a imprensa está concentrada nas mãos do mesmo setor econômico, o que dificulta a formação de um conteúdo imparcial. Em outros países, muitas mídias estão sendo adquiridas por grandes conglomerados empresariais.
IMPRENSA - Qual sua opinião sobre o tratamento de Hugo Chávez à imprensa? Roncagliolo - O caso da Venezuela é um exemplo de país em que os canais de televisão passaram a fazer oposição ao governo, o que virou um abuso tremendo. Eu não critico a não renovação da licença da RCTV (Rádio Caracas Televisión), por que isso é um dos direitos fundamentais de qualquer país, as concessões não são eternas. É claro que não podemos omitir que Chávez o fez por questões políticas, mas é um direito de um Estado, já que os meios não são propriedade privada, mas utilizam o espaço público. Na Europa, Canadá e Estados Unidos são realizadas assembléias públicas quanto à renovação de concessões.






