Presidente da Turquia rebate críticas sobre detenções de jornalistas no país

"Guardem suas opiniões para vocês", declarou Recep Tayyip Erdogan

Atualizado em 16/12/2014 às 10:12, por Redação Portal IMPRENSA.

Na última segunda-feira (15/12), o presidente turco Recep Tayyip Erdogan rebateu as críticas feitas pela União Europeia (UE) sobre a prisão de jornalistas do último domingo (14/12). "Guardem suas opiniões para vocês", declarou durante discurso no noroeste do país.
Crédito:Agência Cihan/Cortesia Jornalistas protestam contra avanço do governo contra a imprensa
Segundo o jornal Today's Zaman , 31 pessoas foram detidas, incluindo o editor-chefe do jornal, Ekrem Dumanli, jornalistas e produtores do canal Samanyolu. Eles são suspeitos de "usar de intimidação e ameaças" para tomar o poder estatal. Alguns deles foram liberados após passar por um interrogatório.
A imprensa favorável ao presidente turco informou que os detidos foram interrogados sobre um eventual envolvimento na "fabricação de evidências" que levaram a polícia a dissipar um grupo rival de Gulen em 2009, por ligação com a Al-Qaeda. Os aliados do clérigo negam a acusação.
De acordo com a agência turca Cihan, a lista de 400 jornalistas que estão no alvo do governo foi revelado por uma conta anônima do Twitter (@fuatavnifuat) que tem vazado as informações sobre a operação contra a mídia.
Críticas
A União Europeia questionou as ações da polícia local após as autoridades entraram na sede de um jornal e uma TV estatal afiliada ao clérigo Fethullah Gulen, um antigo aliado de Erdogan que passou a criticá-lo duramente.
O presidente diz que os seguidores de Gulen são responsáveis pelas suspeitas de corrupção que perseguiram seu governo no ano passado. "Esta não é uma questão de liberdade de imprensa", disse Erdogan. "Aqueles que ameaçam a segurança nacional devem receber o que merecem, não importa se são membros ou não da imprensa", acrescentou.
Em um comunicado, o chefe da política externa da UE, Federica Mogherini, e o comissário europeu, Johannes Hahn, disseram que "as detenções são contra os valores e as normas europeias que a Turquia aspira ser parte".
"Eu me pergunto se nós vamos olhar para trás e ver o dia de hoje como a morte definitiva do pedido de adesão da Turquia à UE", completou o chefe de mercado emergentes, o economista Timothy Ash, do Standard Bank em Londres.
Os Estados Unidos pediram à Turquia que respeite a liberdade de imprensa, a independência da justiça e "seus fundamentos democráticos", informou a porta-voz do Departamento de Estado, Jennifer Psaki.
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