Presidente Cristina Kirchner propõe "nacionalização" de mídia argentina

Presidente Cristina Kirchner propõe "nacionalização" de mídia argentina

Atualizado em 20/10/2010 às 10:10, por Redação Portal IMPRENSA.

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Cristina Kirchner
A presidente da Argentina Cristina Kirchner propôs, na última terça-feira (19), a "nacionalização" dos meios de comunicação argentinos. A medida, de acordo com a líder, "seria importante" para que a mídia tenha "consciência nacional" e passe a defender "os interesses do país".

Segundo o jornal O Estado de S. Paulo , Cristina fez críticas específicas ao fato de haver na Argentina "tantos microfones e câmeras de TV sobre os problemas do crescimento econômico", e que alguns veículos de comunicação teriam ignorado e "muitas vezes foram cúmplices da política de entrega e subordinação sem dizer uma só palavra ou tirara uma só foto".

Em seu discurso, a líder argentina voltou a dizer que tem sido vítima de "ataques dos meios de comunicação", e que continuará apoiando os interesses do país e no "modelo virtuoso" de sua administração. Porém, a presidente deixou claro que não pretende "estatizar" a imprensa.

Para a diretora de educação em jornalismo da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), Susana Mitchel, a intenção de Cristina em "nacionalizar" a mídia argentina visa somente "a cobertura da imprensa", e não as empresas jornalísticas: "Ela não falou em propriedade das empresas jornalísticas, mas do tom da cobertura da imprensa, que, do seu ponto de vista, não é patriótico, não veste 'a camisa da Argentina', não defende o que ela julga ser o interesse maior do país."

Desde 2008, a líder argentina e seu marido, o ex-presidente Néstor Kirchner, mantém uma relação tensa com os meios de comunicação. Nos últimos anos, o casal teria favorecido grupos de mídia alinhados com o governo. Além disso, a Casa Rosada denunciou o Grupo Clarín e o jornal La Nación por terem adquirido ações da maior produtora de papel-jornal do país, a Papel Prensa, de forma ilegal.

A briga de Cristina com veículos de comunicação argentinos, em especial os jornais oposicionistas Clarín e La Nación, tem gerado críticas de diversas entidades. A Associação de Entidades Jornalísticas da Argentina (Adepa) declarou que a presidente "multiplicou as ironias e injúrias" contra a mídia desde que criou uma conta no Twitter, e que suas postagens no microblog não diminuem "a gravidade das mensagens que são transmitidas por intermédio dele".

Já a Associação Mundial de Jornais e Editores de Notícias (WAN-IFRA, sigla em inglês) pediu à presidente da Argentina Cristina Kirchner para cessar os "ataques contra meios independentes" de comunicação no país.

Além disso, Susana afirmou que a declaração pode ser vista como uma "constatação de que o governo é contra a liberdade de imprensa" no país, mas que ainda não se chegou ao ponto de o Estado dizer o que os jornais devem ou não publicar. "Contudo, é preciso levar em conta que exagerar as coisas não contribui para um diálogo honesto sobre a questão da livre atuação da imprensa e isso vale para todos os lados envolvidos nestas disputas políticas e econômicas", ressaltou a representante da SIP.
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