Preparação e tempo de estrada são essenciais para se tornar comentarista esportivo
A relação do brasileiro com o esporte é muito forte e desperta o desejo de estudantes de jornalismo que sonham em atuar como comentaristas esportivos.
Atualizado em 25/07/2014 às 11:07, por
Christh Lopes*.
A função O comentarista tem o papel de contextualizar a notícia, apresentando uma visão sobre os fatos, com observações e análises que ajudam o cidadão a compreendê-lo e formar uma opinião acerca do assunto. Em resumo, ele “deve enriquecer o que está sendo dito sobre determinado tema fazendo conexões entre fatos, agregando informações. E, claro, revestir tudo isso com uma posição muito pessoal”, diz Vladir Lemos.
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Vladir Lemos No entanto, a diferença entre o comentarista esportivo para os demais está ligada à responsabilidade sobre o que será dito, especialmente porque o esporte desperta emoções que podem influenciar o exercício da profissão. “A isenção é fundamental, sob pena de o comentário tornar-se tendencioso por conta da distorção voluntária dos fatos”, alega Sormani.
“O esporte, apesar de ser encarado muitas vezes pelo que há de lúdico num jogo, é coisa séria”, completa Cardoso. Para ele, o tema se mantém relevante em nosso cotidiano com grande importância, pois “envolve política, economia e está imerso na cultura popular”. Neste caso, o exemplo mais recente seria a cobertura da Copa do Mundo no Brasil.
As discussões sobre a realização do Mundial envolveram diversos assuntos e mostra porque a função de comentarista esportivo “vai muito além da análise do jogo”. Possibilita ao jornalista também analisar também o reflexo do evento no dia-a-dia do cidadão. “É inevitável, muitas vezes, a intersecção do esporte com a política e a economia”, avalia.
Apesar de veicular e repercutir informações relevantes ao cidadão, “faz-se necessário lembrar que existe uma grande dose de entretenimento no assunto”. O alerta feito pelo comentarista Wagner Vilaron ressalta o lado popular da profissão, marcante pela presença de posições opostas sendo confrontadas em um debate.
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Fábio Sormani “O telespectador parece gostar de ter uma opinião sobre a existência ou não de um pênalti, uma falta ou de um impedimento, mesmo que seja para discordar veementemente do que foi dito”, diz o comentarista. Todavia, o jornalismo esportivo estuda uma alternativa de manter o telespectador interessado e engajado nas redes sociais, com a entrega de conteúdos mais leves.
Ser ou não ser jornalista O entretenimento no jornalismo pode ser encarado de forma mais visível com a presença de ex-jogadores nas equipes de esporte das emissoras. Com experiência nos gramados e forte apelo popular, eles mostram a visão de quem já esteve naquela posição, com uma percepção mais intimista. Ao analisar o caso, os jornalistas avaliam que há espaço para todos, mas que o conhecimento mais profundo sobre a área não pode ser descartado.
“Há de estudar a linguagem, aprimorar o texto e conhecer os preceitos éticos do jornalismo”, admite Cardoso. Na visão de Vilaron, a presença de alguém preparado e com estudos sobre todas as questões que envolvem o esporte irá apenas “enriquecer as transmissões”. Pela SporTV, o comentarista diz ter o prazer o trabalhar ao lado de grandes ex-jogadores, como Casagrande, Caio Ribeiro, Júnior, Belletti, entre outros.
Vladir Lemos rechaça este pensamento de que a profissão de comentarista esportivo deveria ser uma exclusividade de jornalistas . “O importante, ao informar, é ser reconhecido como alguém capaz e ter conhecimento suficiente para exercer tal ofício”.
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Wagner Vilaron Dicas e técnicas Com a necessidade de falar sobre diversos temas que influenciam no resultado de uma partida, por exemplo, o jornalista precisa ter domínio sobre cultura geral. A fórmula para isso é simples: leitura.
“Com isso, melhora-se o raciocínio, o entendimento dos fatos e amplia-se o vocabulário, o que irá facilitar no momento da exposição do assunto em questão”, afirma Sormani. Para aprimorar suas argumentações, a busca por cursos relacionados ao esporte pode ser eficaz. “A pessoa deve se preocupar em obter uma formação que o credencie pra isso”, acredita Lemos.
Não há segredo, não há uma fórmula de sucesso. Contudo, o comentarista Vagner Vilaron fez uma lista, com cinco dicas fundamentais para quem deseja seguir na função: “faça com paixão; nunca ache que já sabe o suficiente; faça comentários para o público e não para você. Querer demonstrar conhecimento é o primeiro passo para se enrolar no raciocínio; use frases curtas. Seja claro e objetivo e, por fim, a televisão costuma dar às pessoas uma importância que elas não têm. Acreditar que você virou celebridade é outro passo rumo ao tropeço”; conclui.
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Celso Cardoso Mercado em expansão O mercado para comentaristas esportivos está aberto e cheio de oportunidades. Com a pluralidade de veículos, quem estiver preparado deve correr atrás e fazer acontecer. “Assim como no jogo, tem que lutar o tempo todo pra ocupar o seu espaço”, diz Celso Cardoso.
No entanto, basta destacar que atuar como comentarista é consequência de um longo trabalho no jornalismo esportivo. É preciso ter paciência e dedicação para chegar ao posto, como relata Sormani. “Isso (ser comentarista) veio com o passar dos anos, com a experiência adquirida e o senso crítico tornando-se mais apurado”, conclui Sormani.
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* Com supervisão de Vanessa Gonçalves





