Prefeitura de Curitiba conquista seguidores unindo serviço e bom humor nas redes sociais
Ao fim de mais um dia de posts sobre os serviços da capital paranaense e brincadeiras bem-humoradas, a página da Prefeitura de Curitiba no Facebook encerrou o expediente com o tradicional “Boa noite, Curitiba”, acompanhado de uma música.
Atualizado em 17/12/2014 às 15:12, por
Jéssica Oliveira.
dia de posts sobre os serviços da capital paranaense e brincadeiras bem-humoradas, a da Prefeitura de Curitiba no Facebook encerrou o expediente com o tradicional “Boa noite, Curitiba”, acompanhado de uma música. A canção do dia 17 de setembro foi “Nantes”, da banda Beirut, cujo clipe inspirou o vídeo de “Oração”, d’A banda mais bonita da cidade, que bombou no YouTube.
Não se sabe ao certo o que inspirou os seguidores da “prefs”, como a página é carinhosamente chamada pelos internautas, mas pedidos de casamento tomaram conta dos comentários no post. Poucas horas depois, o perfil respondeu que não poderia casar por ser uma instituição. Todos foram dormir. No dia seguinte veio um novo pedido, dessa vez, da fanpage do Rio de Janeiro. “É uma pena, Prefeitura de Curitiba! Formaríamos um ótimo par. Teríamos dias mais calorosos e azuis e noites mais gostosas, com friozinho, filminho e edredom.”
Crédito:Reprodução Perfil da Prefeitura de Curitiba no Facebook tem quase meio milhão de fãs Logo, a hashtag #AceitaCuritiba se espalhou pelas redes sociais e convenceu a Prefs. “Prefeitura do Rio de Janeiro, eu aceito. (Mas vai ter que aprender que o correto é bolacha, ok?)", respondeu. “Vimos isso à noite e passamos o dia planejando como iríamos responder e interagir, porque seria muito pobre responder que sim ou que não, e o motivo. Aproveitamos para conhecer o social media da prefeitura do Rio de Janeiro e criamos a ação como um todo”, conta Marcos Giovanella, diretor do departamento de Internet e Mídias Sociais da capital paranaense.
Com o pedido aceito, o “Casamento Vermelho” foi marcado para dez dias depois. O nome, inspirado num episódio da série “Game of Thrones” em que há muitas mortes e sangue, não foi por acaso. Os posts da página geralmente trazem referências de símbolos culturais, memes e assuntos muito comentados na internet. Mas, ao contrário da ficção, o evento convidava os internautas a celebrarem a união doando sangue.
Lá vem a noiva A ação dos “pombinhos” foi um sucesso. Muita gente compareceu aos endereços no convite da festa, o Hemorio, no Rio, e o Hemobanco, em Curitiba. O primeiro realizou 225 coletas (30% a mais que o normal) e o segundo atendeu 302 pessoas, ultrapassando sua capacidade máxima. Estima-se que o alcance da campanha tenha sido maior, pois mais postos de coletas entraram na brincadeira e seguidores doaram em outras cidades.
Do “sim” na rede social ao “sim” no casório, surgiram outras ações espontaneamente. A principal foi o envolvimento de outras páginas que ofereceram diversos presentes, como a cobertura do evento (jornal Extra!), a igreja (Mariana-MG), a lua de mel (Angra dos Reis-RJ), uma viagem (Palmas-TO), o buffet (Cuiabá-MT) e o local da festa (Porto Alegre-RS).
Crédito:Reprodução Casamento fictício de Curitiba com a cidade do Rio de Janeiro gerou diversas ações, como a doação de sangue Dessa interação nasceu a #ListaDaNoiva, com 11 itens, como “levar 50 crianças ao cinema e 50 crianças ao teatro”, “plantar 321 árvores” e “distribuir 150 picolés para trabalhadores expostos ao sol”. Cada ponto foi escolhido por pelo menos quatro empresas, entre públicas e privadas. O item “doar 100 livros para escolas municipais e 100 livros para a tuboteca” teve 23 empresas parceiras.
“A lista da noiva não estava prevista. Veio dos comentários. Uma coisa que levamos muito em consideração é o real time marketing. Procuramos estar muito ligado nisso”, afirma Giovanella.
Um canal direto com o cidadão Criado em março de 2013 pela gestão do prefeito Gustavo Fruet (PDT), o departamento de Internet e Mídias Sociais é composto de oito pessoas, com idades entre 21 a 39 anos. Elas cuidam das contas no Twitter, Instagram, Facebook e YouTube, sites e projetos de marketing digital da instituição, enquanto as demandas do governante são administradas por outra equipe.
“O briefing era: aproximar a prefeitura dos cidadãos com o objetivo de discussão política. Até poucos anos não havia tantas ferramentas para abertura, transparência e diálogo com a população, principalmente com o jovem que é a base maior das redes sociais. Fizemos um planejamento de presença digital que levasse isso em consideração. A grande persona, a presença digital é a mesma em todos os perfis, apenas respeitamos as diferenças de cada mídia”, explica o diretor do departamento.
Os mais de 430 mil seguidores da página são orgânicos, conquistados pelo conteúdo. Desses, cerca de 70% são de Curitiba, o restante foi atraído pela forma bem-humorada da página de tratar vários temas, como o clima frio e chuvoso da cidade ou sua paixão por capivaras gigantes. “Até a atualização de mensagens visualizadas do Whatsapp fica azul, menos o nosso céu”, postou o perfil sobre a polêmica atualização do aplicativo.
Mas nem tudo acaba em risos. A fanpage também recebe reclamações, que vão do tom da página (que para alguns não combina com um órgão público) até problemas na cidade, como buracos, lixo nas ruas ou demora em algum tipo de serviço. “Quando a pessoa reclama, tentamos entender por qual razão, se podemos mudar alguma coisinha para melhorar e agradar o maior número de pessoas possível. É um exercício diário. O que valida nosso trabalho é fazer o SAC 2.0, o atendimento completo pelo canal. O objetivo é responder a 100%. Claro que é humanamente impossível, mas trabalhamos duro para responder tudo.”
Acostumado a dar palestras e apresentar o case do perfil, Giovanella afirma que qualquer instituição pode se aproximar do seu público-alvo de diversas formas, inclusive com bom humor. Para isso, é preciso planejamento, vontade de resolver os problemas do cidadão pelo canal e, principalmente, o diálogo. “A rede social não é feita para empresas ou instituições, ela é feita para pessoas. E o que elas fazem? Conversam. Não adianta fazer um perfil de rede social se você não vai interagir”, diz.
Ainda colhendo os frutos do Casamento Vermelho, para ele o maior acerto da página é ter alcançado a participação popular. “O que eu acho mais importante é ter essa abertura de conversar, resolver problemas através do canal que é a internet. Conquistamos o coração de algumas pessoas, tanto que o apelido Prefs surgiu de um comentário. Esse relacionamento é o nosso maior trunfo.”

Não se sabe ao certo o que inspirou os seguidores da “prefs”, como a página é carinhosamente chamada pelos internautas, mas pedidos de casamento tomaram conta dos comentários no post. Poucas horas depois, o perfil respondeu que não poderia casar por ser uma instituição. Todos foram dormir. No dia seguinte veio um novo pedido, dessa vez, da fanpage do Rio de Janeiro. “É uma pena, Prefeitura de Curitiba! Formaríamos um ótimo par. Teríamos dias mais calorosos e azuis e noites mais gostosas, com friozinho, filminho e edredom.”
Crédito:Reprodução Perfil da Prefeitura de Curitiba no Facebook tem quase meio milhão de fãs Logo, a hashtag #AceitaCuritiba se espalhou pelas redes sociais e convenceu a Prefs. “Prefeitura do Rio de Janeiro, eu aceito. (Mas vai ter que aprender que o correto é bolacha, ok?)", respondeu. “Vimos isso à noite e passamos o dia planejando como iríamos responder e interagir, porque seria muito pobre responder que sim ou que não, e o motivo. Aproveitamos para conhecer o social media da prefeitura do Rio de Janeiro e criamos a ação como um todo”, conta Marcos Giovanella, diretor do departamento de Internet e Mídias Sociais da capital paranaense.
Com o pedido aceito, o “Casamento Vermelho” foi marcado para dez dias depois. O nome, inspirado num episódio da série “Game of Thrones” em que há muitas mortes e sangue, não foi por acaso. Os posts da página geralmente trazem referências de símbolos culturais, memes e assuntos muito comentados na internet. Mas, ao contrário da ficção, o evento convidava os internautas a celebrarem a união doando sangue.
Lá vem a noiva A ação dos “pombinhos” foi um sucesso. Muita gente compareceu aos endereços no convite da festa, o Hemorio, no Rio, e o Hemobanco, em Curitiba. O primeiro realizou 225 coletas (30% a mais que o normal) e o segundo atendeu 302 pessoas, ultrapassando sua capacidade máxima. Estima-se que o alcance da campanha tenha sido maior, pois mais postos de coletas entraram na brincadeira e seguidores doaram em outras cidades.
Do “sim” na rede social ao “sim” no casório, surgiram outras ações espontaneamente. A principal foi o envolvimento de outras páginas que ofereceram diversos presentes, como a cobertura do evento (jornal Extra!), a igreja (Mariana-MG), a lua de mel (Angra dos Reis-RJ), uma viagem (Palmas-TO), o buffet (Cuiabá-MT) e o local da festa (Porto Alegre-RS).
Crédito:Reprodução Casamento fictício de Curitiba com a cidade do Rio de Janeiro gerou diversas ações, como a doação de sangue Dessa interação nasceu a #ListaDaNoiva, com 11 itens, como “levar 50 crianças ao cinema e 50 crianças ao teatro”, “plantar 321 árvores” e “distribuir 150 picolés para trabalhadores expostos ao sol”. Cada ponto foi escolhido por pelo menos quatro empresas, entre públicas e privadas. O item “doar 100 livros para escolas municipais e 100 livros para a tuboteca” teve 23 empresas parceiras.
“A lista da noiva não estava prevista. Veio dos comentários. Uma coisa que levamos muito em consideração é o real time marketing. Procuramos estar muito ligado nisso”, afirma Giovanella.
Um canal direto com o cidadão Criado em março de 2013 pela gestão do prefeito Gustavo Fruet (PDT), o departamento de Internet e Mídias Sociais é composto de oito pessoas, com idades entre 21 a 39 anos. Elas cuidam das contas no Twitter, Instagram, Facebook e YouTube, sites e projetos de marketing digital da instituição, enquanto as demandas do governante são administradas por outra equipe.
“O briefing era: aproximar a prefeitura dos cidadãos com o objetivo de discussão política. Até poucos anos não havia tantas ferramentas para abertura, transparência e diálogo com a população, principalmente com o jovem que é a base maior das redes sociais. Fizemos um planejamento de presença digital que levasse isso em consideração. A grande persona, a presença digital é a mesma em todos os perfis, apenas respeitamos as diferenças de cada mídia”, explica o diretor do departamento.
Os mais de 430 mil seguidores da página são orgânicos, conquistados pelo conteúdo. Desses, cerca de 70% são de Curitiba, o restante foi atraído pela forma bem-humorada da página de tratar vários temas, como o clima frio e chuvoso da cidade ou sua paixão por capivaras gigantes. “Até a atualização de mensagens visualizadas do Whatsapp fica azul, menos o nosso céu”, postou o perfil sobre a polêmica atualização do aplicativo.
Mas nem tudo acaba em risos. A fanpage também recebe reclamações, que vão do tom da página (que para alguns não combina com um órgão público) até problemas na cidade, como buracos, lixo nas ruas ou demora em algum tipo de serviço. “Quando a pessoa reclama, tentamos entender por qual razão, se podemos mudar alguma coisinha para melhorar e agradar o maior número de pessoas possível. É um exercício diário. O que valida nosso trabalho é fazer o SAC 2.0, o atendimento completo pelo canal. O objetivo é responder a 100%. Claro que é humanamente impossível, mas trabalhamos duro para responder tudo.”
Acostumado a dar palestras e apresentar o case do perfil, Giovanella afirma que qualquer instituição pode se aproximar do seu público-alvo de diversas formas, inclusive com bom humor. Para isso, é preciso planejamento, vontade de resolver os problemas do cidadão pelo canal e, principalmente, o diálogo. “A rede social não é feita para empresas ou instituições, ela é feita para pessoas. E o que elas fazem? Conversam. Não adianta fazer um perfil de rede social se você não vai interagir”, diz.
Ainda colhendo os frutos do Casamento Vermelho, para ele o maior acerto da página é ter alcançado a participação popular. “O que eu acho mais importante é ter essa abertura de conversar, resolver problemas através do canal que é a internet. Conquistamos o coração de algumas pessoas, tanto que o apelido Prefs surgiu de um comentário. Esse relacionamento é o nosso maior trunfo.”






