Prefeito ameaça fechar rádio comunitária no interior de Minas Gerais

Prefeito ameaça fechar rádio comunitária no interior de Minas Gerais

Atualizado em 12/05/2008 às 18:05, por Redação Portal IMPRENSA.

Em Salinas, município de 37 mil habitantes no norte de Minas Gerais, a divulgação de uma notícia sobre notas fiscais superfaturadas em 355% - encontradas na prestação de contas de 2007 e denunciada por um professor local à Câmara Municipal - levou o prefeito José Antônio Prates (PTB) a protagonizar na última sexta-feira (09) um violento ataque à liberdade de expressão e de informação contra a Rádio Sal FM.

Acompanhado da advogada Cristiane Maria Ribeiro; do secretário de Obras, Joséo Elísio; de três policiais militares e do delegado Jaime Gomes da Costa, da Polícia Civil, o prefeito invadiu a emissora.

Durante a investida, quis fazer com que, na marra, os microfones da rádio fossem abertos para que ele pudesse dar explicações à população sobre as acusações contra ele, que originaram a abertura de um processo de cassação do seu mandato pela Câmara Municipal. Caso contrário, o prefeito ameaçou processar os responsáveis pela rádio e até fechá-la.

O presidente da rádio, Miguel Bernabé Freire, informou que vai denunciar o caso ao Ministério Público. Segundo ele, tanto a Polícia Militar quanto a Polícia Civil se recusaram a registrar boletim de ocorrência solicitado pela emissora sobre o acontecido, alegando que dependem da Prefeitura de Salinas para funcionar.

A ira do prefeito se deve a uma entrevista que a emissora divulgou no dia 6 de maio com o professor Welshman Gustavo Pinheiro, autor da denúncia encaminhada à Câmara Municipal de Salinas, sobre o uso de notas superfaturadas.

O professor também busca na Justiça a anulação da suposta aquisição de 50 banners (faixas) feita pela Prefeitura junto à empresa Grafimoc, de Montes Claros, pelo preço de R$ 6.750,00. Orçamentos feitos junto a diversas empresas do ramo indicam que os banners podiam ter sido adquiridos por R$ 1.500,00 a R$ 1.900,00.

De acordo com a nota fiscal encontrada na contabilidade da prefeitura, cada banner saiu por R$ 135,00, quando o custo unitário normalmente seria de R$ 30,00 a R$ 38,00, de acordo orçamentos realizados em outras empresas.

O dono da rádio conta que, no interior da emissora, onde entrou sem autorização judicial, o prefeito partiu para a ameaça. Acusou a emissora de tê-lo caluniado e afirmou que se a rádio quisesse continuar funcionando, teria que deixá-lo falar aos moradores naquele exato instante, caso contrário faria tudo para fechá-la.

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