Prefeito ameaça fechar rádio comunitária no interior de Minas Gerais
Prefeito ameaça fechar rádio comunitária no interior de Minas Gerais
Em Salinas, município de 37 mil habitantes no norte de Minas Gerais, a divulgação de uma notícia sobre notas fiscais superfaturadas em 355% - encontradas na prestação de contas de 2007 e denunciada por um professor local à Câmara Municipal - levou o prefeito José Antônio Prates (PTB) a protagonizar na última sexta-feira (09) um violento ataque à liberdade de expressão e de informação contra a Rádio Sal FM.
Acompanhado da advogada Cristiane Maria Ribeiro; do secretário de Obras, Joséo Elísio; de três policiais militares e do delegado Jaime Gomes da Costa, da Polícia Civil, o prefeito invadiu a emissora.
Durante a investida, quis fazer com que, na marra, os microfones da rádio fossem abertos para que ele pudesse dar explicações à população sobre as acusações contra ele, que originaram a abertura de um processo de cassação do seu mandato pela Câmara Municipal. Caso contrário, o prefeito ameaçou processar os responsáveis pela rádio e até fechá-la.
O presidente da rádio, Miguel Bernabé Freire, informou que vai denunciar o caso ao Ministério Público. Segundo ele, tanto a Polícia Militar quanto a Polícia Civil se recusaram a registrar boletim de ocorrência solicitado pela emissora sobre o acontecido, alegando que dependem da Prefeitura de Salinas para funcionar.
A ira do prefeito se deve a uma entrevista que a emissora divulgou no dia 6 de maio com o professor Welshman Gustavo Pinheiro, autor da denúncia encaminhada à Câmara Municipal de Salinas, sobre o uso de notas superfaturadas.
O professor também busca na Justiça a anulação da suposta aquisição de 50 banners (faixas) feita pela Prefeitura junto à empresa Grafimoc, de Montes Claros, pelo preço de R$ 6.750,00. Orçamentos feitos junto a diversas empresas do ramo indicam que os banners podiam ter sido adquiridos por R$ 1.500,00 a R$ 1.900,00.
De acordo com a nota fiscal encontrada na contabilidade da prefeitura, cada banner saiu por R$ 135,00, quando o custo unitário normalmente seria de R$ 30,00 a R$ 38,00, de acordo orçamentos realizados em outras empresas.
O dono da rádio conta que, no interior da emissora, onde entrou sem autorização judicial, o prefeito partiu para a ameaça. Acusou a emissora de tê-lo caluniado e afirmou que se a rádio quisesse continuar funcionando, teria que deixá-lo falar aos moradores naquele exato instante, caso contrário faria tudo para fechá-la.
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