“Precisa-se de espaço para os bons narradores”, diz editor de revista de contos

Inquieto com o “vazio” cultural do Rio de Janeiro e inspirado pelas extintas Paralelos e Ficção, que marcaram a proliferação de contos no país, o escritor carioca Mariel Reis decidiu criar uma revista exclusiva para a publicação de narrativas curtas.

Atualizado em 21/03/2014 às 15:03, por Alana Rodrigues*.

do Rio de Janeiro e inspirado pelas extintas Paralelos e Ficção , que marcaram a proliferação de contos no país, o escritor carioca Mariel Reis decidiu criar uma revista exclusiva para a publicação de narrativas curtas. Nasceu então a Flaubert , movimentada esteticamente pelo realismo do homenageado literário francês Gustave Flaubert.
Crédito:Divulgação Revista traz contos de escritores de todo o Brasil
“Talvez a afirmação do vazio cultural do Rio de Janeiro seja uma maneira polida de apontar os trustes culturais que monopolizam o mercado da cultura, quer dizer, em especifico, o da literatura”, explica Reis, editor da publicação lançada oficialmente no último sábado (15/3).
Segundo ele, a Flaubert pretende ser democrática e inserida no contexto de espaços limitados para aqueles que não atendem a certos imperativos cariocas: ser branco, classe média e morador da Zona Sul. “É uma reação ao vazio e ao cerceamento – silencioso, sigiloso, mascarado – dos espaços oficiais do fazer cultural, em determinado, da literatura. Precisa-se de espaço para os bons narradores.”, diz.
Reis ressalta que a Ficção , editada nos anos 70 pelo escritor baiano Hélio Pólvora, simbolizava o banho de pluralidade narrativa, movimento refletido na Flaubert , que conta com colaboradores de diversas regiões do país como Alessandro Garcia (RS), Anderson Fonseca (CE), Daniel Osiecki (PR), Bruno Azevedo (MA), Delfin (SP), JD Lucas (RJ), André Tartarini (RJ) e Mara Coradello (ES).
Segundo o escritor, a seleção para definir os editores de cada estado foi embasada em sua experiência como integrante do conselho editorial da extinta revista Paralelos e indicação do editor Demetrios Galvão. “A escolha foi simples: eram todos bons escritores e, principalmente, meus amigos. Eles são os meus filtros para a boa ficção”, alega.
Liberdade para as palavras
A revista será abastecida com tecnologias e narrativas diversificadas, abrindo espaço para o exercício da narrativa curta no Brasil com temas sobre o amor, a violência e as facetas humanas, explica o editor. “Apesar da suposta nivelação trazida pela era global, quero apostar que há ainda caracteres distintivos dentro da subjetividade do homem do Piauí para o homem de São Paulo. Não podem ter se tornado uma mesma massa amorfa devido à velocidade com que compartilham informações”, pontua.

A Flaubert funciona com seus editores realizando os convites para os escritores de cada Estado, mas também escolhe narrativas enviadas livremente pelos autores para o e-mail da revista (revistaflaubert@gmail.com). Para colaborar, o conto deverá ter no mínimo uma lauda e no máximo dez. Além disso, o autor deve apresentar uma minibiografia de seis linhas a respeito de seu trabalho.
De olho na web
A publicação, exclusivamente online, também conta com alguns meandros. Para Maciel, embora seja confortável, barato e direto, o trabalho e a cobrança para a qualidade do conteúdo são maiores. O editor planeja fechar parcerias para imprimir alguns números da revista e distribuí-la nas saídas dos metrôs.
Ele acredita que a visualização e o alcance no formato online podem ser similares ao do impresso, uma vez que o acesso ao meio digital é grande. “Creio que o meio em que é publicada é o mais democrático”, acrescenta.
* Com supervisão de Vanessa Gonçalves