Posição do Brasil no ranking mundial de liberdade de imprensa pode piorar, diz RSF

Posição do Brasil no ranking mundial de liberdade de imprensa pode piorar, diz RSF

Atualizado em 26/10/2010 às 10:10, por Redação Portal IMPRENSA.

A organização não-governamental Repórteres Sem Fronteiras (RSF) afirmou que a posição do Brasil no mundial de liberdade de imprensa pode piorar caso o país permita que crimes contra jornalistas permaneçam impunes. Segundo informou a Deustche Welle , a RSF mencionou o caso do assassinato do jornalista e radialista Francisco Gomes de Medeiros, conhecido como F.Gomes, morto a tiros na cidade de Caicó (RN), na última segunda (18).

De acordo com a lista divulgada na última quarta (20) pela entidade, o Brasil havia subido 13 posições e passou a ocupar o 58º lugar. A RSF alegou que o país teve uma evolução "favorável na legislação" sobre liberdade de imprensa, que ajudou na sua colocação no ranking. Além disso, o responsável pela atuação da RSF nas Américas, Benoît Hervieu, havia mencionado a ausência de violência grave contra a mídia, maior sensibilização do poder público ao acesso à informação e o fato de existir uma comunidade brasileira ativa na Internet.

Além da citação do radialista potiguar, a RSF lembrou a morte de Wanderley dos Reis, dono do jornal Popular News de Ibitinga (SP). Hervieu alegou que a pesquisa que indicou a evolução do Brasil em questões relacionadas a liberdade de imprensa foi feita entre setembro de 2009 a setembro deste ano, período anterior aos crimes cometidos contra os dois profissionais de imprensa.

Para a ONG, "ambas as mortes são um sinal alarmante, após a violência contra pessoas que atuam na mídia ter diminuído no Brasil nos últimos meses". Além disso, a RSF pediu às autoridades brasileiras para investigar detalhadamente os crimes cometidos contra jornalistas, e ressaltou que seus autores "não devem escapar impunes".

Na última terça (19), a Polícia Militar prendeu João Francisco dos Santos, que confessou ter atirado em F.Gomes motivado por uma reportagem que o jornalista fez em 2007, sobre sua prisão por roubo qualificado.

Sobre o caso de Reis, a polícia da cidade paulista havia descartado a hipótese de o crime ter motivação política. O jornalista publicava em seu jornal denúncias contra políticos e precariedades de Ibitinga. Os investigadores trabalham com a tese de que a morte do profissional tenha sido motivada por crime passional. A vítima era homossexual e havia terminado um relacionamento recentemente. Segundo a polícia, seu ex-namorado tentava reatar o namoro.
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