População sai às ruas por mudanças no dia 7 de setembro / Por Paula Caires - USJT (SP)
População sai às ruas por mudanças no dia 7 de setembro / Por Paula Caires - USJT (SP)
Atualizado em 29/09/2005 às 12:09, por
Por: Paula Caires e estudante de jornalismo da Universidade São Judas tadeu (São Paulo/SP).
Já não se tem mais a uniformidade de antes. O "independência ou morte", que marca a história da liberdade brasileira, continua a ecoar pelo Brasil, mas não por uma voz e não apenas no dia 7 de setembro. Ele se ramificou sob diferentes formas, em diversas vozes e com conotações variadas, está na boca da população que pede uma liberdade real transparente por meio de uma democracia participativa. Mas, todas as causas e vozes se unem na simbólica data da independência do Brasil para chamar a atenção da sociedade aos problemas que nela imperam.
Assim é o Grito dos Excluídos, uma manifestação popular cujo momento-espetáculo acontece no dia 7 de setembro. Como para todo show há um ensaio, nas cenas da vida não poderia ser diferente. Durante todo o ano reuniões, palestras, plebiscitos e cursos são efetuados para formação e informação dos membros das entidades participantes do processo de manifestação, para que os problemas sejam discutidos e as possíveis soluções sejam encontradas.
Não se trata de uma causa jovem que age movida por uma paixão cega no momento de tesão. Com 11 anos de existência e vindo de outras ações de mobilização a favor da sociedade, o Grito dos Excluídos tem a força da juventude com a maturidade de um adulto e enxerga bem as razões de seus anseios. Cada ano um lema é abordado. Neste, todos diziam: "Brasil, em nossas mãos a mudança". O coordenador na Secretaria Nacional do Grito, Ari Alberti, justifica a escolha por não delegar apenas aos políticos a responsabilidade por melhorias. Segundo ele, "o poder está na mão da sociedade, ou ela se organiza e luta ou a mudança não vai acontecer. A democracia direta participativa vai demorar, mas temos que lutar, podemos começar a olhar para os vereadores, prefeitos, fazer ações do micro para o macro e acabar com esse indiferentismo e esse 'salve-se quem puder'".
Como tudo é um processo contínuo, através de faixas em desfile cronológico como o passar dos anos, todos os lemas foram relembrados: "A vida em primeiro lugar", "Projeto rumo ao novo milênio", "Queremos justiça e dignidade", "Aqui é o meu país", "Brasil: um filho teu não foge à luta", "Progresso e vida, pátria sem dívida", "Por amor a essa pátria Brasil", "Soberania não se negocia", "Tirem as mãos...O Brasil é nosso chão!" e "Mudança pra valer o povo faz acontecer".
A maior concentração de pessoas foi em Nossa Sra. de Aparecida, onde tudo começou. Mas, o povo está em todo lugar e, por isso, aproximadamente, 1.500 eventos simultâneos aconteceram. Todos de forma pacífica, pois, para eles "a chamada revolução brasileira só se fará ao ritmo da música e da dança, ao som de tambores e violas e sob olhares e sorrisos da mais viva esperança".
Em São Paulo as tribos indígenas Pankararu e Pankarere foram "para acordar os governantes que lugar de índio não é na cidade é no mato. Somos os donos da terra só no papel", conforme explica o presidente do Conselho Nacional Indígena, Manuel Alexandre Sobrinho, conhecido como Bino Pankararu. O Arsenal da Esperança, uma comunidade da igreja católica que atende cerca de 1.150 pessoas com oferecimento de cursos, alimentação e até moradia, pediu por paz e melhores condições de vida. "A luta é para estar perto das pessoas sofredoras e mostrar como elas podem dar a sua contribuição para melhorar o país também", acredita o coordenador do Arsenal, Gianfranco Mellino. Edson Rita, Marlene Rosa e seus acompanhantes da Casa da Solidariedade defendiam a causa negra e emprego. Havia ainda catadores de lixo, Sem Terra, moradores de rua, mulheres e até crianças.
Todos guiados pelo som do povo: "Viver e não ter a vergonha de ser feliz, cantar e cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz... eu sei que a vida podia ser bem melhor e será... Milton Nascimento, Chico Buarque e Geraldo Vandré. Com uma trilha sonora destas a orquestra sinfônica do povo só podia ser sucesso. E foi. Os moradores saiam às janelas, alguns participavam cantando e balançando os braços, outros registravam o fato e alguns só olhavam com cara de quem nada entendia: um monte de gente, música, panelaço, faixas coloridas como representação das mulheres, uma boneca "nega maluca", carteira de trabalho em branco em tamanho gigante e até um caixão eram alguns dos artefatos que contribuíam para a organizada bagunça. A grande mídia tudo registrou e transmitiu mas a grande maioria, com exceções é claro, resumiu: manifestação em comemoração ao dia sete de setembro// ...uma movimentação organizada pela igreja católica...// protestos contra o mensalão...dá ibope!!!
Assim é o Grito dos Excluídos, uma manifestação popular cujo momento-espetáculo acontece no dia 7 de setembro. Como para todo show há um ensaio, nas cenas da vida não poderia ser diferente. Durante todo o ano reuniões, palestras, plebiscitos e cursos são efetuados para formação e informação dos membros das entidades participantes do processo de manifestação, para que os problemas sejam discutidos e as possíveis soluções sejam encontradas.
Não se trata de uma causa jovem que age movida por uma paixão cega no momento de tesão. Com 11 anos de existência e vindo de outras ações de mobilização a favor da sociedade, o Grito dos Excluídos tem a força da juventude com a maturidade de um adulto e enxerga bem as razões de seus anseios. Cada ano um lema é abordado. Neste, todos diziam: "Brasil, em nossas mãos a mudança". O coordenador na Secretaria Nacional do Grito, Ari Alberti, justifica a escolha por não delegar apenas aos políticos a responsabilidade por melhorias. Segundo ele, "o poder está na mão da sociedade, ou ela se organiza e luta ou a mudança não vai acontecer. A democracia direta participativa vai demorar, mas temos que lutar, podemos começar a olhar para os vereadores, prefeitos, fazer ações do micro para o macro e acabar com esse indiferentismo e esse 'salve-se quem puder'".
Como tudo é um processo contínuo, através de faixas em desfile cronológico como o passar dos anos, todos os lemas foram relembrados: "A vida em primeiro lugar", "Projeto rumo ao novo milênio", "Queremos justiça e dignidade", "Aqui é o meu país", "Brasil: um filho teu não foge à luta", "Progresso e vida, pátria sem dívida", "Por amor a essa pátria Brasil", "Soberania não se negocia", "Tirem as mãos...O Brasil é nosso chão!" e "Mudança pra valer o povo faz acontecer".
A maior concentração de pessoas foi em Nossa Sra. de Aparecida, onde tudo começou. Mas, o povo está em todo lugar e, por isso, aproximadamente, 1.500 eventos simultâneos aconteceram. Todos de forma pacífica, pois, para eles "a chamada revolução brasileira só se fará ao ritmo da música e da dança, ao som de tambores e violas e sob olhares e sorrisos da mais viva esperança".
Em São Paulo as tribos indígenas Pankararu e Pankarere foram "para acordar os governantes que lugar de índio não é na cidade é no mato. Somos os donos da terra só no papel", conforme explica o presidente do Conselho Nacional Indígena, Manuel Alexandre Sobrinho, conhecido como Bino Pankararu. O Arsenal da Esperança, uma comunidade da igreja católica que atende cerca de 1.150 pessoas com oferecimento de cursos, alimentação e até moradia, pediu por paz e melhores condições de vida. "A luta é para estar perto das pessoas sofredoras e mostrar como elas podem dar a sua contribuição para melhorar o país também", acredita o coordenador do Arsenal, Gianfranco Mellino. Edson Rita, Marlene Rosa e seus acompanhantes da Casa da Solidariedade defendiam a causa negra e emprego. Havia ainda catadores de lixo, Sem Terra, moradores de rua, mulheres e até crianças.
Todos guiados pelo som do povo: "Viver e não ter a vergonha de ser feliz, cantar e cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz... eu sei que a vida podia ser bem melhor e será... Milton Nascimento, Chico Buarque e Geraldo Vandré. Com uma trilha sonora destas a orquestra sinfônica do povo só podia ser sucesso. E foi. Os moradores saiam às janelas, alguns participavam cantando e balançando os braços, outros registravam o fato e alguns só olhavam com cara de quem nada entendia: um monte de gente, música, panelaço, faixas coloridas como representação das mulheres, uma boneca "nega maluca", carteira de trabalho em branco em tamanho gigante e até um caixão eram alguns dos artefatos que contribuíam para a organizada bagunça. A grande mídia tudo registrou e transmitiu mas a grande maioria, com exceções é claro, resumiu: manifestação em comemoração ao dia sete de setembro// ...uma movimentação organizada pela igreja católica...// protestos contra o mensalão...dá ibope!!!






