População quer maior participação do Estado nas telecomunicações
População quer maior participação do Estado nas telecomunicações
Uma proposta de política pública, que consistia em 21 perguntas colocadas para discussão em sociedade a respeito do setor de telecomunicações, recebeu 2.612 contribuições e apontou que a população sente falta do Estado nesse setor.
A proposta foi colocada em consulta pública através da portaria 179 do Ministério da Comunicação, em abril deste ano, e tinha dois de junho como prazo final para o recebimento de contribuições, mas a data foi estendida até a noite da última quarta-feira (9).
Entre as sugestões colocadas pela população, verificou-se que muitas exigiam uma certa "volta do Estado" ao setor de telecomunicações, cuja privatização completa uma década este ano.
"Com uma empresa estatal no comando do projeto, com o propósito de geri-lo, o desenvolvimento e produção dos serviços poderia se dar por meio de metas estabelecidas pelo governo, não ficando a mercê das operadoras privadas", diz José Eduardo Penello Temporão, na sua sugestão.
"O regime não deveria ser cem por cento privado. Nenhuma operadora vai disponibilizar o serviço para todos os brasileiros. Se o governo não entrar com seu 'capital escasso', dificilmente teremos um projeto abrangente", reitera ele.
Leonardo Gadelha Sampaio também defende uma maior participação do Estado e relembra a Telebrás - companhia estatal que coordenava as operadoras de telefonia de todos os Estados do país até 1998. "Para estruturar a banda larga é preciso fazer um raio-X do país por renda, população, localização dos municípios. Nas classes D e E, o Estado tem que entrar, assim como nos municípios pobres e nos mais distante, e a Telebrás é a solução para isso", afirma.
Matheus de Lima alega que uma empresa estatal faz-se necessária para centralizar a infra-estrutura de banda larga "porque é anticonstitucional a população brasileira pagar para que empresas privadas recebam o nosso dinheiro, por mais que elas invistam em infra-estrutura, ela nunca será nossa (falta de soberania nacional), e pior, as empresas privadas poderão cobrar o valor que elas quiserem por um serviço. Igual à praga de pedágios que estamos enfrentando hoje, mas este é um caso muito mais delicado, estamos falando de informações, imaginem uma rede privada tomar conta de cada informação pública transmitida".
Felipe Soares Silveira propõe, explicitamente, que o governo invista em "uma empresa pública de telecomunicações".
O advogado Marcelo Bechara, membro do conselho consultivo da Anatel, afirmou que o Ministério quer, o quanto antes, apresentar uma política pública à sociedade, "mas não vai se deixar levar pela pressa" e que, por isso, além de ter ampliado o prazo para contribuições, a pasta também vai permitir que os internautas comentem as sugestões, como em uma réplica, "para amadurecer ainda mais o debate", disse.
Para ele, quando a população fala na presença do Estado, "não é necessariamente uma volta à estatização, mas é que as pessoas sentem que, depois desses dez anos, ainda há muito a ser feito".
Bechara citou o celular como exemplo. "As pessoas usam pouco o celular porque ele ainda é caro". Além disso, acrescentou que "a Internet se tornou um serviço básico", mas a banda larga também é considerada cara e não está disponível em todo o país. "As pessoas sentem que falta uma visão mais social", completou.
Com informações da Reuters
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