Política do desserviço
Política do desserviço
Estava eu na redação de IMPRENSA, pronta para juntar minha papelada e ir para casa, quando lembrei que havia "furado" - no mau sentido - meu compromisso semanal de publicar minha coluna. Pensei em inúmeros temas, mas nenhum fazia o menor sentido no momento em que olhava para a tela vazia do computador.
Então, abri meu messenger e pedi, literalmente, o auxílio dos universitários. Chamei meu brilhante ex-estagiário, Gustavo Simon, que hoje trabalha na redação da Men's Health , na Editora Abril, e pedi cola de um tema. Ele "soprou" o horário eleitoral gratuito dos candidatos à Câmara de Vereadores. Abracei a idéia e aqui vou eu.
Desde o dia 19/08, o telespectador brasileiro é obrigado a assistir à popularmente chamada "propaganda política". Candidatos à Prefeitura e à Câmara de Vereadores tomam a programação da TV aberta para (tentar) falar sobre suas propostas e feitos.
No caso dos candidatos a prefeito ainda vá lá. São em número mais reduzido, e têm tempo suficiente para tentar alguma coisa. Já no caso dos candidatos a vereador, o negócio fica mais difícil. São centenas, que mal têm tempo de falar seu número de registro. Propostas? Muitos, quando vão falar, na tentativa de aproveitar seus preciosos segundos, tentam usar a estratégia do finado Enéas: falam o mais rápido que podem para "expor" suas idéias. Resultado? Fracasso geral. Nunca vi ninguém, principalmente em grandes centros urbanos, decidir seu voto em razão da campanha na TV.
Ainda que você simpatize com algum candidato, é quase impossível anotar o número da figura no tempo em que ele aparece na telinha. Meu conselho: mantenha um bloquinho e uma caneta por perto. O cara apareceu? Olho no número e esqueça o resto!!!
Na verdade, a brincadeira é simplesmente uma forma de mostrar que, principalmente no caso dos candidatos à Câmara de Vereadores, o Horário Eleitoral Gratuito é uma grande roubada. E, se o telespectador estiver de bom humor, o máximo que o programa consegue é fazer com que os candidatos mais "curiosos" sejam lembrados, por alguma "característica" especial. Dentre elas, as propostas políticas não são uma opção.
Nessa hora é que eu louvo a TV por assinatura, que me poupa do passatempo obrigatório. Para quem não tem TV a cabo e não agüenta mais do mesmo, sugiro que seja esse o momento de se jantar em família com a TV desligada, ouvir música ou colocar em dia a leitura.
Lembre-se, é claro, de que é importante votar com consciência, analisar propostas, saber que o voto é um importante instrumento da democracia. Mas, cá entre nós, não é no minguado tempo que os candidatos à Câmara têm na TV que eles poderão mostrar a que vieram. Boa sorte, então, aos eleitores brasileiros.






