Polícia identifica viaturas que deram suporte à milícia no caso O Dia

Polícia identifica viaturas que deram suporte à milícia no caso O Dia

Atualizado em 04/06/2008 às 09:06, por Redação Portal IMPRENSA.

Polícia identifica viaturas que deram suporte à milícia no caso O Dia

A polícia já sabe quais são as patrulhas que estiveram na Favela do Batan, em Realengo, no Rio de Janeiro (RJ), quando uma equipe do jornal O DIA e um morador da comunidade foram torturados por uma milícia que atua no local.

A identificação foi feita pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas e ao Crime Organizado e Inquéritos Especiais (Draco-IE). A informação foi confirmada, na última terça-feira (03), pelo deputado Raul Jungmann, presidente da Comissão de Segurança Pública da Câmara, ao fim da reunião na Secretaria de Segurança Pública do Rio com o secretário José Mariano Beltrame.

"O secretário disse que está muito próximo de apresentar o mandante. Tem informações que foram checadas com o GPS das viaturas que transitaram por lá naquele período", disse Jungmann.

Beltrame não quis entrar em detalhes e disse apenas que o inquérito está estruturado para que se peça a prisão dos acusados. "Quando a gente fizer a prisão, vocês terão a condição de perceber a dimensão disso, até aonde isso chega", afirmou, garantindo que a polícia vai chegar à alta cúpula da milícia.

O delegado Cláudio Ferraz, titular da Draco, afirmou, na ocasião, que investiga a presença de um assessor de parlamentar do Rio na casa onde foram torturados repórter, fotógrafo e motorista de O DIA e morador da favela. De acordo com Ferraz, a informação consta no inquérito que apura o caso. As suspeitas, no momento, são sobre um deputado estadual e um vereador. "Nós estamos apurando. Esse assessor teria se apresentado aos profissionais e a voz dele foi reconhecida no cativeiro", afirmou Ferraz.

O delegado Claudio Ferraz recebeu informações ainda de que dentro do Campo de Gericinó, área do Exército, há um cemitério clandestino. "Existe essa informação, mas será difícil encontrar. Em 2006, quando estava na Delegacia Anti-Seqüestro, estourei um cativeiro no Batan, mas, para isso, entrei por um muro em Gericinó", contou Ferraz.

Do encontro na Secretaria de Segurança participaram também os deputados Marina Maggessi (PPS) e Nilton Moulin (PR), além do comandante-geral da PM, coronel Gilson Pitta Lopes, o delegado Cláudio Ferraz e os subsecretários Edval Novaes e Roberto Sá.

Raul Jungmann mostrou preocupação com a possibilidade de envolvimento de políticos com os milicianos. "Não temos informação da participação de vereador ou deputado na milícia do Batan, mas preocupa o fato de que, se o tráfico não tem votos, as milícias têm, elegem parlamentares e fecham as comunidades para esse ou aquele candidato", alertou.

Integrante da comissão, a deputada e delegada Marina Maggessi afirmou que acredita no envolvimento de servidores públicos com a milícia. "A milícia é um grupo voltado para o lucro. Deve ter vereador, deputado, padre, pastor, motorista de ônibus. Tem envolvimento de todo mundo, porque é a nossa sociedade. O Rio de Janeiro, é um caldo só. Só gostaria que, quando aparecesse o nome, fosse uma coisa comprovada. Estamos num ano eleitoral e isso é muito perigoso", advertiu.

Com informações do jornal O Dia

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