Polícia argentina realiza buscas em sede da Papel Prensa

Polícia argentina realiza buscas em sede da Papel Prensa

Atualizado em 01/12/2010 às 08:12, por Redação Portal IMPRENSA.

Em cumprimento de ordens judiciais, a polícia argentina apreendeu, na última terça-feira (30), documentos na sede da produtora Papel Prensa que teriam relações com supostas irregularidades contábeis denunciadas pelo governo da Argentina. As buscas incluíram livros de ata e arquivos de computador, segundo informou o jornal Folha de S.Paulo.

A Papel Prensa é a maior produtora de papel-jornal do país, e se tornou um dos principais alvos da briga entre a presidente Cristina Kirchner e os jornais de oposição Clarín e La Nación . As ações da empresa estão divididas entre as publicações e o Estado argentino, e, atualmente, Cristina tenta excluir os veículos de imprensa do controle da produtora.

Os documentos apreendidos pela polícia estão relacionados a um processo em que o governo acusa os sócios privados da Papel Prensa de produzirem balanços "falsos" ao longo de 32 anos. Os acionistas possuem, juntos, 72% do controle da produtora, e teriam se beneficiado, concedendo descontos a si próprios na compra de papel-jornal.

Para Daniel Reposo, funcionário do governo argentino responsável pela administração das parcerias com a iniciativa privada, os arquivos apreendidos na sede da empresa auxiliarão a Justiça na investigação sobre um suposto esquema de extorsão atribuído ao Grupo Clarín - detentor da maior parte das ações da Papel Prensa e proprietário do jornal Clarín . O Grupo, segundo Reposo, teria usado informações de cartões de crédito privados de juízes para fazer chantagem e obter sentenças favoráveis a suas empresas.

Em nota, os dois jornais negaram as acusações, e declaram que as buscas realizadas na Papel Prensa seriam um "atropelo". "Os acionistas privados da Papel Prensa consideram que é abusivo e desproporcional o procedimento judicial, que é mais um elo da perseguição da qual a empresa é vítima há um ano e meio."

Além disso, os acionistas privados afirmaram que nunca se negaram a atender pedidos da Justiça, e alegam que as supostas irregularidades já foram investigadas pela Justiça Comercial da Argentina, dispensando a necessidade de novas buscas no local.

As duas publicações oposicionistas também são acusados pelo governo argentino de terem adquirido as ações da Papel Prensa de forma ilegal, na década de 1970, depois que os antigos proprietários foram torturados, caracterizando transação ilegal. Em setembro deste ano, Cristina anunciou que denunciaria os dirigentes dos jornais, acusando-os de serem cúmplices de crime de extorsão, ameaça, privação ilegítima de liberdade, sequestro e homicídio.

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