Polêmica sobre prisão de jornalista chama atenção para corrupção na imprensa chinesa
A prisão do jornalista Chen Yongzhou, detido por denunciar em série de reportagens supostas fraudes da segunda maior fábrica de máquinas de construção do país, provavelmente sob encomenda de rivais, revelou a situação de vulnerabilidade da imprensa chinesa, constantemente afetada pela censura.
De acordo com o jornal O Povo , subornos em troca de silêncio e matérias compradas são comuns no país. Ainda não se sabe se o repórter denegriu a empresa sob encomenda ou se sua "confissão" na TV estatal foi verdadeira.
Segundo Zhan Jiang, professor de jornalismo em Pequim, a corrupção na imprensa decepcionou profundamente o povo chinês. Ele conta que, diversas vezes, apelou aos profissionais para não aceitarem "envelopes vermelhos", que contêm dinheiro e são entregues tradicionalmente em grandes festas ou como presentes.
No China, os envelopes também são entregues regularmente em coletivas de imprensa por empresas, como uma maneira de garantir uma reportagem positiva. A prática abriu espaço para que golpistas se utilizem de carteiras falsas de jornalistas e assistam a coletivas apenas para conseguir um dos “presentes”.
O jornalista Chai Huiqun, do semanário Souther Weekend , diz que o recebimento de envelopes é uma regra oculta na mídia chinesa. Coletivas de imprensa sem presentes são encaradas como anormais. "Para alguns jornalistas, os presentes em dinheiro são a principal fonte de renda", esclarece o repórter.
Além disso, jornalistas também aceitam suborno para ficarem calados. Em casos de acidentes em minas, por exemplo, eles se dirigem ao local para cobrar as mineradoras por seu silêncio. Em 2008, cerca de dez jornalistas pediram cerca de 250 mil euros para não relatar sobre um desastre numa mina que provocou a morte de 34 pessoas, na província de Hebei.
Agnès Gaudu, especialista em China do semanário francês Courrier International, aponta que os salários baixos e a falta de ética profissional seriam fatores contribuintes de jornalistas chineses frente ao suborno. Para ele, no entanto, o principal motivo seria o fato de os jornalistas chineses não disponibilizarem de condições independentes de trabalho.
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