Polêmica: Só não vale dedo no olho
Polêmica: Só não vale dedo no olho
Fotos: Arquivo Imprensa
Franklin Martins, da Rede Globo, e Diogo Mainardi, da Veja , duelam em público e retomam a esquecida tradição das polêmicas a céu aberto na imprensa. O primeiro é acusado de se beneficiar da função jornalística para indicar familiares ao governo e de ter participado da quebra de sigilo do caseiro Francenildo; o segundo, de atirar sem provas e difamar jornalistas de primeira grandeza das redações. Não se sabe até quando dura a briga e se haverá terceiro round . Façam as apostas.
Não leio a coluna dele. Não polemizo com jornalistas". Em dezembro do ano passado, essa foi a resposta do jornalista Franklin Martins ao repórter de IMPRENSA, quando questionado o que tinha a dizer sobre a inclusão do seu nome no recém-criado "Tribunal Macartista Mainardiano". O nome do tribunal foi um auto-deboche do colunista Diogo Mainardi, que naquela semana decidira, em seu espaço na Veja , despender uma cruzada contra uma suposta "promiscuidade" entre jornalistas e políticos. Não foi a primeira vez que Mainardi atacou seus "coleguinhas", mas sua coluna de 7 de dezembro inaugurou o período de caças às bruxas que transformou o colunista em um dos nomes mais odiados entre os medalhões da imprensa nativa. "Tereza Cruvinel é lulista do PCdoB e aparelhou O Globo da mesma maneira que os lulistas aparelharam os orgãos públicos. Kennedy Alencar, da Folha , é o taquígrafo do secretário de Imprensa de Lula. Franklin Martins é Dirceu até a morte. Eliane Cantanhêde é da turma do Aloizio Mercadante..." (ver box ao lado). "Meu objetivo é denunciar essa promiscuidade que existe entre o jornalismo e a política", explica Diogo, que, na sua coluna de estréia do Tribunal, deixou claro: "Minha maior diversão é tentar adivinhar a que corrente do lulismo pertence cada jornalista".
Na seqüência deste primeiro paredão de palavras, quase nenhum dos "acusados" comprou a briga. Não queriam dar mais holofote para Mainardi.
Quatro meses depois de instaurar seu tribunal, Diogo Mainardi voltou à carga, só que dessa vez seu alvo da hora, no caso Franklin Martins, resolveu reagir. Diferentemente do primeiro round , no segundo, Diogo fez acusações sérias, que tiraram o sóbrio Franklin, "que não polemiza com jornalistas", do sério: o comentarista da Globo foi acusado de se favorecer das relações com o poder, ao ter o irmão indicado à diretoria da Agência Nacional de Petróleo. Nessa coluna, também sobraram ataques a Eliane Cantanhêde, Luís Costa Pinto e Helena Chagas. Inconformado, Franklin escreveu uma carta aberta a Veja , de três páginas - que foi ignorada pela revista mas que circulou pela Internet, onde definitivamente ele comprou a briga, para a alegria de Mainardi. Além de negar que tenha feito pressão pela nomeação do irmão, Franklin lançou um desafio ao colunista: quem não tivesse razão - melhor, estivesse mentindo - deveria abandonar o cargo jornalístico. O comentarista da Globo colocou seu posto à disposição se algum senador confirmasse que ele teria sido beneficiado. O mesmo solicitou a Mainardi.
A resposta de Mainardi, em sua coluna na semana seguinte, subiu uma oitava na gravidade das acusações: "Nas últimas semanas, o que se mais se comentou no meio jornalístico foi que Franklin Martins teria integrado o comando que quebrou o sigilo do caseiro Francenildo Costa". IMPRENSA tentou falar com Franklin para saber até onde levaria esse duelo, mas ele está em férias e seu celular permanece na caixa postal. Já Diogo falou com IMPRENSA e explicou de onde tirou essa informação: "Tenho fonte em tudo que é lugar. Essa história do Francenildo tem sido muito comentada. Posso levar 15 jornalistas que ouviram essa história".
Leia entrevista completa na edição 212 (Maio/2006) da revista IMPRENSA






