Plataformas jornalísticas do NE formam parceria para cobrir afundamento do solo em Maceió

Rompendo o modelo de atuação guiado pela busca incessante por furos e competição voraz por audiência - que, diga-se, é tão usual entre veículos de notícias tradicionais -, três plataformas de jornalismo digital com sede no nordeste do país (Marco Zero Conteúdo, Mídia Caeté e Olhos Jornalismo) se uniram para cobrir em conjunto a crise causada pelas atividades de mineração da Braskem em Maceió (AL).

Atualizado em 05/12/2023 às 09:12, por Redação Portal IMPRENSA.


Batizada de Redação Nordeste!, a iniciativa visa otimizar recursos e conhecimentos, a fim de mostrar o ponto de vista das pessoas diretamente impactadas pelo afundamento do solo que atinge a capital alagoana.


Com sede em Recife (PE), a Marco Zero Conteúdo enviou para Maceió os jornalistas Sergio Miguel Buarque e Inês Campelo, que se juntaram a Wanessa Oliveira e Marcel Leite, da Mídia Caeté, e Géssika Costa, da Olhos Jornalismo.

Crédito: Reprodução Imóvel residencial abandonado em Maceió: décadas de extração de sal-gema expulsaram 60 mil moradores

Juntos eles estão produzindo reportagens que estão sendo publicadas simultaneamente nos três veículos de notícias. Uma delas revela que os moradores dos bairros atingidos pelo problema estão recebendo com descrédito as informações que sugerem estabilização do solo.


Golpe para acelerar remoções

De acordo com a apuração, os moradores deixaram de acreditar nos comunicados oficiais que reportam redução na velocidade do afundamento. As medições que suscitam desconfiança na população são fornecidas pela Defesa Civil Municipal, pela própria mineradora e por órgãos de pesquisa. Muitos moradores, inclusive, acreditam que a iminência de um colapso seria “um golpe” para acelerar as remoções.


O desastre afeta bairros tradicionais de Maceió, dentre eles Pinheiro, Mutange, Bebedouro e Bom Parto. Nestes locais, que perfazem uma área estimada em 250 hectares, quase 15 mil residências precisaram ser abandonadas, expulsando 60 mil moradores. Também foram prejudicados em torno de 5 mil negócios e demitidos 30 mil trabalhadores.


O problema todo foi causado pela extração de sal-gema. Usado na produção de cloro e soda cáustica, o sal-gema foi retirado durante décadas da região pela petroquímica Braskem, que é controlada pela Odebrecht e pela Petrobrás.


A mineração do sal-gema causou o afundamento do solo, fenômeno geológico que começou a ser percebido em 2018, quando surgiram as primeiras rachaduras nos imóveis. Segundo o Serviço Geológico do Brasil (CPRM), o desastre sócio-ambiental, considerado um dos maiores em curso no planeta, foi provocado pela atividade executada pela Braskem até 2019 em 35 minas de sal-gema.