Placar aproveita sucesso do UFC e publica edição especial sobre a competição

Em agosto de 2011, a Rede TV! marcou a maior audiência de sua história, batendo a Rede Globo (12,8 pontos contra 12,6), no momento da transm

Atualizado em 09/01/2012 às 17:01, por Guilherme Sardas.

Com 64 páginas, publicação é direcionada para não especialistas.

issão da luta entre o brasileiro Anderson Silva e o japonês Yushin Okami, na edição brasileira do UFC ( Ultimate Fighting Championship , principal competição de MMA do planeta).


Menos de dois meses depois, outro brasileiro, Junior “Cigano” dos Santos levou o americano Caín Velasquez à lona, para delírio dos telespectadores, agora, da Globo, com narração de Galvão Bueno e comentários de Vítor Belfort. Um tanto incomuns para o espectador da TV aberta, ambos os episódios foram emblemáticos do ano histórico que o esporte teve no país.


Acompanhando a tendência, a mais tradicional revista de futebol do Brasil – a Placar, da editora Abril – também inovou e acaba de lançar o Guia Placar do UFC, a primeira publicação da marca a tratar de um esporte específico, que não o futebol. Na entrevista abaixo, o diretor de redação da publicação, Sérgio Xavier, fala da ascensão do esporte no país e da motivação de lançar o produto, que chegou às bancas neste mês de janeiro, com tiragem de cerca de 30 mil exemplares.


IMPRENSA - A Placar já fez especiais sobre outros esportes ou esse é o primeiro?

SÉRGIO XAVIER – Há muito tempo atrás, já fizemos especiais sobre Ayrton Senna, mas nos últimos 15 anos pra cá, certamente, é a primeira vez que fizemos uma revista especial que não fosse futebol ou olimpíadas. Sobre um esporte específico, isso é inédito na história da Placar.


Como surgiu a ideia de fazer esse especial?

Em primeiro lugar, temos a consciência que a Placar, apesar de ser a revista do futebol, de toda essa tradição em futebol, ela não é uma revista só de futebol: ela já nasceu multiesportiva. Desde sua criação, já falava de outros esportes, como automobilismo, o próprio boxe ou esportes olímpicos. Mas, sobre o MMA, a grande questão é saber se é ou não é esporte. A partir do momento em que se chega à conclusão que, sim, que é esporte, a coisa mais natural do mundo é a Placar fazer alguma coisa. Foi mais ou menos essa a ideia que a gente teve. Tem um montão de fãs do esporte e um monte de gente entrando nisso aí. E quem é que pode explicar isso aí? Aí, a conclusão é que isso aí tem tudo a ver com a Placar.


Você acredita que o UFC possa se tornar o segundo esporte do brasileiro em cinco ou 10 anos?

Sinceramente, acho difícil. Temos que tentar delimitar o que significa ser um esporte. Uma coisa é esporte praticado, outra é esporte assistido. Em praticado, com toda certeza, não será o segundo esporte do país: vai ficar sempre atrás da corrida de rua, do vôlei, do próprio basquete, possivelmente do surf. Eu não estou nem olhando especificamente o MMA, mas das lutas em geral. Em matéria de esporte assistido, olha, a gente está vendo um fenômeno diferente. E é claro que tem a ver com a entrada da TV Globo nisso.


A Placar pretende abrir espaço para o esporte em suas edições tradicionais? Vocês já pensam em ter uma publicação regular sobre o tema?

Neste ano, certamente, vai ser o ano que vamos ver outros esportes na página da Placar, por conta de Olimípiadas. É possível que o MMA também apareça em nossas páginas, acho até que na próxima edição vai ter alguma coisa. Sobre ter uma publicação específica sobre isso é uma ideia ainda distante, essas revistas especiais, como o Guia Placar UFC, têm muito esse poder, de entender como é que funciona o mercado.


Para fazer o guia, vocês contrataram algum jornalista especializado ou a quipe da Placar fez uma imersão no assunto?

Era fundamental pegar especialistas. A gente teve uma sorte. Ao nosso lado, trabalha a Cláudia Lima, que é especialista no assunto. Ela é editora da Vip, e conseguiu fazer uma boa tradução para o público leigo do que acontece nesse esporte. Tem um detalhe: ela é lutadora. Ela já fez entrevistas com o próprio Dana White [presidente do UFC]. Ela conseguiu dar uma boa coordenada, e a gente contou com outros jornalistas especializados, tem que ter gente especializada, se não fosse assim, não ia dar certo.


Muitos lutadores vão paras as lutas com camisas, bandeiras e distintivos dos times de coração. Você acha que essa mistura entre futebol e MMA ajudar a consolidar o MMA no Brasil?

Já ajudou, na parte inicial, que é aquela de “ei, deem uma olhada que a gente está fazendo algo diferente aqui”. Num primeiro momento, foi importante, fez bastante barulho, o Minotauro é Colorado, funcionou muito bem. Mas, quanto mais o esporte for andando por suas próprias pernas, menos isso vai ser importante.



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