Pirâmide Invertida

Pirâmide Invertida

Atualizado em 28/02/2011 às 16:02, por Ana Ignacio da Redação e  Laura Cantal da Equipe de Estagiários e Luiz Gustavo Pacete da Reportagem.

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O avião começa a descer e se aproxima da pista de pouso do aeroporto internacional do Cairo. As nuvens somem no ar. Manchas disformes ganham contorno e os primeiros lampejos da cidade aparecem. Quando Tatiana Cardoso chegou à capital egípcia em 2004, da janela do avião já avistava o que é comunicação na maior cidade egípcia. Nos telhados das casas e dos prédios repousavam, estáticas, centenas de antenas parabólicas. "É uma das coisas mais engraçadas de ver quando você está descendo no avião. Chama a atenção de todo mundo... Cada uma com sua antena, cada casa, cada prédio", conta. Nos últimos anos, Tatiana viu muito essa cena. Morou no Cairo entre 2004 e 2008. Depois, por dois anos, se dividiu entre Brasil e Egito e, em dezembro de 2010, avistou os telhados com seu típico adorno tecnológico pela última vez. Planejava ficar por mais tempo na cidade para organizar o casamento com seu noivo egípcio, marcado para 28 de janeiro, dia da paralisação geral no Egito por conta das manifestações iniciadas no dia 25.

Nos dias que antecederam à festa, Tatiana começou a ter dificuldades para entrar em contato com amigos e familiares que foram ao país para o casamento. Com o corte da internet na véspera, se deu conta de que não tinha o telefone dos hotéis - e pesquisá-los ficou quase impossível. Na manhã do dia 28, Tatiana recebeu um telefonema de sua mãe, Telma. "Foi a última ligação que recebi no celular. Minha mãe ligou de um celular internacional de um jornalista brasileiro que estava no mesmo hotel que ela. O boato era de que, depois da internet, iam cortar os celulares", descreve. De fato, bloqueou-se tudo. Tatiana cancelou o casamento.

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