“Pior que perseguir o Clarín é o governo manipular a Justiça”, diz historiador argentino
Chantagem. Pressão. Ameaças. Essas são umas das armas utilizadas pelo governo argentino para ter os membros do Judiciário favoráveis aos temas que interessam a Casa Rosada.
Atualizado em 06/12/2012 às 10:12, por
Luiz Gustavo Pacete e enviado a Buenos Aires.
Entre eles, a Lei de Meios, que passará a valer no próximo dia 7 de dezembro e forçará o Grupo Clarín a desfazer-se de concessões de TV, caso os juízes não concedam um novo prazo.
A análise é do historiador Luis Alberto Romero, ex-diretor do Centro de Estudos de História Política da Universidade Nacional de San Martín e autor do livro “História Contemporânea da Argentina”. Romero, que conversou com IMPRENSA na capital argentina, afirma que o fato de o governo manipular a justiça para atacar o maior grupo de mídia do país fica pequeno perto das consequências de ter interferências políticas no judiciário nacional.
Acompanhe a cobertura completa e os desdobramentos da aplicação da Lei de Meios, desde Buenos Aires, no Portal IMPRENSA
O acadêmico explica que a atual estratégia utilizada pelo governo de Cristina Kirchner para “eliminar um inimigo” é inédita na história moderna. “O único momento parecido a esse foi entre 1945 e 1955 na primeira presidência de Perón, quando ele começou a se apropriar de diversos meios de comunicação dos quais sobraram os jornais La Nación e La Prensa . Na história recente nada semelhante aconteceu. Nem dos governos dos ex-presidentes Menem e Alfonsín”.
Luis Alberto Romero Legitimada pela Suprema Corte argentina e citada como referência até mesmo pela ONU, desde 2009, a Lei de Meios transformou-se na principal arma do governo para combater seus inimigos, sinaliza o historiador. “A questão é que o Clarín nunca foi um veículo de ideologias, ele sempre manteve sua posição de grupo econômico. Já o governo, leva tudo pelo lado ideológico e quer bater de frente na base do tudo ou nada. Essa foi uma característica de Nestor Kirchner e é o mesmo que está acontecendo agora com Cristina”.
O historiador reforça a tese de que os problemas começaram em 2008 quando o Clarín contrariou o governo ao apoiar grupos ruralistas que estavam sendo penalizados com a alta dos impostos. “O Clarín sempre foi acostumado a tratar de igual para igual com o governo. Era sempre uma negociação de poder, mas quando Kirchner foi contrariado decidiu transformar o grupo em um alvo. Aliás, essa é a estratégia adotada por esse governo: criar fantasmas e combatê-los depois”.
“A quantidade de juízes influenciados nos últimos dias não é brincadeira, em uma situação normal, os juízes não deveriam dar declarações fazendo juízo de valor como estão fazendo. A esta altura o maior dano que sofremos e o que o governo fez se intrometendo na justiça”. Romero explica que, pode até se argumentar que a Lei tem o objetivo de combater o monopólio e garantir pluralidade de opiniões, entretanto, neste caso, ele afirma que ela se transformou em uma arma para castigar o Clarín.
Pauta publicitária
Outro tema levantado pelo historiador é a utilização da pauta publicitária para domesticar os jornais. “Infelizmente podemos dizer que só temos dois jornais independentes na Argentina, o Clarín e La Nación , somente eles conseguiram se manter sem as benesses publicitárias do governo. Já os outros, entre eles o Página 12 , são insignificantes e possuem um editorial fechado com o governo”.
Nesta semana, a Editora Perfil conseguiu uma liminar pressionando o governo a adotar critérios técnicos para distribuir publicidade, uma vez que, atualmente, os jornais independentes não recebem publicidade. Diferente daqueles que adotaram linhas editorias pró-Casa Rosada que levam milhares em dinheiro mesmo tendo suas tiragens insignificantes.
O professor conclui destacando que a hostilidade utilizada por Cristina Kirchner é uma postura que tem lhe custado muito caro. A forma como ela trata jornalistas considerados opositores é também a maneira com que ela está lidando com ex-aliados de seu marido. O que segundo Romero, está fazendo com que a presidente comece a perder força, inclusive para aprovar uma nova constituição que permita um novo mandato.
A análise é do historiador Luis Alberto Romero, ex-diretor do Centro de Estudos de História Política da Universidade Nacional de San Martín e autor do livro “História Contemporânea da Argentina”. Romero, que conversou com IMPRENSA na capital argentina, afirma que o fato de o governo manipular a justiça para atacar o maior grupo de mídia do país fica pequeno perto das consequências de ter interferências políticas no judiciário nacional.
Acompanhe a cobertura completa e os desdobramentos da aplicação da Lei de Meios, desde Buenos Aires, no Portal IMPRENSA
O acadêmico explica que a atual estratégia utilizada pelo governo de Cristina Kirchner para “eliminar um inimigo” é inédita na história moderna. “O único momento parecido a esse foi entre 1945 e 1955 na primeira presidência de Perón, quando ele começou a se apropriar de diversos meios de comunicação dos quais sobraram os jornais La Nación e La Prensa . Na história recente nada semelhante aconteceu. Nem dos governos dos ex-presidentes Menem e Alfonsín”.
Luis Alberto Romero Legitimada pela Suprema Corte argentina e citada como referência até mesmo pela ONU, desde 2009, a Lei de Meios transformou-se na principal arma do governo para combater seus inimigos, sinaliza o historiador. “A questão é que o Clarín nunca foi um veículo de ideologias, ele sempre manteve sua posição de grupo econômico. Já o governo, leva tudo pelo lado ideológico e quer bater de frente na base do tudo ou nada. Essa foi uma característica de Nestor Kirchner e é o mesmo que está acontecendo agora com Cristina”.
O historiador reforça a tese de que os problemas começaram em 2008 quando o Clarín contrariou o governo ao apoiar grupos ruralistas que estavam sendo penalizados com a alta dos impostos. “O Clarín sempre foi acostumado a tratar de igual para igual com o governo. Era sempre uma negociação de poder, mas quando Kirchner foi contrariado decidiu transformar o grupo em um alvo. Aliás, essa é a estratégia adotada por esse governo: criar fantasmas e combatê-los depois”.
“A quantidade de juízes influenciados nos últimos dias não é brincadeira, em uma situação normal, os juízes não deveriam dar declarações fazendo juízo de valor como estão fazendo. A esta altura o maior dano que sofremos e o que o governo fez se intrometendo na justiça”. Romero explica que, pode até se argumentar que a Lei tem o objetivo de combater o monopólio e garantir pluralidade de opiniões, entretanto, neste caso, ele afirma que ela se transformou em uma arma para castigar o Clarín.
Pauta publicitária
Outro tema levantado pelo historiador é a utilização da pauta publicitária para domesticar os jornais. “Infelizmente podemos dizer que só temos dois jornais independentes na Argentina, o Clarín e La Nación , somente eles conseguiram se manter sem as benesses publicitárias do governo. Já os outros, entre eles o Página 12 , são insignificantes e possuem um editorial fechado com o governo”.
Nesta semana, a Editora Perfil conseguiu uma liminar pressionando o governo a adotar critérios técnicos para distribuir publicidade, uma vez que, atualmente, os jornais independentes não recebem publicidade. Diferente daqueles que adotaram linhas editorias pró-Casa Rosada que levam milhares em dinheiro mesmo tendo suas tiragens insignificantes.
O professor conclui destacando que a hostilidade utilizada por Cristina Kirchner é uma postura que tem lhe custado muito caro. A forma como ela trata jornalistas considerados opositores é também a maneira com que ela está lidando com ex-aliados de seu marido. O que segundo Romero, está fazendo com que a presidente comece a perder força, inclusive para aprovar uma nova constituição que permita um novo mandato.






