Pinga-Fogo: Pop Punk
Pinga-Fogo: Pop Punk
Depois de algumas horas de malhação na academia e uma seção de massagem a quatro mãos em um badalado salão de cabeleireiro, o Bardot Salão, na Vila Madalena, João Francisco Benedan finalmente está pronto para ser sabatinado para seção "Pinga-Fogo". O respeitável senhor Benedan responde pela alcunha de João Gordo. Sim, o ícone dos primórdios do movimento punk , que hoje o chama de traidor.
João Gordo adotou novos hábitos desde que teve sua segunda filha, ano passado, e diminuiu o tamanho do estômago para acabar com a obesidade mórbida. Apesar do figurino pai de família e da rotina light , supervisionada de perto pela esposa, a jornalista argentina Viviane Torrico, João Gordo continua ganhando a vida - e ganhando bem, segundo ele mesmo - chocando o público. Seu novo programa na MTV, o "Gordo Freak Show", que estreou em março de 2005, é um dos mais bizarros da TV brasileira. Além de mostrar "o lixo da Internet", membros da platéia e convidados inscritos participam de gincanas escatológicas - deitar em um barril cheio de cacos de vidro, girar a cabeça 180 graus, comer prego e vomitar pelo nariz, grampear o próprio corpo - enquanto esperam bandas de heavy metal subirem ao palco. "Fiquei indignado por não ter entrado no ranking da baixaria", reclama. Além do show de bizarrices, Gordo continua com seu talk show , o "Gordo a Go Go", em que faz as entrevistas que, não raro, acabam em pancadaria. "O trampo na MTV é uma boiada", diverte-se.
Participaram deste "Pinga-fogo" Paulo Bonfá, seu colega na MTV; Luiz Chagas, editor-assistente de cultura na IstoÉ ; Guy Corrêa, jornalista e músico; Falcão, cantor e rei do brega; Lobão, cantor; Marcelo Tas, apresentador da Rede 21; Fernando Gabeira, deputado federal (PV-RJ), Diógenes Campanha, repórter da revista IstoÉ Gente ; e claro, João Benedan, que falou sobre baixaria, música, política e vida saudável.
IMPRENSA - Você ainda "odeia a imprensa" e acha que "jornalista é um bando de xereta"?
JOÃO GORDO - Tem jornalista que é bem intencionado e tem jornalista que não. Tem cara que distorce tudo, que aumenta...
IMPRENSA - Existe algum veículo com o qual você não fala de jeito nenhum?
GORDO - Eu não gosto de falar com revistas tipo Capricho , que só publicam coisa fútil para menina, tá ligado? Não tenho nada o que dizer para eles, mas eles estão sempre me procurando. Já aumentaram uma coisa que eu falei sobre a Galisteu... Não lembro se foi na Contigo ou na Capricho ... Elas são todas iguais. Esse ramo de fofoca, de coisa fútil, é foda ( sic ).
PAULO BONFÁ, apresentador do programa "Rock Gol", da MTV - Quais os convidados que se recusaram a dar entrevista e o que você perguntaria para essas pessoas?
GORDO - Muita gente tem medo do meu programa. A morena do Tchan!, a Sheila Carvalho, é um exemplo. Ela recusou o convite porque achou que eu ia perguntar quem já tinha comido ela. Outro grande não que recebi foi da mãe do Cazuza. A mulher deve me odiar... Eu sempre desci a lenha no Cazuza. Hoje eu admiro o cara, mas na época em que o conheci, eu era um punk louco, completamente maluco, radical. E ele era uma bicha doida, deslumbrada. Aprontava "mil e umas". Quando eu tive o desprazer de conhecer ele no Satã [casa noturna de São Paulo], ele me agarrou... Toda vez que eu encontrava com Cazuza, ele me provocava para eu dar uns tapas nele. A mãe dele pegou esse "puta bode" ( sic ) meu...
Leia a matéria completa na edição 209 (janeiro-fevereiro) de Imprensa





