PF prende policial acusado de matar jornalista durante ditadura argentina

Na última segunda-feira (6/7), agentes da Polícia Federal (PF) que representam a Interpol no Rio Grande do Sul prenderam o policial argentino Roberto Oscar González, de 64 anos, procurado por crimes durante a no país.

Atualizado em 08/07/2015 às 12:07, por Redação Portal IMPRENSA.

Ele é acusado de assassinar o jornalista e escritor Rodolfo Walsh, em março de 1977.
Crédito:Wikimedia commons Policial argentino preso no Brasil é acusado de assassinar o jornalista Rodolfo Walsh (foto) em 1977
Segundo Agência O Globo, González foi preso em Viamão, região metropolitana de Porto Alegre (RS), na oficina mecânica em que trabalhava de modo informal. Além da acusação da morte de Walsh, ele também era procurado pelos crimes de sequestro, cárcere privado, tortura, ameaça, roubo qualificado e outros delitos.
Walsh, autor do clássico livro-reportagem “Operação Massacre” (1957), desapareceu em Buenos Aires um ano depois do golpe militar que derrubou Isabel Perón. O corpo do escritor, que era militante da organização Montoneros, nunca foi encontrado.
O policial argentino atuou nos sistemas de repressão oficiais do país entre 1976 e 1983. Após a redemocratização, o policial continuou praticando crimes comuns até 1997. O acusado foi recolhido à carceragem da PF em Porto Alegre e deve aguardar em um presídio militar até a extradição, já autorizada.
A PF também havia localizado um segundo policial acusado do desaparecimento de Roberto Walsh: Pedro Osvaldo Salvia, 62 anos. Ele vivia na mesma casa com o policial capturado, mas morreu no dia 17 de junho. O corpo está recolhido no Instituto Médico Legal (IML) e ficará à disposição das autoridades argentinas.
Em 2011, a Justiça do país vizinho condenou o militar Jorge Acosta, conhecido como El Tigre, e outros oficiais das Forças Armadas por integrarem o Grupo de Tarefas 3.3.2, da Escola de Mecânica Armada (Esma), pela execução de Walsh. Integrantes do grupo foram considerados culpados por sequestrar e torturar amigos, parentes e vizinhos do escritor para descobrir onde ele estava.
Dois anos mais tarde, a PF já havia prendido em Paraty, no litoral do Rio de Janeiro (RJ), Gonzalo Sánchez, acusado pelos mesmos crimes. Ainda seguem foragidos, supostamente no Brasil, os policiais Juan Carlos Liñarez e Juan Carlos Fotea, também acusados de participação na morte de Walsh.