Peter Greste sugere criação de declaração universal dos direitos da imprensa

Jornalisa australiano que passou 400 dias preso no Egito afirmou que governo usam "guerra ao terror" como desculpa para praticar censura.

Atualizado em 26/03/2015 às 16:03, por Redação Portal IMPRENSA.

Em uma entrevista coletiva na sede do Clube Nacional de Imprensa, nos EUA, o jornalista australiano Peter Greste, que passou 400 dias preso no Egito, falou sobre o estado da liberdade de imprensa no mundo. Ele sugeriu a criação de uma declaração universal dos direitos dos jornalistas e disse que a "guerra ao terror" é usada como pretexto para que governos pratiquem censura.
Crédito:Reprodução Peter Greste propões tratado universal dos direitos da imprensa
Segundo o Guardian , a ideia da declaração surgiu na prisão, em conversa com o colega Baher Mohamed, outro jornalista da Al Jazeera preso no Egito, que segue aguardando um novo julgamento no país. "Seria como definir uma norma determinando o relacionamento entre governos e a mídia. Iria garantir as responsabilidades de cada um, e poderia ser usada como uma referência para que ambos pudessem ser avaliados", disse.
Sobre sua prisão, o jornalista criticou a mentalidade do governo egípcio, onde, segundo ele, o "nós contra eles" faz com que o trabalho dos jornalistas seja dificultado. Greste e seus colegas da Al Jazeera foram presos sob a acusação de "apoiar" a Irmandade Muçulmana, grupo classificado como uma organização terrorista pelo país.
"Nesse novo mundo, simplesmente fazer perguntas sobre um determinado conflito - ou investigar seriamente o extremismo e a forma como o governo lida com ele - é fazer de si mesmo um alvo. O problema para nós jornalistas é que, nesse conflito, não existe uma parte neutra, nenhuma posição segura de onde podemos trabalhar. Na prática, o que tem acontecido é que a mídia se tornou um campo de batalha", disse Greste.
O jornalisa aproveitou para agradecer o apoio da imprensa internacional no caso de sua prisão e a dos colegas da Al Jazeera. "Nós, da imprensa, somos impossíveis de nos organizar. Somos questionadores por natureza, e preferiríamos competir do que cooperar. O único momento em que alguns de nós movem-se na mesma direção é quando estamos indo para o bar."
"Posso apostar que jornalistas nunca se uniram por uma causa em comum da maneira que fizeram por nós. Na verdade, não foram só jornalistas, mas também políticos se uniram. Quantas vezes você pode dizer de verdade que jornalistas e políticas ficaram do mesmo lado?", acrescentou Greste, arrancando risos dos repórteres presentes. Ele agradeceu o apoio e dedicou sua persistência à família, além de pedir liberdade para os colegas ainda presos.