Pesquisadores estudam a abordagem das revistas sobre a síndrome do pânico / Por Abel Oliveira - (BA)
Pesquisadores estudam a abordagem das revistas sobre a síndrome do pânico / Por Abel Oliveira - (BA)
Atualizado em 25/06/2005 às 11:06, por
Abel de Oliveira e estudante de jornalismo da FTC (BA).
Por Pesquisadores em jornalismo vinculados à Faculdade de Tecnologia e Ciências (FTC) de Itabuna, no sul da Bahia, estão desenvolvendo um trabalho de análise de conteúdo das principais revistas periódicas do país, procurando identificar de que maneira são abordadas as matérias sobre a Síndrome (ou Transtorno) do Pânico. O objetivo do trabalho é identificar as linguagens e os conteúdos mais adequados para tratar desta questão com vistas a auxiliar os portadores da doença.
A Síndrome do Pânico ou Transtorno do Pânico (TP) é um distúrbio comportamental que atinge atualmente cerca de quatro milhões de brasileiros. Apesar de ser reconhecida como doença há menos de uma década, é um evento antigo na humanidade, que a rotulou de diversas formas ao longo do tempo. Alguns a definiam como neurastenia cardiocirculatória. Outros, como Freud, preferiram chamá-la de "neurose ansiosa", título que se manteve até 1980, quando o quadro foi subdividido entre Doença do Pânico e Transtorno de Ansiedade Aguda ou Generalizada.
O que determina a diferença entre as Reações de Ansiedade e TP é o fato de que, no primeiro caso, os fatores geradores são agentes externos que ameaçam de forma clara e consistente a vida do indivíduo, como catástrofes, acidentes, panes e outras ocorrências reais. No caso do Transtorno do Pânico, o agente que causa a crise é sempre involuntário e interno - ou endógeno - podendo ser irreal.
Ambos vêm acompanhadas de grande estímulo do sistema nervoso autônomo caracterizados por boca seca, aceleração dos batimentos cardíacos, palpitação, palidez, sudorese e falta de ar, entre outros sintomas periféricos. Este conjunto de manifestações, que se denomina "reações de alarme", adaptam o organismo para situações involuntárias, preparando-o para a fuga, luta ou defesa diante do perigo eminente, ainda que este possa ser irreal e mesmo improvável.
O fato de estarem relacionadas a medos nem sempre justificados pela realidade factual não faz das Reações de Ansiedade e do Transtorno do Pânico doenças "inventadas". Ao contrário, são patologias reais e incapacitantes, estando ligadas à modernidade e ao stress cotidiano a ela inerente.
O avanço tecnológico e o conseqüente aumento do ritmo de vida vem obrigando o ser humano a adaptar-se para atender à nova demanda social. Viver conectado à realidade - e utilizar-se, para isso, de meios diversos como Internet, telefones, rádios, jornais, revistas e televisores, entre outros - tornou-se prática de vida e condição para a sobrevivência.
O "estado de alerta" em que vive a maioria das pessoas, especialmente nas grandes e médias cidades, torna o homem um ser on-line, permanentemente conectado, sem descanso ou qualquer tipo de relaxamento. Isto, aliado à onipresença dos meios de comunicação, que auxiliam na efetivação dessa conexão permanente do homem com a sua realidade local e com a realidade de todos (ou global), eleva o grau de ansiedade e, consequentemente, de stress. O mecanismo, imperceptível para quem o vive, resulta por enclausurar o homem moderno em si mesmo, tornando-o vítima do seu ritmo e do seu tempo.
Em virtude do aumento de casos identificados com este tipo de doença, a ciência tem feito esforços para encontrar formas de levar alívio e cura a estas pessoas, inclusive através da informação. Apesar disso, as informações disponíveis nos meios de comunicação ainda são em pequeno número, com conteúdo genérico, superficial e de difícil compreensão, pelo menos essa é a primeira conclusão da pesquisa realizada em Itabuna (BA), sob orientaçao da jornalista e professora Eliana Albuquerque.
Os estudos mostram que as reportagens diretamente ligadas ao tema ou a temas similares, publicadas entre os anos de 2003 e 2005, nas revistas Veja, Isto É, Galileu e Superinteressante, todas de circulação nacional,. tendem às generalidades e pouco é aprofundado sobre as causas e efeitos desses distúrbios. Isso, de certa forma, contribui para o preconceito e a marginalização dos pacientes.
O trabalho dos pesquisadores conclui que as revistas publicaram, em dois anos, oito reportagens de capa sobre temas ligados aos distúrbios de comportamento, mas apenas uma sobre a Síndrome do Pânico específicamente. Mesmo assim, não como uma doença que tem feições próprias e sim como algo diluído dentro do termo genérico de "depressão". Assim, as matérias são úteis para quem tem um conhecimento prévio e já consolidado sobre o tema, mas não para aqueles leitores que nada sabem sobre o assunto.
Outro aspecto observado pela pesquisa é que a revista trata as questões relativas à mente como se estas estivessem relacionadas à vontade individual, ao caráter e ao temperamento de cada pessoa, mas não a uma patologia real e incapacitante. Isso pode contribuir para aumentar o preconceito ou, pior que isso, intimidar aqueles que ainda não são diagnosticados e que, por medo de serem discriminados e rotulados, preferem não procurar ajuda médica.
Submetendo as reportagens à avaliação de pessoas que sofrem deste tipo de distúrbio, os pesquisadores observaram que a maioria as consideram úteis porque mostram haver mais casos que o delas próprias, reduzindo a sensação de diferença e solidão diante do conjunto da sociedade, mas também admitem que a matéria não aprofunda o tema como uma doença e sim o trata como algo que, se quiser, a própria pessoa pode evitar. Assim, remete de volta ao paciente a responsabilidade sobre sua própria doença, como se este, uma vez querendo, fosse capaz de evitar as crises.
O trabalho dos pesquisadores de Jornalismo da FTC de Itabuna (BA) continua em andamento. Eles esperam, ao final, apontar de que maneira os jornalistas devem abordar temas relacionados à saúde, servindo para o esclarecimento e orientação daqueles que sentem na pele esses problemas.
A Síndrome do Pânico ou Transtorno do Pânico (TP) é um distúrbio comportamental que atinge atualmente cerca de quatro milhões de brasileiros. Apesar de ser reconhecida como doença há menos de uma década, é um evento antigo na humanidade, que a rotulou de diversas formas ao longo do tempo. Alguns a definiam como neurastenia cardiocirculatória. Outros, como Freud, preferiram chamá-la de "neurose ansiosa", título que se manteve até 1980, quando o quadro foi subdividido entre Doença do Pânico e Transtorno de Ansiedade Aguda ou Generalizada.
O que determina a diferença entre as Reações de Ansiedade e TP é o fato de que, no primeiro caso, os fatores geradores são agentes externos que ameaçam de forma clara e consistente a vida do indivíduo, como catástrofes, acidentes, panes e outras ocorrências reais. No caso do Transtorno do Pânico, o agente que causa a crise é sempre involuntário e interno - ou endógeno - podendo ser irreal.
Ambos vêm acompanhadas de grande estímulo do sistema nervoso autônomo caracterizados por boca seca, aceleração dos batimentos cardíacos, palpitação, palidez, sudorese e falta de ar, entre outros sintomas periféricos. Este conjunto de manifestações, que se denomina "reações de alarme", adaptam o organismo para situações involuntárias, preparando-o para a fuga, luta ou defesa diante do perigo eminente, ainda que este possa ser irreal e mesmo improvável.
O fato de estarem relacionadas a medos nem sempre justificados pela realidade factual não faz das Reações de Ansiedade e do Transtorno do Pânico doenças "inventadas". Ao contrário, são patologias reais e incapacitantes, estando ligadas à modernidade e ao stress cotidiano a ela inerente.
O avanço tecnológico e o conseqüente aumento do ritmo de vida vem obrigando o ser humano a adaptar-se para atender à nova demanda social. Viver conectado à realidade - e utilizar-se, para isso, de meios diversos como Internet, telefones, rádios, jornais, revistas e televisores, entre outros - tornou-se prática de vida e condição para a sobrevivência.
O "estado de alerta" em que vive a maioria das pessoas, especialmente nas grandes e médias cidades, torna o homem um ser on-line, permanentemente conectado, sem descanso ou qualquer tipo de relaxamento. Isto, aliado à onipresença dos meios de comunicação, que auxiliam na efetivação dessa conexão permanente do homem com a sua realidade local e com a realidade de todos (ou global), eleva o grau de ansiedade e, consequentemente, de stress. O mecanismo, imperceptível para quem o vive, resulta por enclausurar o homem moderno em si mesmo, tornando-o vítima do seu ritmo e do seu tempo.
Em virtude do aumento de casos identificados com este tipo de doença, a ciência tem feito esforços para encontrar formas de levar alívio e cura a estas pessoas, inclusive através da informação. Apesar disso, as informações disponíveis nos meios de comunicação ainda são em pequeno número, com conteúdo genérico, superficial e de difícil compreensão, pelo menos essa é a primeira conclusão da pesquisa realizada em Itabuna (BA), sob orientaçao da jornalista e professora Eliana Albuquerque.
Os estudos mostram que as reportagens diretamente ligadas ao tema ou a temas similares, publicadas entre os anos de 2003 e 2005, nas revistas Veja, Isto É, Galileu e Superinteressante, todas de circulação nacional,. tendem às generalidades e pouco é aprofundado sobre as causas e efeitos desses distúrbios. Isso, de certa forma, contribui para o preconceito e a marginalização dos pacientes.
O trabalho dos pesquisadores conclui que as revistas publicaram, em dois anos, oito reportagens de capa sobre temas ligados aos distúrbios de comportamento, mas apenas uma sobre a Síndrome do Pânico específicamente. Mesmo assim, não como uma doença que tem feições próprias e sim como algo diluído dentro do termo genérico de "depressão". Assim, as matérias são úteis para quem tem um conhecimento prévio e já consolidado sobre o tema, mas não para aqueles leitores que nada sabem sobre o assunto.
Outro aspecto observado pela pesquisa é que a revista trata as questões relativas à mente como se estas estivessem relacionadas à vontade individual, ao caráter e ao temperamento de cada pessoa, mas não a uma patologia real e incapacitante. Isso pode contribuir para aumentar o preconceito ou, pior que isso, intimidar aqueles que ainda não são diagnosticados e que, por medo de serem discriminados e rotulados, preferem não procurar ajuda médica.
Submetendo as reportagens à avaliação de pessoas que sofrem deste tipo de distúrbio, os pesquisadores observaram que a maioria as consideram úteis porque mostram haver mais casos que o delas próprias, reduzindo a sensação de diferença e solidão diante do conjunto da sociedade, mas também admitem que a matéria não aprofunda o tema como uma doença e sim o trata como algo que, se quiser, a própria pessoa pode evitar. Assim, remete de volta ao paciente a responsabilidade sobre sua própria doença, como se este, uma vez querendo, fosse capaz de evitar as crises.
O trabalho dos pesquisadores de Jornalismo da FTC de Itabuna (BA) continua em andamento. Eles esperam, ao final, apontar de que maneira os jornalistas devem abordar temas relacionados à saúde, servindo para o esclarecimento e orientação daqueles que sentem na pele esses problemas.






