Pesquisadora Magaly Prado explica o desafio de contar os 90 anos de rádio no Brasil

Há 90 anos, o Brasil vivia o surgimento de uma nova mídia. À época, focado em um público elitizado, rapidamente o rádio conseguiu se popularizar e atingir as massas.

Atualizado em 10/09/2012 às 17:09, por Luiz Gustavo Pacete.

vivia o surgimento de uma nova mídia. À época, focado em um público elitizado,rapidamente o rádio conseguiu se popularizar e atingir as massas. Sua capacidade de reinvenção e sua característica regional fez do veículo um importante celeiros de profissionais, inclusive para a televisão, um meio que surgia na década de 1950 e que sofreu forte influência do rádio.
Se naquela época, a TV poderia ser vista como concorrente do rádio, hoje o meio se mostra cada vez mais adaptável. Se um dia ele conseguiu se popularizar por meio da criação do rádio de pilha, onde era ouvido pelas pessoas onde quer que elas fossem, hoje o rádio está também nos dispositivos móveis.
Contar essas nove décadas do rádio em um livro de 400 páginas não foi tarefa fácil. O desafio recebido pela jornalista, pesquisadora e professora das faculdades Casper Líbero e ESPM, foi de reunir personagens, fatos, datas e histórias que mostram como o rádio nasceu e cresceu. O intenso trabalho de pesquisa, que durou 11 meses, está disponível no livro “História do Rádio no Brasil”.

À IMPRENSA, Magaly contou o desafio da pesquisa e quais os principais avanços do rádio brasileiro. A autora revela que os interessados em contar sua história para a segunda edição do livro poderão fazê-lo pelo site História do Rádio no Brasil.
IMPRENSA – Como começou o desafio de contar os 90 anos de história do rádio? Magaly Prado – É muito interessante que o livro nem bem foi lançado e já tenho a encomenda do segundo volume. Faltou espaço para muita coisa, isso porque ainda estourei 80 páginas. O que fiz foi dar uma mapeada pelo Brasil em histórias e perfis marcantes que fazem do livro não somente uma junção de informações, mas algo interessante de ler. Fui mesclando o surgimento das rádios com personagens de humor e a história de programas como o "Repórter Esso".
Qual a disponibilidade de material de pesquisa sobre o rádio no Brasil? Você tem muitos livros na prateleira sobre o tema, mas que contam apenas pedaços dessa história. Alguns que falam sobre as rádios de Santa Catarina, a radiodifusão mineira, o rádio humor da PRK 30, material sobre rádios comunitárias, mas você não tem um livro que conte essa história de forma continua e não fragmentada. Geralmente muito material só fala como surgiu, mas não dá continuidade. De fato, é muito complicado falar de 90 anos de rádio, deveria ser um livro por década.
Que tipo de trajetória o livro traça? Começamos nos anos 20 com o surgimento do meio e um foco mais em elite, nos públicos A e B. Logo depois você tem a entrada do comercial que alavanca a audiência, os aportes financeiros também fazem com que as rádios se profissionalizem. Nos anos 30, você tem o esporte e o humor que também vão ajudando o rádio a se popularizar. Nos anos 40, você tem as rádios novelas e nos anos 50 o jornalismo. De fato, o “Repórter Esso” se destaca como um meio de informação, já que se o programa não informasse, não era notícia. E neste momento você tem também a chegada da televisão.
O que a chegada da televisão influenciou no rádio? O rádio influenciou a televisão. Posso dizer que a televisão bebeu na fonte do rádio. Com a chegada da TV que pegou muitos profissionais do rádio, as emissoras de rádio começaram a focar mais em serviços. Entretanto, a TV ganhava força no horário da noite e o rádio se estabelecia com seu horário nobre, pela manhã. Neste momento, o rádio ganha mobilidade, ganha uma versão miniatura e começa a acompanhar as pessoas no trabalho.
Você trata de aspectos técnicos no livro? Trato, mas sem dar detalhes. Em 1970, você tem a chegada das rádios FM´s que começam a ter outro público como foco e dar mais valor à programação musical. A qualidade técnica passa a ser superior. Nos anos 80, vem a segmentação por faixa etária, classe social. Surgem as rádios populares e o rádio toma sua posição de veículo de massa.
De que maneira se sobressai o aspecto regional do rádio? Depois da segmentação, também foi possível observar a criação das redes que tinham equipes mais estruturadas e um jornalismo mais bem feito. Naquela época foi bom. Hoje já não acho. O rádio é hiperlocal, ele precisa focar no regional, ter interação com os ouvintes.
Atualmente, de que maneira o rádio se destaca em meio a tantas mudanças? Ainda falando em mudanças, o próprio trânsito contribuiu para o rádio do ponto de vista de prestação de serviço. Mas além da questão do trânsito que ajuda na audiência, o rádio hoje está no celular, você tem acesso a rádios de todo o mundo. Enfim, o rádio conseguiu se adaptar às mudanças.
O que vem por ai na segunda edição? Durante o primeiro livro eu percebi que muitas pessoas acabaram não entrando com suas histórias por desconhecer o projeto. Mas agora, temos o site que serve como uma ferramenta para que as pessoas coloquem suas histórias, depoimentos, imagens e tudo que possa contribuir para mais essa pesquisa.