Pesquisa mostra que cresce o número de políticos donos de emissoras no Brasil

Pesquisa mostra que cresce o número de políticos donos de emissoras no Brasil

Atualizado em 02/04/2008 às 13:04, por Redação Portal IMPRENSA.

De acordo com dados do Instituto de Estudos e Pesquisas em Comunicação (Epcom), o número de políticos que são empresários de mídia no Brasil tem crescido, uma realidade que corre o risco de influenciar o processo eleitoral em 2008.

Os números mostram que já são 271 os políticos brasileiros que são sócios ou diretores de 348 emissoras de rádio e TV. Desses, 147 são prefeitos (54,24%), 55 deputados estaduais (20,3%), 48 deputados federais (17,71%), 20 senadores (7,38%) e um é governador.

As estatísticas refletem apenas os políticos que possuem relações oficiais e formais com órgãos de comunicação, deixando de fora todos os que têm vínculos informais ou indiretos com a mídia, seja por meio de parentes ou testas-de-ferro.

James Görgen, investigador da Epcom, afirmou que "em ano de eleições, é difícil imaginar que esses políticos deixem de usar seus próprios meios de comunicação para tirar vantagem logo no começo da corrida eleitoral", sublinhando que as emissoras são uma forma de "manter uma relação direta com o eleitorado", exercendo o chamado "coronelismo eletrônico".

Em 2007, uma subcomissão especial da Comissão de Ciência, Tecnologia e Informática (CCTCI) da Câmara dos Deputados analisou os processos de outorga no setor de radiodifusão e apresentou, em dezembro, um relatório revendo as normas de concessão de rádio e televisão.

A proposta diz que "não poderá ser proprietário, controlador, gerente ou diretor de empresa de radiodifusão sonora e de sons e imagens quem esteja investido em cargo público ou no gozo de imunidade parlamentar ou de foro especial".

Entretanto, a proposta da subcomissão ainda não foi posta a votação e os políticos utilizam brechas na lei para continuar a adquirir emissoras, além de existir um "notório conflito de interesses" dos parlamentares, já que os pedidos de renovação e de novas outorgas de rádio e TV passam pela aprovação dos próprios deputados e senadores.

Com informações do site do Sindicato dos Jornalistas de Portugal

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