Pesquisa indica profunda desigualdade racial e de gênero nos três maiores jornais do país
Ligado à Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), o Grupo de Estudos Multidisciplinares de Ação Afirmativa (Gemaa) lançou este mês apesquisa Raça, Gênero e Imprensa: Quem Escreve nos Principais Jornais do Brasil?
Atualizado em 24/05/2023 às 12:05, por
Redação Portal IMPRENSA.
Segundo o trabalho, que teve colaboração da Rede de Jornalistas Pretos pela Diversidade na Comunicação e baseia-se em dados de 2021, nos três maiores jornais impressos do país (O Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo e O Globo), pessoas brancas ocupam 84,4% dos postos de trabalho jornalístico. Em seguida vêm pardos (6,1%), negros (3,4%), asiáticos (1,8%) e indígenas (0,1%). Crédito: Reprodução Para os pesquisadores, solução para o problema envolve adoção de políticas de ação afirmativa com prazos e metas definidos Nos textos de opinião, considerados mais influentes, a presença de jornalistas brancos é ainda maior (90%). No Estadão, o trabalhou indicou que todos os editorialistas são brancos, contra 93% no Globo e 86% na Folha.
Invisibilidade
Na visão dos pesquisadores, tal quadro traduz a invisibilidade de negros na produção de conteúdos que levam à formação de opinião.
O trabalho também analisou a desigualdade de gênero nas redações dos jornais pesquisados. Os resultados indicam que as mulheres representam 36% do total de profissionais de imprensa dos três veículos.
No corte por idade, a pesquisa mostrou que a redação do Estadão tem a maior proporção de pessoas acima de 60 anos (20%), seguida pela da Folha (15%) e pela do Globo (10%). Entre os jornalistas mais velhos, a presença de mulheres é mais escassa.
A pesquisa também indica que a solução para a desigualdade racial e de gênero nos veículos analisados passa pela implementação de políticas de ação afirmativa com metas e prazos definidos.
À Agência Brasil, Valdice Gomes, coordenadora de igualdade racial da Fenaj, comentou a pesquisa. "O perfil traçado só vem provar o quanto o jornalismo feito por esses veículos é prejudicial para a própria população. Não é representativo da sociedade brasileira, quando se sabe que a maioria da população, 56%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), são pessoas negras.” Ainda segundo Valdice, enquanto o jornalismo tiver esse perfil, não estará contribuindo para uma sociedade mais democrática, mais justa e menos racista.





