Pesquisa de Caio Túlio Costa mapeia modelo rentável para os jornais na era digital

O jornalista, doutor em Ciências da Comunicação e consultor de novas mídias, Caio Túlio Costa, dedicou praticamente seis meses ao estudo do modelo de negócio para o setor midiático, especialmente os jornais, no meio digital.

Atualizado em 28/02/2014 às 14:02, por Alana Rodrigues*.

A ideia era buscar a resposta para uma alternativa rentável voltada à produção de conteúdo no mundo tecnológico.

Crédito:Divulgação Para jornalista, empresas de comunicação precisam mudar para se adequar à realidade
Intitulado "Um modelo de negócio para o jornalismo digital: Como os jornais devem abraçar a tecnologia, as redes sociais e os serviços de valor adicionado", Costa, que trabalhou durante 21 anos no Grupo Folha, iniciou a pesquisa quando foi convidado para passar uma temporada na Universidade Columbia, como pesquisador convidado.

“O convite de Columbia - feito por conta da parceria que minha escola, a ESPM, tem com a universidade americana - deu o empurrão necessário para o projeto que enviei à Fapesp, solicitando uma bolsa de pós-doutorado", pontua ele.

De acordo com o jornalista, a principal constatação após a migração do impresso para o digital foi o fato de as publicações tentarem replicar o seu modelo tradicional no formato online. "No meio digital, a palavra de ordem é compartilhamento, inclusive de receitas, sem falar de conteúdo. O problema geracional é a necessidade de se transformarem em empresas de serviços", esclarece.

Cenário Brasileiro

Para o pesquisador, os veículos brasileiros ainda não apresentam bom desempenho na internet, pois não entenderam a nova realidade e afincam num modelo ultrapassado de conteúdo, além de fazer um investimento quase nulo em tecnologia, isolando as redes sociais, que têm de tonificar a superdistribuição de conteúdos. Ele destaca como uma das exceções o portal de notícias UOL.

A resposta para plataformas bem-sucedidas, explica Costa, é fazer investimento sem se reprimir por considerar que está gerando despesa. "Colocar capital dos acionistas ou de terceiros, investidores - o que importa é a decisão política de investir, mesmo sabendo que vai ser algo de médio a longo prazo. Caso não o faça, perderá valor de mercado", enfatiza.

Ausência de investimentos

Caio menciona o caso do jornal americano Washington Post , vendido por 250 milhões de dólares, enquanto o Instagram era comprado por 1 bilhão de dólares. Segundo ele, não há tecnologia suficiente nos jornais que os faça mudar de nível em relação ao seu modelo de negócio tradicional. "Se eles forem vistos como empresas tecnológicas tudo muda de figura", acrescenta.

A pesquisa do jornalista será divulgada na edição de abril da Revista de Jornalismo da ESPM (edição brasileira da Columbia Journalism Review) e estará disponível na internet, por meio do próprio site da publicação.

* Com supervisão de Vanessa Gonçalves.