Pesquisa da UFSC sobre jornalistas brasileiros ressalta precarização e problemas mentais
A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) disponibilizou o relatório final da pesquisa Perfil do Jornalista Brasileiro 2021, que é liderada pelo Laboratório de Sociologia do Trabalho (Lastro/UFSC) e articulada nacionalmente pela Rede de Estudos sobre Trabalho e Profissão (RETIJ), da Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor).
Atualizado em 04/07/2022 às 15:07, por
Redação Portal IMPRENSA.
Neste ano o trabalho contou com aproximadamente 7 mil participantes de todo o Brasil. Coordenador geral da pesquisa, o professor Samuel Pantoja Lima ressalta que a ideia é atualizar dados referentes às características demográficas, políticas e de trabalho dos jornalistas, além de constatar transformações ocorridas no perfil de profissionais do jornalismo, comparando os resultados atuais com a primeira edição do estudo, de 2012. Crédito: Reprodução Segundo a pesquisa, os jornalistas brasileiros continuam sendo majoritariamente mulheres (58%). Porém, a participação feminina caiu seis pontos percentuais em comparação com 2012.
60% ganham menos de R$ 5,5 mil
Em relação à renda, a pesquisa mostrou que 60% dos entrevistados ganham menos de R$ 5,5 mil por mês e apenas 12% recebem acima de R$ 11 mil. Do total de participantes, 42,3% têm ensino superior completo, 28,6% têm especialização e 14,7% têm mestrado.
No corte por cor-raça, 67,8% dos participantes são brancos, 20,6% são pretos e 9,3%, asiáticos. Quanto à função dos participantes, 37,1% atuam como repórter e 23,4% como editor. Em relação à taxa de sindicalização, cerca de 70% indicaram não ter nenhuma filiação sindical, enquanto 77,3% têm registro profissional (MTB).
Quanto aos tipos de contratação, a pesquisa revelou redução do volume de profissionais registrados (CLT) e aumento para 24% do total de participantes das categorias de freelancer, prestação de serviços sem contrato, PJ e MEI.
Quanto à jornada de trabalho, o percentual de jornalistas com carga diária superior a 8h permanece alarmante: 42,2%.
O corolário dessa espiral de sobrecarga e precarização pode ser visto nos indicadores de saúde mental do estudo: 57,2% jornalistas brasileiros sentem-se estressados, 36,7% foram diagnosticados com estresse, 15,8% têm transtorno mental relacionado ao trabalho e 26% foram orientados a tomar antidepressivos





