Pesquisa analisa mudanças no papel do editor de jornais impressos na era digital
Muito se discute sobre a sobrevivência do jornal impresso na era dominada pela internet. Há, inclusive, pesquisas que preveem quando será o seu último dia de vida.
Atualizado em 31/10/2013 às 15:10, por
Gabriela Ferigato.
Crédito:acervo pessoal Tema faz parte de sua tese de doutorado “O editor e seus labirintos: reflexos da crise de paradigmas do jornal impresso”
O jornalista Renato Essenfelder, cronista do , doutor em Ciências da Comunicação pela ECA/USP e professor de jornalismo das universidades ESPM e Mackenzie, analisou o tema em sua tese de doutorado “O editor e seus labirintos: reflexos da crise de paradigmas do jornal impresso”.
Para Essenfelder, acabou a fase do “jornal de registro”, que trazia tudo de relevante do dia anterior, e passou para o tempo da “curadoria”, ou seja, necessidade de apontar para o leitor, com contexto e análise, os temas mais relevantes. “Dessa forma, o papel do editor também muda. Ele não é mais o clássico " gatekeeper ", o porteiro que determina quais histórias são e as que não são notícia, o que é digno e o que é indigno de ganhar notoriedade. Algo disso subsiste, sem dúvidas, mas pouco”, afirma.
Segundo o jornalista, a profusão de mídias, a popularidade e capilaridade das redes sociais fazem com que inúmeras histórias sejam publicamente debatidas, independentemente da vontade do editor. “Então ele passa de porteiro a curador - o que, conforme vejo, é uma promoção. Mas, como em toda promoção, o trabalho fica mais complexo e delicado. É maior e mais angustiante”, completa. Para desenvolver a pesquisa, o profissional realizou entrevistas com 11 editores ou diretores de quatro jornais de São Paulo: Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo, Metro e Destak . O resultado das opiniões converge no sentido de que este tipo trabalho está mais complexo e acompanha a mudança de papel dos próprios jornais. “É uma função que está mais importante e estratégica para as empresas jornalísticas, porque é ele quem primeiro ajuda a delinear sentidos no aparente caos informacional”.
Porém, embora o discurso das empresas seja de que o profissional nunca foi tão importante, Essenfelder pontua que ele se sente desprestigiado. Algumas das razões apontadas para esse cenário são: sobrecarga de trabalho, pois com a internet é essencial estar sintonizado e informado 24 horas por dia; condições de trabalho: os planos de carreira são pouco claros ou defasados, com a constante ameaça de cortes; trabalho mais complexo, mais difícil e exigente, sem contrapartida salarial; maior exposição a críticas: o leitor agora acessa fácil e rapidamente o editor e, por fim, os ecos da sociedade não favoráveis a este cargo.
“Mais de um profissional me confidenciou que tem dificuldade de explicar a relevância do seu trabalho para amigos e familiares, pois creem que a internet põe o leitor em contato direto com as fontes e que os jornais impressos caminham para a irrelevância. Ou seja, além de sustentar o fardo de um trabalho de alta complexidade e responsabilidade, ainda precisam 'justificar' sua relevância o tempo inteiro”, conclui.
Leia a pesquisa completa acessando o .





