"Periferia e Masp são dois pólos diferentes; isso é bom", diz o artista Daniel Melim
Um misto de influência dos quadrinhos, do grafite, do skate e da publicidade dos anos 50. O trabalho do artista Daniel Melim, de 32 anos, poderia ser definido desta maneira.
Natural de São Bernardo do Campo, região metropolitana de São Paulo, Melim começou a se interessar por arte enquanto andava de skate, ainda adolescente. "Como eu não andava [de skate] muito bem, comecei a me interessar pela pista toda grafitada. Fui conhecendo os artistas da cidade e tendo vontade de entender mais sobre arte", ressaltou. Cada vez mais envolvido com este universo, ele resolveu estudar artes plásticas e, assim, aliar profissionalismo com o gosto pelo fazer artístico. "Por um período, fui professor de artes em escolas e, paralelamente, procurava galerias para expor meu trabalho".
Com o tempo, o trabalho de Melim, que alia técnicas de estêncil e grafite, começou a ser reconhecido pelo mercado. Reveladas pela galeria Choque Cultural, as peças, que possuem referências irônicas e críticas à sociedade utilizando propagandas dos anos 50, começaram a ganhar notoriedade: "Eu crio outro sentido para a imagem. Gosto bastante de quadrinhos; acredito que esta seja minha influência para também gostar de propaganda dos anos 50. Tem esse lado meio irônico, que subverte". Melim expôs no Memorial da América Latina e no Museu Afro Brasil, em 2006, na Bienal de Valência, em 2007, no Cans Festival, promovido pelo artista Banksy, em Londres, em 2008, e no MASP, em 2009.
"O The Cans Festival teve uma repercussão enorme. O Banksy é muito idolatrado na Inglaterra", relatou sobre o evento. Bansky, um notório artista de rua que realiza diversas intervenções urbanas na cidade de Londres - e que nunca revelou sua identidade real, assinando apenas como pseudônimo -, tinha um amigo em comum com Melim, surgindo, então, o convite para participar da exposição inédita. "O evento foi em uma passagem de rua, foi bem legal. Foi bom conhecer pessoas de diversos lugares do mundo que também fazem arte com estêncil, só que de maneira diferente".
Além de seu trabalho conceitual, Melim também realiza intervenções urbanas. Em parceria com outros dois amigos, o artista criou o "Projeto Limpão", em 2006, no Jardim São Bernardo, área periférica da cidade onde mora. "Uma vez por semana, dou aula para crianças de lá sobre arte. Então, uma vez por mês, escolhemos um muro de um morador que autorize e aplicamos os conhecimentos da aula nele", disse.
Longe de ser purista em questões artísticas, Melim fica feliz com o reconhecimento do grafite como arte. "Muitos artistas surgiram do grafite, da tatuagem, mas não ficam só presos nisso. Pra ser grafite, tem que estar na rua, ter outro contexto. Foi quebrada um pouco essa distância entre a arte e o grafite".
Atualmente, além de atuar no "Projeto Limpão", Melim está com a proposta "Muro 191". Ele e outros quatro artistas pintarão um muro de 191 metros de extensão na comunidade Sítio Bom Jesus, também na periferia de São Bernardo do Campo. Recentemente, ele expôs seu trabalho na galeria Choque Cultural.
Para saber mais sobre o trabalho de Melim, basta entrar em contato com o artista, através do e-mail: melimdaniel@yahoo.com.br.
* Com supervisão de Gustavo Ferrari
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