Perfil: Silvia de Jesus, a dama da web

Perfil: Silvia de Jesus, a dama da web

Atualizado em 07/11/2007 às 18:11, por Pedro Venceslau e  enviado a Porto Alegre.

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Do back up em fita cassete aos celulares de última geração, a biografia da engenheira Silvia de Jesus, vice-presidente executiva de Internet e Inovação da RBS, se confunde com a história da Internet no sul do país.

Quando a gaúcha Silvia de Jesus entrou na Faculdade de Engenharia, em 1972, o que ela queria mesmo era aprender computação. Como ainda não existiam cursos específicos, o jeito foi descobrir onde estava a vanguarda e se juntar a ela. Nos primórdios da era da informática no Brasil, décadas antes da chegada da Internet, era no curso de engenharia da Universidade Federal do Rio do Sul que se concentravam as melhores cabeças do Estado na emergente ciência que despontava. "Estavam sendo instalados aqui os primeiros grandes mainframes (servidores) de Porto Alegre e eles não tinham mão-de-obra especializada. Não tinha gente de programação, nem curso na faculdade. A seleção era feita nos cursos de engenharia, onde estavam os profissionais mais capacitados da área de programação", conta.

Silvia se diverte quando lembra do seu primeiro computador - "um TK 85, que era engraçado, pequeninnho assim..." - e da época em que "o back up, a gravação dele, era em fita cassete. Sabe fita cassete, aquelas fitas de música? Dava sempre pau. Tu gravava e nunca conseguia ler. Sujava a fita, era terrível...Naquela época computador era uma coisa cara. Quase ninguém tinha. O TK 85 era como uma evolução da calculadora HP, que era o que se usava na engenharia".

Hoje, trinta e cinco anos depois de aposentar seu bom e velho TK 85, Silvia só trabalha com computadores de última geração. Velharia não entra em seu amplo escritório, no andar da presidência do grupo RBS, em um imponente prédio na Rua Erico Veríssimo, em Porto Alegre. Foi lá que Silvia, vice-presidente executiva de Internet e Inovação da RBS, recebeu IMPRENSA para conversar sobre o passado, o presente e o futuro da Internet.

Fé na rede e pé na tábua

A evolução da RBS na WEB está diretamente ligada ao trabalho de Silvia de Jesus. Ela começou no grupo da família Sirotsky em 1982, com a missão de cuidar da tecnologia de informação de sistemas. Traduzindo em miúdos: informatizar e otimizar a contabilidade da empresa. Mas não era só isso. Foi naquela época que a RBS começou a fazer o acompanhamento das eleições via sistemas de informação e captação de dados. Em 1991, depois de comandar o enterro das máquinas de escrever, ela ajudou a implantar a ferramenta que revolucionaria o trabalho dos jornalistas do grupo: um email interno.

Com a Internet dando seus primeiros (e largos) passos no Brasil - a RBS percebeu que aquilo não era suficiente. "Tínhamos que entrar nesse mundo", conta.

Silvia, é claro, já dominava como poucos o tema. Foi apresentada a novidade muito antes dela chegar ao Brasil, em feiras, congressos e exposições nos Estados Unidos.

Ela sempre soube que mais cedo ou mais tarde aquilo faria parte da sua vida. Sob influência do seu trabalho, em 1995 o jornal Zero Hora , carro chefe do grupo, lançou o revolucionário "Caderno de Informática", pouco depois do lançamento dos portais Bol e Universo On Line. Em 1996, finalmente o grupo lança seu primeiro portal, o Zaz. "Nós pegamos o meio da bolha e ouve super valorização do Zaz". A evolução acelerada levou a RBS a uma encruzilhada. "Devido a falta de fôlego para continuar crescendo, teve que fazer uma escolha e abriu mão do ZAZ". O portal foi comprado pelo Grupo Telefônica, que acabou levando junto sua grande mentora. Mais tarde, seria vendido para o Terra, sempre com Silvia de Jesus à frente. No período em que ficou fora da RBS, a dama da Internet no sul caiu no mundo. De presidente do Terra Brasil foi promovida a presidente do Terra América Latina. Para cuidar da administração do portal em 14 países, Silvia passou a viajar muito. Em pouco tempo o Terra se tornou o segundo maior portal do país, só perdendo para o UOL. "Até hoje eles mantêm essa posição" diz Silvia, orgulhosa. A rotina de viagens, entretanto, começou a cansar. A vontade de voltar a viver em terra firme e perto de casa coincidiu com a decisão da RBS de fazer um planejamento estratégico com vistas a mergulhar de cabeça (de novo) na evolução da Internet. "Ele lembraram de mim e me convidaram para voltar. Sempre tive uma relação muito forte com a RBS, onde trabalhei 17 anos. Eles me ofereceram um novo desafio, que era fazer a Internet do grupo crescer de novo, com uma gestão centralizada". Silvia voltou para a antiga casa com um cargo novo, criado especialmente para a nova fase: vice-presidente executiva de Internet e Inovação. Não por acaso, ela despacha no mesmo andar da presidência do grupo. Foi de lá que acompanhou e pilotou uma nova revolução. Atualmente, o grupo RBS conta com três portais. O "Agah", que é de serviço, "ClicRBS", de entretenimento, e o noticioso Zero Hora , isso sem falar no investimento em produção de conteúdo para celular. Silvia prefere ainda não falar em números de page views, a audiência da Internet. Questão de estratégia. Ela garante, porém, que pelo menos no Sul o crescimento da web não implica na queda de circulação dos produtos impressos do grupo. Muito pelo contrário. Para a dama gaúcha da Internet brasileira tudo passa pela rede, inclusive o papel.

Leia matéria completa na edição 229 de IMPRENSA