Pensamento mineiro, por José Marques de Melo

A universidade vive em plena era da explosão cognoscitiva. Mas, enviesada pela obsessão institucional do publish or perish, corre o perigo d

Atualizado em 04/08/2014 às 16:08, por José Marques de Melo.

Crédito:Leo Garbin a distorção pedagógica, convertendo as aulas, onde se dá a aprendizagem conceitual, em espaços inócuos. Nessa linha, os pesquisadores mais jovens tendem a descartar tudo aquilo que não tenha utilidade imediata para sua própria pesquisa, valorizando exclusivamente os dados empíricos e desprezando as séries históricas.
Esse ciclo vicioso somente será alterado se dialogarmos mais amiúde com os nossos colegas, buscando soluções plausíveis. Especialmente com os que estudam objetos semelhantes aos nossos, ou próximos daqueles enunciados teóricos contidos nas propostas de teses, dissertações ou monografias que respaldamos, supervisionamos ou avaliamos.
Democratizar o acesso aos dados primários que traduzem a fisionomia da nossa comunidade, em plano nacional, regional ou local constitui providência inadiável. Esta foi a motivação do PENSA-COM BRASIL, ambicioso programa de pesquisa que começa a ganhar magnitude, contabilizando novas adesões. O processo começou em 1999, com o lançamento do volume seminal "Pensamento Comunicacional Brasileiro: o Grupo de São Bernardo", organizado e publicado pela Cátedra UNESCO da Universidade Metodista de São Paulo.
A meta primitiva era bastante modesta. Limitava- se a mostrar uma fotografia instantânea da nossa equipe, complementada por texto emblemático da natureza do objeto particular de pesquisa atribuído consensualmente a cada um dos seus integrantes. Cruzando os dados recolhidos, decidimos completar a amostragem, produzindo livros de referência que dão conta da memória das ciências da comunicação em regiões geo-culturais, começando pelo Pampa Gaúcho e pelo Planalto Central. Depois, inventariamos dois espaços nordestinos: Alagoas e Piauí.
Tratam-se de cartografias que pretendem mapear quem pesquisa o que, quando, onde, como e por que. Vários pesquisadores se inscreveram nesse mutirão destinado a resgatar o conhecimento disponível no âmbito comunicacional brasileiro. Este é o caso de Minas Gerais, sob a liderança firme, competente e simpática das professoras Nair Prata e Juçara Brittes, da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). Capitalizando as experiências acumuladas em projetos anteriores, elas decidiram privilegiar, numa primeira etapa, os pesquisadores-docentes, completando o quadro com os pesquisadores autônomos ou vinculados a instituições fora do campus.
Todos os indicadores até agora recolhidos pela equipe foram enfeixados num livro que será lançado em setembro, durante o congresso nacional da INTERCOM. Trata-se de conhecimento autenticamente mineiro, avalizado com o selo acadêmico da catarinense editora Insular, servindo como fonte de referência para a difusão do que se processa em Goiás, Bahia, Pará e outros espaços remanescentes.