Pauta LID&: Guilherme Azevedo "O povo quer beleza"
Palestrante confirmado do LID&, evento sobre jornalismo literário em Paraty, no mês de julho, Guilherme Marques de Azevedo
Palestrante confirmado do , evento sobre jornalismo em Paraty (RJ), no mês de julho, Guilherme Marques de Azevedo, jornalista com apetite voraz por tudo que nivele o periodismo por cima e, ainda assim, seja acessível, conversou com o Portal IMPRENSA sobre temas sensíveis do jornalismo. Leiam-se ,preconceito, hipertexto, preciosismo, texto para internet e - cuidado - censura interna nas redações.
Crédito:Divulgação Guilherme Azevedo, Jornalirismo no LID& 2011Portal IMPRENSA : Guilherme, que tal o discurso sobre alinhar o nível da redação e as pautas aos recursos lingüísticos da massa?
Guilherme Azevedo: Sinceramente? Acho isso uma ofensa. Achar que leitor é burro, que não tem repertório e que, por isso, devamos redigir nivelando a conversa por baixo, não é legal. Existe uma coisa chamada compromisso com o leitor, e tal compromisso significa não deixar essa relação cair na mesmice, no arroz com feijão. O "Homer" ,personagem de desenho animado, esteriótipo do sujeito que se satisfaz com pão e circo, aquele sujeito inculto, não existe na verdade; é criação nossa e cabe a nós, jornalistas, não permitir que essa imagem se perpetue. A mensagem mais complexa é passível de tradução para o público, cada vez mais presente.
IMPRENSA : Mais presente?
G.A. : Sim, mais presente. Fala-se tanto em classe C isso e classe C aquilo e esquecem de avaliar que essa classe não chegou apenas ao grupo de consumidores de produtos, mas, também de notícias, de Internet.
Como qualquer um que acaba de chegar a um lugar, essas pessoas têm fome de beleza,de informação, de coisa bonita. Classe C não é burra, não é baixa. É, sim,capaz de produzir coisas belas. Sabe o Cartola? Então; era pedreiro.
IMPRENSA : E onde acredita que faça mais sentido alocar essa produção?
G.A. : Essa liberdade inédita tem um lugar certo: a Internet. É lá que inventamos linguagens, misturamos recursos. Eu me vejo como filho da web, um meio que se mantém com poucos recursos e onde podemos usar belas palavras.
IMPRENSA : Que liberdade é essa, Guilherme?
G.A. : A liberdade de, usando o que Cláudio Abramo citava no "A arte de fazer um jornal diário", ir lutar em um lugar onde não seria interessante, na arena midiática.
Vou exemplificar: para onde olho, hoje em dia, não existe mais o publique-se, aquela coisa do editor-xerife, representante da ditadura. O que não significa que virou festa, e sim que ainda é possível nutrir, dentro das redações, uma aliança com o leitor. Quando estive na Folha, sempre que podíamos, uma turma de repórteres e eu, era só o editor bobear que trocávamos o "MST invade" por "MST ocupa", entende?
Em tempo: Sérgio Vilas Boas também confirmado no LID& deixa seu
Sobre o evento
LID&: Literatura+Imprensa+Debate
Realização: IMPRENSA Editorial
Data: 7 de julho de 2011
Local: Paraty (RJ)
Serviço:
Gisele Sotto
IMPRENSA Editorial
Fone - (11) 2117-5329 / 5300






