Paulo Coutinho, o "Caça-Talentos"
Paulo Coutinho, o "Caça-Talentos"
Paulo Coutinho era repórter cinematográfico do SBT quando sofreu uma lesão na coluna e teve que ser afastado. Com o dinheiro do fundo de garantia resolveu apostar alto: tirou da gaveta o projeto de um programa voltado para lésbicas que estava guardado há um ano e meio. Saiu a campo em busca de investidores dispostos a financiar uma experiência ousada. Com a ajuda dos amigos e por sorte do destino encontrou Kátia Saturion, dona de uma agência de modelos que estava com a burocrática papelada de abertura de uma editora pronta. Foi assim, "juntando os trapos", como ele mesmo diz, que o projeto tomou forma e o programa de TV ficou em segundo plano para dar espaço a uma revista de mulher para mulher lésbica. Foi do espaço improvisado na agência de modelos que Paulo Coutinho, que agora dirige a Sobre Ellas, falou à Revista IMPRENSA.
Onde você começou sua carreira?
Eu trabalhava em televisão como repórter cinematográfico no SBT. Até dezembro do ano passado eu estava no "SBT Brasil". A minha história toda veio de cinema publicitário.
Por que você saiu do SBT? Como nasceu essa idéia de fazer a revista?
A minha saída do SBT foi por motivo de afastamento médico. Eu lesionei minha coluna e isso me afastou da função que eu estava. Surgiu a possibilidade de ser trocado de função, mas não tinha vaga disponível, então eu acabei sendo dispensado. Com o tempo livre, eu falei "bom, agora é hora de tocar meu projeto", porque eu já tinha esse projeto na gaveta há um ano e meio. Sai de lá já com o projeto pré-determinado. Aí, tivemos um ano de produção e agora é que está tomando o formato da revista.
Com o projeto na mão você procurou quem?
Procurei várias pessoas, empresários, investidores porque é um projeto arriscado e inovador. A gente tem uma equipe reduzida.
Quantas pessoas têm?
Estamos em 12.
Incluindo redação?
Tudo. Então há um acúmulo de função muito grande pelo fato de a gente estar desenvolvendo o projeto sem ter tanto recurso financeiro já que grande parte já foi destinado as suas funções.
Aqui onde vocês estão instalados é uma agência de modelo?
Isso, aqui é uma agência de modelos.
A agência é da sua sócia?
Isso. A Kátia Saturion cuida da parte dos modelos e de casting aqui da agência. Como a gente estava sem estrutura física, juntamos os trapos.
Quando a Kátia entrou na história?
A Kátia entrou na história quando a gente precisou ter a editora propriamente dito. Então como ela já tinha editora formada...
O que ela produz?
Nada, na verdade ela tinha a parte legal da editora.
Mas ela não produz nada?
Não, ela estava começando a produzir uma revista que ia ser tipo o "Mundo da Fama" com negócio de modelos e tal. Então como ela tinha o forno e a gente tinha o bolo e a forma, f juntamos e resolvemos fazer tudo junto.
Ela desistiu de fazer essa revista do mundo da fama?
Não, ela deixou de lado. É como se fosse uma revista que já existe. Eu acho que até já tem uma revista com esse nome. É uma revista voltada para modelos, para a área de casting que é a área que ela trabalha, completamente diferente do nosso propósito. Eu pensei nesse projeto mais voltado para um programa de TV. Seria um programa com todo esse formato da revista e disponível também num site, num mega portal.
A idéia inicial era essa?
Era essa. Tudo começou com um programa de TV.
O programa já existe?
Estamos formatando. Ele vai estrear, se Deus quiser, em dezembro.
Em que canal?
Estamos em negociação. Estamos tentando negociar horário lá na Rede Tv!. Estamos vendo na grade o que é mais viável em termos de custo, patrocínio. TV envolve uma globalização bem maior em termos de dinheiro, de patrocinador, de pessoas envolvidas no projeto.
A revista Sobre Elas voltada para as lésbicas já existiu. Vocês compraram a marca?
Não, não compramos a marca. Ficamos sabendo da existência dessa revista pelo Portal IMPRENSA. A nossa revista vai chamar Sobre Ellass com dois "l" e dois "s" e ficou parecendo que a gente tinha duplicado as letras simplesmente para justificar o uso do nome.
Você nem sabia que existia?
Não, nem sabia que existia. Foi uma coisa subjetiva do nome "Sobre Elas"...
E como vocês resolveram isso?
Eu chamei a Nina Lopes [dona da marca Sobre Elas] depois dessa história de que já existia uma revista com esse nome. A gente vai negociar. Como estamos defendendo a mesma causa e brigando pelo mesmo objetivo, que é a visibilidade lésbica no país, vamos tentar chegar num acordo em que continue com esse nome ou ela faça parte da sociedade.
Vai ser uma revista de mulher pelada para mulheres?
É, vai ter nu feminino, um nu artístico feito para as mulheres. Mas não queremos que ela seja voltada para a parte sexual. Ela é mais informativa.
Como é o ensaio feito pra mulher?
É uma coisa mais sensível, acho. Vamos explorar mais os detalhes no caso de um ensaio para mulher. Eu acho que um ensaio feminino é diferente de um ensaio masculino. Um ensaio masculino você vê em um contexto mais geral. Em um ensaio feminino para mulher, além de você trabalhar mais a luz, fazer uma coisa mais artística, você trabalha mais detalhes, mais closes. Eu vejo dessa forma. Pela mulher ser mais sensível no toque com outra mulher, a relação de visualização disso é mais diferenciada.
A concorrência existe com revistas voltadas para o público masculino como Playboy e Sexy ?
Elas não compram a Playboy e a Sexy porque a maioria das matérias que saem em revistas masculinas é direcionada ao público masculino.
Qual vai ser o estilo da revista? Ela vai ser mais parecida como uma TPM para lésbicas?
Isso, exatamente. É uma revista para mulher. Vamos falar de sexo, de balada, roteiro GLS a nível Brasil e até internacional com alguns correspondentes que a gente já está tendo para poder enriquecer essa revista. E o que a gente vai querer fazer é expor para o mercado editorial que as meninas realmente estão sem nenhum material direcionado pra elas. Hoje em dia quando se fala em GLS você só pensa no homem.
Mas agora tem um anúncio da Ford que tem duas mulheres se beijando. A Veja teve uma capa lesbian chick ...
Mas por isso mesmo, a lésbica ainda está ligada ao fetiche masculino. Isso é uma prova de que o país é extremamente machista.
Quem foram os investidores do projeto?
Até agora, todos amigos.
Donos de casas de boate?
Não, não estou envolvendo ninguém da parte da noite.
Você não pode citar o nome desses investidores?
Não, não gostaria de expor.
Vocês conseguiram muitos anúncios?
Ainda não porque o projeto é de uma revista séria e eu não posso estar anunciando, por exemplo, casa de massagem, boate...
Os anunciantes da G entram?
Não.
Quanto vai custar a revista?
R$ 9,90 na banca.
E vai ser distribuída em todo o Brasil?
A nível nacional.
E qual a tiragem dela?
65 mil exemplares.
Quanto custou essa empreitada? Gráfica, papel, equipe...
Até agora? Vai girar em torno de R$ 250 mil.
Vai ser mensal?
Vai ser mensal, mas a gente vai apresentar 9 meninas durante o mês no programa de TV. O programa deve ser semanal, e em cada programa serão apresentadas 3 meninas. O público vai escolher uma por semana para sair na revista. No final da 3 a semana, o público vai me dizer quem vai ser a capa e qual das outras duas vão ser recheio da próxima revista.
Você já conhece esse pessoal do mundo GLS como o André Fischer, o Tarquini, a Ana Fadigas ou você é um novato?
Não, sou novato nessa área. Eu acho que eu depois que colocar o produto no mercado eu vou conseguir me desvencilhar um pouco dessa coordenação toda que está em cima de mim, e daí, vou poder começar a fazer um social.
Você tem a pretensão de botar famosas na capa?
Não. A minha idéia é colocar pessoas comuns, mulheres que queiram ter a sua chance de poder crescer nesse mercado e sair daquela coisa que só meia dúzia aparece nas revistas. A nossa idéia é descobrir novos talentos. Queremos colocar cara nova no mercado com cara nova e tem muita gente aí com talento para ser descoberto e que basta só um olhar diferenciado. Uma das apresentadoras do nosso programa é a Simone Zorgue que carregava laranja no Ceasa. Bastou um convite de um fotógrafo para ela poder expor aquilo que ela sabe, que é seduzir a lente. Ela consegue te hipnotizar, ela tem uma coisa que é só dela e ela estava lá carregando laranja. Então foi aquele fotógrafo feliz que descobriu esse talento que a gente está colocando na televisão que quem sabe vire uma estrela aí, entendeu?






