Parecia um trator. Isso nunca vai dar certo!
Parecia um trator. Isso nunca vai dar certo!
O difícil era pegar o elevador naquele prédio em 1995. Apesar de ser no quarto andar, o prédio tinha uma faculdade e o elevador era concorrido.
Passado o tempo e o aperto, chego à Rádio. Entro na redação e um susto! Observo todas as máquinas de escrever no chão. Isso mesmo, ao lado da parede, parecia até que estavam de castigo.
Em outro canto, a diretora da emissora, olhos verdes e um sorriso encantador, mas com ar de superioridade e afirmou:
- Viu só. Estamos informatizados. A partir de agora só computador e chega de máquina de escrever!
Confesso. Fiquei assustado, afinal não tinha muito conhecimento técnico, até hoje, do brinquedo, que percebi, era para gente grande. Mas todo desafio engrandece o homem e vamos à luta, ou melhor, vamos ao teclado.
No começo foi um pouco estranho, afinal de contas, estava acostumado com a máquina de escrever. É diferente, mais duro, rígido, coloca o papel e tira. Até entender qual botãozinho tinha que apertar para colocar letra maiúscula e para tirar o papel da tal impressora, foi complicado. É vício, ou melhor, é prática.
Mas, tudo bem. Redigi minha matéria, aliás, eram oito matérias de esporte amador. Uma iria para o ar naquele exato momento. Estava atrasado. O elevador me atrasou. Finalizada a matéria, feita a revisão, tudo ok! Faltava somente tirar a folha do computador, como fazia sempre na máquina de escrever.
Observo, minha chefe me olhava com carinha de missão realizada. Como se aquilo fosse o máximo para todos e ela era demais. Eu disfarçava certa insegurança e ainda procurava a manivela para tirar o papel do computador. Ela, chefe, se aproxima e pergunta:
-Quer imprimir?
-Sim. Respondi com ar de entendido.
-É aqui. Agora é só aguardar o trabalho da impressora.
E foi justamente para a mesa em que estava a impressora. Estava mesmo atrasado. E comecei a ficar preocupado, pois o papel não aparecia e aquela máquina, que para mim parecia mais um trator, gemia e fazia:
Tarararararararrarrarararararararaaaaaaaaa - isso em um minuto e a folha andava quase nada.
Trararararararararaarraararararararararararaaa - e mais um pouquinho.
Tararararararara... Não agüentei, afinal tinha horário. Era Rádio. Fui até a parede, já meio tenso, pego a máquina de escrever, coloco em cima da mesa, escrevo o texto do meu boletim, em pouco tempo, arranco a página da máquina, sem mesmo utilizar a manivela e fui correndo para o estúdio. No corredor, só deu para ouvir os gritos da minha chefe:
- Você é velho! Não sabe o que é tecnologia.
E gritei baixinho:
-Velho, mas sei o que é o tempo para o Rádio.
1995. Computador atrapalhava a vida de um repórter. 1995, uma impressora, achava aquilo lento como um trator. Achava que isso nunca daria certo!






