Parada Gay bate recorde de público / Por Fernanda Lima - Universidade Paulista

Parada Gay bate recorde de público / Por Fernanda Lima - Universidade Paulista

Atualizado em 06/06/2005 às 14:06, por Fernanda Lima - Universidade Paulista.

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A cidade de São Paulo tem a maior manifestação de rua do mundo. Ela acontece anualmente e, neste ano, atingiu um público de 2,5 mil de pessoas. Trata-se da Parada do Orgulho Gay, realizada em plena Avenida Paulista, centro nervoso e financeiro da capital paulista, que chega à sua 9ª edição.

Segundo Paulo Giacomini, assessor de imprensa e sócio-fundador da Associação da Parada do Orgulho GLBT (gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros), o fato de abranger esse elevado número de participantes se deve ao interesse da sociedade, que não se prende a fundamentalismos religiosos de espécie alguma, além de manifestar o seu respeito à diversidade que, em suas palavras, tem se alargado nos últimos anos. "A mídia tem tido um papel importante na discussão das sexualidades. Mesmo entre os heteros, há diversidade sexual", diz Paulo.

A Parada deste ano, em relação à 2004, não apresentou um grande número de policias o que, para o assessor significou um boicote da Polícia Militar para "testar a aceitação da sociedade nas possíveis ocorrências", diz. A PM posicionou três policiais a cada 200 metros, mais ou menos. Os incidentes mais freqüentes são carteiras perdidas ou furtos. Nunca houve casos de incidentes mais pesados.

Apesar de reunir tantas pessoas e observar um aumento anual no número de participantes, sejam eles homossexuais ou heterossexuais, a união civil entre iguais ainda gera muitas discussões na sociedade brasileira. O Projeto de Lei que visa a Pareceria Civil Registrada está parado na Câmara dos Deputados há dez anos. Para Paulo, tanto a Parada que se realiza em São Paulo quanto as que ocorrem em todo o Brasil são atos políticos, que são promovidos de maneira "colorida, alegre, exuberante e exagerada. É um carnaval político", afirma.

Um grupo que se destaca bastante na massa que compõe a Parada é o formado por adolescentes. Para Paulo, isso representa a construção de uma juventude que respeita a diversidade sexual, que não discrimine e nem sofra discriminação. "Hoje em dia, é muito mais fácil ser o que se é do que há vinte anos", argumenta.

A Associação da Parada do Orgulho GLBT é mantida por seus associados e associadas. Para associar-se, basta preencher uma ficha de cadastro e contribuir com R$ 15 mensais. É a Associação quem está à frente da organização das Paradas desde 1999. Nos dois anos anteriores à sua fundação, o evento era organizado por grupos de São Paulo. Para ajudar na arrecadação de verbas para este ano, a Associação vendeu pulseiras com as palavras "orgulho" e "respeito" no valor de R$ 5.

Conforme Paulo Giacomini, o fato de o Brasil possuir a maior Parada Gay do mundo "representa, guardadas as devidas proporções, ter o maior movimento de massa desde o impeachment do ex-presidente Collor (1992), as Diretas Já (1984), a Revolução Constitucionalista (1932), a Inconfidência Mineira (1792), e as revoluções separatistas ou revolucionárias no sul e na Bahia".

Durante todo o ano, a Associação realiza reuniões de grupo de travestis e transexuais, de gays, de pais e mães de homossexuais, o Espaço B o JAH (Jovens e Adolescentes Homossexuais) e, a partir de agosto, começaram um trabalho de prevenção de DST - doenças sexualmente transmissíveis e aids, além de hepatites e prevenção secundária ao HIV.

A Parada traz à São Paulo um elevado número de turistas vindo de todas as partes do mundo, lotando hotéis e prestigiando o evento. No ano passado, contou-se com 400 mil turistas, quantidade que atingiu 700 mil neste ano, que deixaram na cidade por volta de R$ 240 milhões.

Fato lastimável

A Rede Globo de Televisão, através de seu telejornal local SPTV - 1ª edição de 30 de maio, última segunda-feira, apresentou cenas de policiais agredindo casais de homossexuais a golpes de cacetete, que estavam na Praça da República, ao final do evento. A Associação esta apurando os fatos e fará uma carta ao governador, ao secretário de Segurança Pública, à Polícia Militar do Estado de São Paulo e divulgá-la à imprensa. Ainda foi tomado conhecimento pela Associação de outros casos de agressão executado pela PM a um grupo de lésbicas, durante a Parada.