Para Sindicato do Paraná, maior piso salarial do Brasil não é motivo de comemoração

Para Sindicato do Paraná, maior piso salarial do Brasil não é motivo de comemoração

Atualizado em 05/02/2009 às 17:02, por Ana Luiza Moulatlet/Redação Portal IMPRENSA.

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Apesar de o Paraná ter o maior piso salarial para jornalistas do país, de R$ 1961,81, o Sindicato do estado acredita que este não é um motivo para comemorar. Segundo Márcio Rodrigues, diretor de defesa corporativa da entidade, o piso salarial paranaense acaba sendo um "teto salarial", pois nenhum empregador paga a mais do que o valor exigido por lei - prática comum em outros estados.

Ele explica que, além do aumento real de salário, o Sindicato espera conseguir em 2009 a consolidação de propostas como cotas para jornalistas afrodescendentes ou portadores de deficiência, espaço sindical gratuito e licença paternidade.

Divulgação
Aniela Almeida e Márcio Rodrigues

Aniela Almeida, presidente da entidade, conversou com o Portal IMPRENSA sobre outros assuntos que devem estar em pauta em 2009, como a nova Lei de Imprensa, a reforma sindical e a obrigatoriedade do diploma, "temas que demoram para ser julgados e acabam nos enfraquecemos como instituição".

Portal IMPRENSA - Quais são as principais pautas de reivindicação do Sindicato do Paraná para o ano de 2009?
Márcio Rodrigues -
O aumento salarial real. A gente vem tentando negociar individualmente com cada empresa ao longo de dois anos e meio, desde que começou a gestão atual no Sindicato. Nos primeiros anos, conseguimos apenas reuniões. No terceiro ano houve uma evolução, e representantes patronais vieram até o Sindicato para nos ouvir. No entanto, o único ponto positivo é que eles se despuseram a negociar, o que está previsto para março. A maior reivindicação em termos econômicos é a sair da reposição da inflação e ter um aumento real de salário. Isto não acontece desde o último dicídio, em 1996. Mais de 80% das categorias organizadas conseguiram um aumento real de salário. Além disso, queremos vale alimentação e plano de saúde, e outras propostas reais que não envolvam custos para as empresas, como cotas para jornalistas afrodescendentes ou portadores de deficiência, espaço sindical gratuito e licença paternidade.

IMPRENSA - Como você avalia o fato de o Paraná ter o maior piso salarial do Brasil?
Rodrigues -
Embora seja o maior do país, entendemos que isso ocorre porque em outros locais, por pressão dos empregadores, os Sindicatos foram obrigados a ceder. Voltamos a ser o maior salário do Brasil, à frente de Alagoas, mas infelizmente os profissionais do Paraná recebem só o piso, o nosso piso virou teto. Ele é menor que o estabelecido pelo Dieese como o mínimo para uma família de quatro pessoas, de R$ 2,5 mil.

IMPRENSA - Então pode-se dizer que este fato não é para ser comemorado?
Aniela Almeida -
É uma vitória porque é uma conquista que conseguimos manter. Mas este não é um grande ganho da categoria porque apenas repõe a inflação, vivemos em defasagem. Dentro da categoria vemos aumento real, e aqui no Paraná não.

IMPRENSA - Como o Sindicato se posiciona em relação à luta pela obrigatoriedade do diploma?
Aniela -
Nós estamos junto com a Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas ), brigando para que não caia a regulamentação. Acreditamos que o jornalismo de qualidade só é possível de ser feito com formação específica. Lutamos por isso, uma das últimas ações que tivemos no passado foi o lançamento de uma coletânea de textos sobre a obrigatoriedade do diploma, chamado "Formação superior em Jornalismo - Exigência que interessa à sociedade".

IMPRENSA - O que a entidade acha de criação de um Conselho de Imprensa?
Aniela -
É complicado depender do Ministério do Trabalho para regulamentações e fiscalizações, porque pelo menos no Paraná são cargos políticos, e muitas vezes os indicados são proprietários de veículos de comunicação. É complicado que toda fiscalização profissional e trabalhista dependa do Governo. Por isso acreditamos em um conselho. Não é censura; temos a competência para fiscalizar o exercício da nossa profissão.

IMPRENSA - O Sindicato defende uma nova Lei de imprensa? Quais pontos devem ser abordados nela?
Aniela -
Neste ponto também estamos com a Fenaj, acreditamos que ela precisa ser atualizada e os itens que criminalizam o profissional devem ser abolidos para que realmente se consiga uma liberdade de imprensa maior.

IMPRENSA - Na sua opinião, a reforma sindical tende a fortalecer ou enfraquecer os sindicatos de Jornalistas?
Aniela -
Esta é uma discussão que já deveríamos ter feito há muito tempo e não fizemos. Isto deveria ser discutido não só pelas centrais sindicais, mas também pelos sindicatos, sem empresários por trás. Nosso maior problema é de arrecadação, o que dificulta o fortalecimento para os trabalhadores. É uma questão polêmica; só gostaríamos que acntecesse no governo Lula. Por mais que nossa categoria não tenha sido muito favorecida, ainda é um Governo favorável. É como o diploma, são temas que demoram para ser julgados e isso acaba nos enfraquecemos como instituição.