Para ombudsman da Folha, ação contra site Falha de S.Paulo é "um micaço"

Para ombudsman da Folha, ação contra site Falha de S.Paulo é "um micaço"

Atualizado em 10/01/2011 às 12:01, por Paula Franco/Redação Portal IMPRENSA.

Para ombudsman da Folha , ação contra site Falha de S.Paulo é "um micaço"

Por *Atualizado às 13h10

Na edição do último domingo (09) do jornal Folha de S.Paulo , a ombudsman da publicação, Suzana Singer, definiu como "um micaço" o processo movido pelo veículo contra os criadores do site Falha de S.Paulo, os irmãos Lino e Mário Ito Bocchini. O termo, segundo o texto de Suzana, foi emprestado do humorista Cláudio Manoel, do extinto "Casseta & Planeta Urgente", da Rede Globo, e que se tornou "perfeito para definir" o caso.

Em outubro de 2010, o juiz Núncio Teophilo Neto, da 29ª Vara Cível de São Paulo, concedeu ao grupo Folha da Manhã S/A, proprietária da Folha , uma liminar que determina a retirada do Falha de S.Paulo da web. A decisão também ordenava a suspensão do registro do domínio do portal, sob pena de pagamento de multa no valor de R$ 1 mil por dia.

O processo movido pela publicação paulista - que alega que a ação se refere ao uso de logotipo idêntico ao do veículo - gerou repercussão na mídia internacional e apoio do fundador do site WikiLeaks, o australiano Julian Assange, aos fundadores do Falha. Atualmente, a Folha é um dos jornais que repercutem as informações sigilosas publicadas pelo WikiLeaks.

"Tanto barulho só se justifica porque o 'Falha' conseguiu convencer uma parte da opinião pública de que o processo é uma tentativa de censura. A Folha discorda", escreveu Suzana. "É difícil encarar essa disputa como uma luta pela liberdade de expressão, como querem os autores do 'Falha'. Toda empresa tenta proteger sua marca e as vias judiciais são o meio para isso."

A ombudsman da Folha encerra o texto dizendo que o cerceamento de um "blog caseiro, apelativo sem dúvida, mas inofensivo" não é saudável "a um veículo de comunicação progressista - e que se considera um 'jornal de futuro'". O caso, classificado como uma "batalha de Davi contra Golias" por Suzana, fez com que a Folha representasse o "papel do gigante malvado", e torna sua imagem "muito mais prejudicada do que se tivesse simplesmente ignorado as pedrinhas dos irmãos blogueiros".

Em entrevista ao Portal IMPRENSA, Lino Bocchini declarou que "apesar dos adjetivos pouco elogiosos que foram usados [no texto], a gente agradece muito à Suzana por ela ter furado o boicote que a Folha estava promovendo para não divulgar o caso". Para ele, ficará mais difícil para o jornal ignorar o tema em suas páginas. "O fato de a Suzana ter falado sobre isso na coluna dela, [significa que] o assunto está no jornal", disse.

O jornalista espera que o veículo continue publicando informações sobre o caso, e ressalta que não quer ser "o dono da verdade". "A gente gostaria que as pessoas entrassem no nosso site [ ] e vissem o processo, que olhassem tudo [...]. Acho legal as pessoas se informarem, conhecerem os dois lados e tirarem suas próprias conclusões", disse. "Não queremos impor nossa posição".

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